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Chinês made in Mercosul
Chery anuncia parceria com grupo argentino e a produção no Uruguai de dois modelos: o utilitário Tiggo e o urbanino QQ
Texto: Gustavo Henrique Ruffo
Fotos: Divulgação
(13-11-2006) - Foi anunciado no último dia 8 de novembro um acordo entre a fabricante chinesa de carros Chery e o grupo argentino Socma Americana S.A., do empresário Franco Macri, para a fabricação, no Mercosul, de dois automóveis: o utilitário Tiggo e o QQ, que já foi objeto de reportagem do WebMotors (clique aqui para saber mais sobre ele). Quando estiver em operação, na segunda metade do ano que vem, a iniciativa será a primeira da indústria automobilística chinesa no exterior.

Durante a apresentação, feita a empresários argentinos, futuros concessionários da Chery (veja foto principal), foi exibido o utilitário, que custará, no país vizinho, cerca de US$ 24 mil, ou R$ 51,5 mil. No Brasil, devido a câmbio e impostos, o Tiggo deve ser vendido por um valor acima deste, segundo fontes do próprio grupo Socma.

Em versões com tração traseira ou integral, ele será vendido inicialmente com motor 2-litros com tecnologia MIVEC (Mitsubishi Innovative Valve timing Electronic Control), um comando de válvulas variável, de 125 cv a 6.000 rpm. No exterior, também há a oferta de um motor 2,4-litros pouca coisa mais potente, com 130 cv a 5.500 rpm.

Completo, o utilitário vem com assentos dianteiros ajustáveis em seis ou quatro posições, sistema de navegação por GPS, ar-condicionado digital, disqueteira para seis CDs, teto de vidro (chamado pela marca de SkyWindow, a exemplo do que equipa o Fiat Stilo), airbags duplos, ABS e EBD.

O projeto envolve o investimento de US$ 100 milhões, dos quais US$ 51 milhões virão da Chery e os restantes, do grupo Socma, que deterá participação acionária proporcional ao capital investido, ou seja, 49% da fábrica.

Segundo o material distribuído à imprensa, o país escolhido para o início das atividades, depois de dois anos de negociações, foi o Uruguai porque o grupo Socma já tem ali uma fábrica que necessita de poucas mudanças para começar a operar. Trata-se da Sevel, uma unidade que produzia veículos da Peugeot e da Fiat e que encerrou atividades no final da década de 1990.

Quando estiver operando plenamente, a fábrica poderá produzir cerca de 25 mil carros por ano, possivelmente em regime de CKD (completamente desmontados). Destes, 10 mil serão Tiggo e 15.000 serão QQ. Com motores de 800 cm³ e de 1 litro, o compacto terá ar-condicionado de série, com sistema de comando de som por voz.

Ainda há dúvidas sobre a versão a ser produzida no Uruguai, mas há duas opções: a versão atualmente comercializada ou a nova geração do carro, que deve ser inspirada no sedã QQ6 (clique aqui para saber mais). O mais provável é que a escolha recaia sobre o modelo antigo, com a possibilidade de uso do ferramental na fábrica uruguaia.

Etapas

Essa, segundo a empresa, é a primeira etapa do processo de instalação da Chery no Mercosul, que incluirá também a criação de uma indústria de autopeças para os veículos da marca. Depois de três anos, por volta de 2010, a fábrica será transferida para a Argentina e será capaz de fazer 100 mil carros por ano. E não apenas o Tiggo e o QQ, mas também outros modelos, como o FlagCloud (ou A15), que utiliza motor brasileiro, o Tritec, que é produzido no Paraná (leia mais sobre isso aqui).

No Brasil, tanto fabricantes de autopeças quanto concessionários já foram contatados para produzir peças e revender o QQ e o Tiggo no país. As negociações, de todo modo, ainda são sigilosas. Mas pode esperar, leitor: os carros chineses podem fazer parte das ruas brasileiras antes do que se espera. E, talvez, também da sua garagem.

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