(05-07-2005) - O puma - chamado cientificamente de felis concolor - é um grande felino que vive em algumas regiões montanhosas, desde o Canadá até a Patagônia. Predador solitário e de hábitos noturnos, está quase em extinção. Seu miado não tem a força do jaguar ou da pantera, mas se impõe no ambiente selvagem.
Arisco, esbelto e veloz. Foram justamente essas três características do felino que caíram como uma luva no modelo GTO, apresentado no Brasil pela Puma no Salão do Automóvel de 1972. O frisson foi tanto em torno do carro que até mesmo o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi conferir a novidade. A sigla - alusiva às competições - logo seria trocada por outra, que se tornaria imortal para os amantes da performance: GTB.
Motor de 6 cilindros
O motor escolhido foi o de 3,8 litros - utilizado no protótipo - e logo substituído pelo clássico de seis cilindros em linha e 4,1 litros do Opala SS. O estilo "quadradão" dos primeiros anos teve seus admiradores, e seu preço só não superava a atenção que chamava pelas ruas. A carroceria de fibra de vidro - especialidade da empresa - o deixava mais leve que os rivais, além do charme de ser 100% nacional.
A fama e a potência cresciam com o passar dos anos, inclusive com a adoção do motor 250-S, mais moderno. Os 31 cavalos a mais disponíveis debaixo do pé direito podiam levá-lo a uma velocidade máxima superior aos 170 km/h, necessitando de uma longa reta para "esticar" suas garras.
Em 1978 - durante o XI Salão do Automóvel - foi lançada a segunda geração do esportivo, que provocou outro rebuliço nos pavilhões do Anhembi. Essa reestilização obteve grande sucesso junto ao mercado, deixando-o com um ar de modernidade e linhas mais sedutoras. O novo modelo, chamado de S2, trazia frente mais baixa com quatro faróis e grade de plástico preta, além de acessórios como vidros elétricos e bancos de couro. Volante pequeno e câmbio de quatro marchas - preciso, com engates curtos - reconquistaram o consumidor. A jovialidade estava de volta.
Porém, no início da década de 80, as vendas começaram a cair e uma enchente na fábrica de São Paulo levou, literalmente, a empresa a pique. Esse fato, associado a problemas trabalhistas, levou ao fechamento da Puma, em 1984. Até o final dessa década duas tentativas de "ressuscitar" o modelo ainda foram feitas - em 1986 e 1989 -, sem sucesso.
Autenticamente brasileiro
O GTB também teve versões mais "nervosas", como a que saiu nas páginas da revista Quatro Rodas, de propriedade do empresário Dimas de Melo Pimenta, com direito a motor V8, blower e 600 cavalos de potência. O saudoso jornalista Expedito Marazzi - que assinou a reportagem e deu uma volta no bólido - ficou impressionado com a potência e a dirigibilidade do carro. Merece nota também o exclusivo Daytona, um felino em extinção hoje em dia.
Sem dúvida, o modelo marcou época por aqui. A combinação da leveza da fibra com a solidez mecânica se mostrou perfeita e mantém uma legião de fãs, espalhados pelos clubes do país. Fica o slogan de um dos catálogos da empresa, de 1974: "Puma: o privilégio autenticamente brasileiro".
Renato Bellote Gomes, 26 anos, é bacharel em Direito e assina quatro colunas sobre antigomobilismo na internet. O autor também publica textos na Espanha, Chile e Uruguai. Desde o ano passado, é correspondente do site português Lusomotores
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