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(13-11-09) - Já faz um bom tempo que não falamos do Pompéo, o triciclo brasileiro que promete revolucionar o trânsito nas cidades brasileiras. Menor (2,33 m, contra 2,69 m) e mais leve (450 kg a 600 kg, contra 770 kg) do que um smart fortwo, ele tem a meta de chegar ao consumidor a um custo bem mais interessante: metade do preço, ou cerca de R$ 30 mil. A previsão para seu lançamento comercial é em 2012. O Pompéo também trará uma novidade que deve agradar a bastante gente: será inteiramente elétrico. Como se vê, há diversas novidades sobre o urbaninho.
A última vez em que o Pompéo apareceu no WebMotors foi em março de 2007. Na época, ainda se cogitava equipá-lo com motores de moto. Os mais cotados eram os de 250 cm³ da Yamaha YS Fazer 250 e o da Honda CBX 250 Twister, que já saiu de linha, assim como o motor de 400 cm³ da Honda NX Falcon, para a versão mais cara do modelo. Ela teria itens de conforto como vidros elétricos e ar-condicionado, item praticamente imprescindível atualmente.
Motores a combustão ainda podem servir a versões mais em conta do Pompéo, no futuro, mas a de estreia será mesmo a elétrica. “Não há momento melhor do que esse para apresentar um veículo elétrico. Não podíamos deixar de aproveitar a oportunidade”, disse Carlos Eduardo Momblanch da Motta, engenheiro mecânico e empresário, um dos criadores do triciclo urbano. A equipe de “pais” do veículo conta ainda com Renato César Pompeu, que dá nome ao triciclo, também engenheiro mecânico e economista, e Carlos Metzler, que cuida do planejamento de negócios e do marketing internacional do Pompéo. Isso porque, além do mercado brasileiro, o triciclo pretende ser conhecido (e vendido) também no exterior. E já existem interessados em sua distribuição em outros países.
Baterias de íons de lítio
Ao contrário do REVAi, modelo elétrico que já está à venda no país e que desembarcou com baterias de chumbo ácido, o Pompéo nascerá com baterias de íons de lítio, as mais modernas em oferta no mercado. O conjunto de baterias, composto de 15 células de 3,2V e 30A, pesará apenas 50 kg e poderá ser recarregado completamente em apenas quatro horas.
Quem pensa que levar quatro horas para reabastecer é um absurdo deve tirar da cabeça a referência de reabastecimento de um veículo a combustão. Primeiro, porque a vantagem de carros elétricos é a recarga da noite para o dia, quando se chega em casa. Nesse período, as tarifas de energia elétrica são mais baixas. Segundo, porque o Pompéo terá uma autonomia de 200 km a 250 km, não muito diferente de alguns carros flex quando abastecidos com álcool e suficiente para viagens curtas, ainda que o Pompéo, de início, seja mais voltado a percursos urbanos. Em outras palavras, a necessidade de recarga será bem espaçada.
“Nossos fornecedores de baterias estimam que o conjunto será capaz de suportar 2.000 ciclos, ou seja, 2.000 recargas. Mesmo que fosse preciso recarregar todos os dias, e não será, as baterias durariam mais de cinco anos. Nós imaginamos que elas possam chegar a dez anos de duração”, disse Pompeu.
Motor WEG
No que se refere à motorização, o Pompéo deve ser impulsionado por uma unidade de 8 kW, equivalente a 11 cv. Pode parecer pouco, mas, considerando o peso do Pompéo e seu objetivo de velocidade máxima, limitada a 90 km/h (para poupar as baterias), é mais do que suficiente. Até porque o triciclo promete uma arrancada de assustar: o torque máximo do motor será de 245 Nm já a 300 rpm. É pouca coisa menos do que o torque do Mercedes-Benz C 200 Kompressor, mas com bem menos peso (este Classe C pesa 1.490 kg). E o motor gira a até 3.500 rpm. Poderia girar mais, mas o Pompéo terá uma limitação de giro da roda de 1.000 rpm (para não sair cantando pneu). O triciclo não terá câmbio, algo que facilita a manutenção e diminui o risco de quebras.
A melhor parte a respeito do motor é que ele também deverá ser nacional, fabricado pela WEG, empresa brasileira da gema. Já envolvida no projeto, a WEG deve entregar aos criadores do Pompéo, no ano que vem, um motor sem escovas, de corrente alternada, o que também diminui a manutenção do sistema a quase nada. Tudo em prol de um veículo bastante confiável do ponto de vista técnico.
A estrutura do Pompéo será tubular, mas a ideia inicial, de um chassi de aço carbono, deve ser alterada por um de alumínio, para reduzir peso. As suspensões dianteiras são de carro, tipo McPherson, mas a traseira é de moto, monoamortecida. A carroceria deve ser feita de plástico, como a do smart fortwo, o que também reduz peso, facilita reparos e diminui o preço.
Com o conjunto definido, o desenvolvimento do Pompéo seguirá por mais um ano até a apresentação definitiva do veículo, em algum ponto de 2011. Quem também está ajudando o pessoal do Pompéo é Du Oliveira, designer gráfico e dono do blog Irmão do Décio, que faz recriações de clássicos nacionais. Pode ser que, agora, Oliveira esteja ajudando a criar um futuro clássico brasileiro.
Seis meses depois da apresentação do Pompéo definitivo, sua produção deve ter início. No site www.triciclopompeo.com.br já dá para manifestar o interesse na compra do triciclo por meio da seção “Quero meu Pompéo”, onde o comprador poderá ajudar a definir as prioridades no desenvolvimento do urbaninho.
Tem gente que acha que 2012 vai trazer o fim do mundo, mas, para a indústria automotiva nacional, ele deve, isso sim, trazer um novo mundo: sustentável, elétrico, acessível e brasileiro.
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