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Você está viciado em emoções negativas no trânsito?
Texto: Adriana Bernardino
Fotos: Renato Takahashi/arquivo
(02-05-08) - Estranho é, já que parece consenso todos ansiarem pela felicidade. Mas (observe) muitos de nós alimentamos o próprio sofrimento como a um bichinho de estimação.

Ele pode ser facilmente identificado naquela tia adoentada que dispara uma lista de sintomas ao ouvir um educado “como vai?” ou em você ao transbordar raiva, indignação ou medo, todos os dias, repetidamente, enquanto dirige.

“Tive uma paciente cujo pânico de dirigir se revelou, durante o tratamento, como medo da solidão e da independência. O ganho secundário de seu problema era a companhia dos filhos e do marido, que se revezavam para acompanhá-la a todos os lugares”, conta a especialista em programação neurolinguística e vícios, compulsões e identidade, Daniela Dias de Souza.

Pista de registro único

Mas por que repetimos comportamentos negativos mesmo discordando deles? Imagine se você tivesse de aprender a girar a chave toda vez que a colocasse na ignição. O mesmo processo de aprendizado e assimilação é usado pela mente para outras circunstâncias da vida.

“A mente compara as situações que vivemos e as generaliza”, explica a terapeuta, “isso porque ela tende a economizar processamento. Ao viver um fato que se assemelhe a outro passado, você provavelmente repetirá os sentimentos despertados na primeira experiência ou em uma experiência muito marcante”.

Talvez isso explique porque seja tão difícil transformar uma reação negativa no trânsito. Diante do desafio, a arquiteta de informação Lúcia Martins chegou a fazer o voto religioso de abençoar os maus motoristas que cruzarem seu caminho.

“Percebi que não conseguia mais escapar de minha própria intolerância. Esbravejava ao menor sinal do que eu julgava ser uma barbeiragem. Era um comportamento mecânico. No final, o desgaste estava todo comigo”, relata.

Reagir com equilíbrio não é um bem que se faz apenas ao outro, mas, principalmente a si mesmo. Por isso, vale a pena insistir na mudança. Para Souza, quando a mente repete uma reação negativa é preciso “mostrar a ela” que as coisas mudaram. “Não importa o que aconteceu, mas como o acontecido ficou registrado na mente. Podemos, a partir daí, nos reprogramar para ter sensações novas e saudáveis”.

Para dar uma injeção eletrônica no temperamento

O primeiro passo para identificar e transformar um padrão de comportamento negativo é entender que a mente pode omitir e distorcer o que vemos e vivenciamos. Por isso, desconfie dos próprios julgamentos e interpretações da realidade. No trânsito será mesmo sempre o outro o errado? Será que os fatos acontecem exatamente como imaginamos?

“Podemos registrar um comportamento de forma auditiva, visual ou cinestésica”, explica Souza. “Muitas pessoas se visualizam bem pequenininhas diante de um problema, tornando-se impotentes perante ele; por exemplo, uma formiga diante de um elefante. Além da imagem, um problema também tem sons e sensações. É preciso identificar essas características para transformá-lo”.

Uma dica da terapeuta é, em situação de pane, lembrar de respirar olhando para cima. “Guardamos a referência de criança que olha para o alto, buscando o apoio dos pais”.

Outra dica é quebrar o padrão do momento – seja ele de raiva, estresse ou medo. Se o motorista for mais auditivo, uma boa música poderá sensibilizá-lo; se visual, evocar uma paisagem ou imagens de pessoas queridas serão eficazes para reverter o processo; e, finalmente, se cinestésico, a sugestão é ter no carro objetos como uma bolinha anti-stress ou óleos essenciais.

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