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(25-02-10) – Não há erro. Se há um líder; se a liderança é antiga; não discuta ou conteste: siga-o. Ele deve saber o que faz e o como faz. Parece ser este o dístico nas salas de planejamento de produto da Volkswagen, da GM e, para breve insurgência de seu produto, da Peugeot. Ford, não. Tem no Courier o melhor picape para trabalho, mas não segue a cartilha, contentando-se com a dicotomia se ser o de menores vendas.
A cartilha do líder no segmento, o picape Fiat Strada, contempla opções: motores, cabines – simples, estendida, dupla – padrões de decoração e aplicativos, motores. Dá resultado na captação de clientes profissionais ou, no outro extremo do mercado, onde o picape é carro esporte com grande e ocioso porta-malas. O Strada está certo? Deve estar. Some todos os outros concorrentes, multiplique por dois, terá chegado às vendas do Fiat.
Na receita da Fiat há a formidável trilha Adventure. Caracterização para valentia fora do asfalto, raramente praticada, embora a montadora mineira tenha desenvolvido um equipamentozinho eletrônico que bloqueia roda em falso, transmitindo força à outra. Um pouco de jeito, o adjutório funciona bem e oferece maior mobilidade.
A VW tem tentado seguir este caminho. Afinal, o segmento vende mais de 100 mil unidades anuais. Atualizou o Saveiro, criou versão cabine estendida; e agora mostra o bom tratamento Cross, exibido nesta versão do Fox, a sugerir aptidões, valentia e capacidade de ir superior à dos demais veículos.
Cross, picape
É um bom partido, com tratamento estético e identificativo à altura, adoção dos faróis dianteiros auxiliares com dois fachos, apliques laterais, rodas em liga leve, aro 15”, com pneus radiais de dupla aptidão em medida 205x60x15. Compõem o visual, área de contato com o solo, altura e flexibilidade nas laterais dos pneus para bem fazer curvas, frear e resistir aos buracos pátrios.
Soma as boas qualidades e equipamentos do picape Saveiro com o pacote CrossFox: tampa traseira com amortecedores; ganchos corrediços nas laterais da caçamba – com itens decorativo/funcionais: parachoques frontais absorvendo os faróis auxiliares, aplique decorativo na barra anticapotagem; cabine estendida para permitir levar objetos e sacolas; 16 porta-volumes, e a cor de impacto Laranja Atacama. Conjunto mecânico conhecido: motor 4 cilindros, bloco em ferro, 8 válvulas, 1.6 flex, 101 cv com gasolina e 104 com álcool, torque de 15 kgmf. Câmbio com 5 velocidades, com primeira e segunda mais reduzidas, Suspensão traseira por eixo interdependente e feixe de molas. A VW bota fé no Saveiro Cross, acreditando venda 30% neste grupo.
Não é barato. A versão básica, com rodas e direção custa R$ 41.840. Adicionando o ar condicionado, ascende a R$ 44.684. Versão mínima a ser considerada pelos leitores, com estes itens e mais sistema ABS nos freios e duas almofadas de ar, adicionais R$ 2.000. Pacote máximo, incluindo volante acionador do som R$ 47.937. Poder-se-á dizer muito interessante. O maior barato, definitivamente, não é.
Genebra 80, amplificando o futuro
Salão europeu mais importante do primeiro semestre e em 80ª edição, Genebra a partir do dia 5 exibirá os tentativos caminhos da indústria para conviver com a contração mundial dos mercados automobilísticos e a sinalização do futuro. Seus lançamentos maiores serão evolução, como o Volvo S60 e o Audi A1; versões Mercedes Cabrio; e apostas em tecnologia em busca do caminho para conviver com legislação restritiva a emissões.
Muitos protótipos, carros de sonho, exercício de estilo – como três para a Alfa Romeo comemorar 100 anos, um deles da casa Bertone, em má situação - mas de pouco reflexo em nosso mercado. Dentre as poucas novidades a aportar aqui estarão o S60, com linhas revistas e inequívoco DNA estilístico Ford ; o Audi A1, modelo de entrada; esportivo Jaguar XKR primeiro da marca a fazer 280 km/h, e o Mini Clubman,estendido, um ou outro Mercedes Cabrio.
Em termos de realidade, o S60 – nas exportações brasileiras com motor L6, transversal, 3.000 cm3, turbo e 304 cv – tem adjutório importante para segurança: ao perceber a iminência de atropelamento, um sensor faz o capô levantar alguns centímetros amenizando impacto e danos ao pedestre.
Roda-a-Roda
BMW – Mais um produto no catálogo de vendas da BMW, o X1, batizado de crossover, trêfego e inexplicável vocábulo intentando referir-se a veículos que começaram como projeto de automóvel a partir da parte dianteira, e mudou de idéia ao chegar ‘a parte posterior. Compacto, terá motores a gasolina, 1.8 e 2.8, e a versão inicial a R$ 170 mil.
Realidade – Duas marcas tradicionais mudarão de mãos em março. A criativa Saab, hoje GM, irá para a Rinspeed, pequena suíça. E a Volvo, também suíça, para a chinesa Geely, em busca de referencia ocidental de qualidade.
Quem diria – O Brasil dá uma força ao passado e à história: após 40 anos de autonomia, voltou a comprar gasolina, desta vez da Venezuela. Explicação, falta chuva e a opção de mercado para produzir açúcar. Talvez falte política para tratar o álcool como integrante de matriz energética.
Futuro – Pistas de testes são mandatórias ao bom desenvolver veículos. Porém, no Brasil apenas Ford, em Tatuí, e GM em Indaiatuba, ambas em SP, delas dispõe. Mas a Randon, fábrica de material frenante e de transporte, conseguiu compor-se com as exigências ambientais, e inaugurará seu Campo de Provas: 87 hectares, 18 modelos e 15 km de pista. Fará uso próprio e cessão a empresas para desenvolvimento e avaliação de veículos. Compensação ambiental, a Randon implantou viveiro para produzir as mudas de árvores nativas destinada à recomposição da área.
Moda – Conversíveis, esportivos, os modelos Roadster – surgidos com o Ford A em 1928 e iniciando história – motivaram a Cartier a produzir eyewear, antigamente conhecidos como óculos. É o R de Cartier, cujo charme inclui hastes de madeira africana Bubinga utilizada no fazer violinos. Preço ? Á altura: R$ um pouco acima de 7 mil.
Braço – Para marcar 41 anos de atividade, a Escola de Pilotagem Interlagos, dirigida pelo promotor Antonio de Souza Filho, comemora com o curso, “Piloto por um dia”. Autódromo de Interlagos, com alunos pilotando carros de corrida, dia 28. A fim de realizar um sonho ? Escola de Pilotagem Interlagos: (11) 5660-7212, Cel. 9143-4980 pilotoporumdia@escolapilotageminterlagos.com.br
Oportunidade - Gosta de DKW ou de carros antigos e sua história? Boa notícia: a Editora Alaúde re-publicará o livro sobre veículos DKW. Só aguardar.
Museu – Dia 23, à noite, colecionadores de veículos antigos, em Ribeirão Preto, SP, obtiveram dos vereadores da cidade autorização para cessão pela Prefeitura, por 30 anos, em comodato, de terreno por 30 anos para a construção de museu de veículos. Área nobre, no Jardim Botânico, terreno de esquina e defronte a uma praça. O projeto vem acelerando com o arquiteto Valter Luiz Secco Félix, sócio do Faixa Branca Clube. Para aplaudir de pé.
Gente – Gustavo Ruffo, jornalista, deixou a editoria de conteúdo do sítio WebMotors. * Ralf Speth, 53, inglês, novo CEO da Jaguar Land Rover. Vem da indústria europeia com o desafio de manter a aura e o charme das duas marcas, agora sob comando indiano.
Leia outras colunas de Roberto Nasser aqui _______________________________ Roberto Nasser ( edita@rnasser.com.br ), residente em Brasília, é advogado, especializado em indústria automobilística. Dentre suas ações de utilidade social se destacam a defesa para a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança e as propostas da criação da categoria do veículo de coleção, da dispensa de equipamentos modernos pelos carros antigos, da mudança de óptica sobre os colecionadores, da permissão de importação de veículos antigos, além da criação do Museu do Automóvel, na Capital Federal, do qual é curador. Escreve sobre automóveis semanal e ininterruptamente há 41 anos e trata este ofício como diversão e lazer. Sua coluna “De Carro por Aí” é publicada em 15 mídias.
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