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Anos 1990: Dicas para comprar o sedã Volkswagen Apollo

Texto: André Ramos/Mídia Motor
Fotos: Divulgação

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(02-06-11)–No início dos anos 90 o Brasil estava mergulhado em um dos períodos mais críticos de sua era pós-redemocratização política, afinal, na tentativa de conter a crônica inflação que assolava o país, o recém-eleito presidente Fernando Collor de Mello, baixou um pacote econômico que tinha, entre outras características, o confisco de 80% das aplicações financeiras dos brasileiros.

Neste mesmo período, a indústria automotiva do país permanecia fechada às importações e isso levou a uma certa acomodação no que dizia respeito à evolução tecnológica dos carros, tanto que este mesmo presidente chegou em determinada ocasião, a dizer que nossos carros eram “verdadeiras carroças” quando comparados aos vendidos nos países desenvolvidos.

Mas em 1987 começara a ser gestado no interior da Volkswagen e da Ford um plano que visava unir as duas empresas. Naquela época ambas montadoras passavam por dificuldades em razão da retração do mercado interno e pouca participação nas exportações e isso levou a direção das duas empresas a costurar uma aliança para criar uma joint venture que teria – em tese – cerca de 60% do mercado de automóveis à época.
Apesar do plano ter sido anunciado em 1º de julho daquele ano, somente três anos depois é que finalmente a Autolatina iniciou suas atividades fabris, onde a Vokswagen detinha 51% de participação e a Ford, 49%.

Pelo acordo, a VW ofereceu à Ford os motores AP-1600, AP-1800 e AP-2000, além da plataforma do sedã Santana, que originou os modelos Versailles e Royale; já a Ford cedeu os motores CHT AE-1000 e AE-1600, além da plataforma do Escort, que geraria inicialmente o Apollo e depois, o Logus e o Pointer.

A parceira entre ambas acabou enfrentando uma série de dificuldades internas e externas e seu fim se deu sete anos depois e aqui falaremos um pouco da história de um de seus frutos, o VW Apollo, carro que teve como “irmão gêmeo” o Ford Verona.

Peculiaridades

Enquanto o Verona tinha linhas mais classudas, algo que até então era uma característica da Ford, o Apollo era um sedâ médio de linhas mais esportivas e além disso, contava com o confiável e potente motor AP-1800, que atraía uma considerável parcela dos consumidores mais jovens, que viam nele um bom carro para se equipar e deixar com um ar invocado, já que o carro vinha de fábrica com aerofólio traseiro, faróis de milha, lanternas fumê, para-choques pintados na cor do carro, amortecedores mais firmes que os do Verona, bem como um câmbio com escalonamento mais curto (herdado do Escort XR3) que o irmão da Ford, o que o deixava mais “esperto” que o rival. Fora isso, o Apollo também trazia uma grde diferente, vidros laterais com moldura cinza, painel e volante próprios e iluminação em laranja.

O Apollo teve como inspiração o projeto Ford Orion, modelo que rodou na Europa no final dos anos 80 e início dos 90 e seu motor AP-1800 chegava a produzir honrosos 105 hp a 5.600 rpm na versão a álcool – carburador de três estágios – ou 92 hp a 5.600 rpm na versão para rodar com gasolina – carburador com dois estágios.

Considerado um veículo de luxo para a época, o carro tinha três versões de acabamento. A GL era a de entrada e trazia faróis de milha, para-choques pintados na cor do carro – mas com a parte inferior pintada de cinza – e parabrisas degradê. Já a versão GLS trazia, além dos itens acima, interior monocromático, ar condicionado, ar quente, desembaçador traseiro, direção hidráulica, alarme, vidros e travas elétricos, rodas de liga-leve e alguns chegaram a sair de fábrica até mesmo com teto solar. A versão VIP teve produção limitada e foi fabricado apenas nas cores Branco Star e Vermelho Colorado. Apresentava de série todos os itens acima, além de espelhos elétricos e borrachão lateral com a sigla “VIP”, bancos Recaro com opção de regulagem de altura (motorista) e duplo apoio lombar, painel com tacômetro e relógio digital e rodas de liga-leve raiadas.

O Apollo trazia além de um amplo porta-malas com capacidade para 570 litros (norma VW) ou 460 litros (norma VDA), bastante espaço interno para um veículo de sua categoria, o que também o credenciava para aquelas famílias cujo chefe apreciava um desempenho mais esportivo para a condução, entretanto, seu grande calcanhar-de-aquiles foi o preço salgado, já que chegava a custar mais que a Parati, até então o integrante mais caro da família derivada do Gol, que contava ainda com o Voyage.

Dizem que o nome com duas letras “L” teria sido uma homenagem da Autolatina ao então presidente Collor de Mello, mas o fato é que o carro foi produzido somente durante três anos – de 1990 a 1992, vindo a ser substituído pela dupla Logus/Pointer, sedã e hatchback que também não tiveram vida longa.

O que observar na hora da compra?

Justamente por ter sido um carro de produção pouco longeva, o Apollo encontra hoje uma certa dificuldade para encontrar peças de reposição, mas por outro lado, a internet ajudou a minimizar o problema por meio de fóruns e sites que dão dicas sobre como encontrar as mais difíceis.

Em geral, o conjunto mecânico que o equipa é bastante confiável, mas por tratar-se de um carro que já cruzou a marca dos 20 anos de idade – e certamente muitos já passaram pelas mãos de diversos tipos de usuários – é bom ficar atento a certos detalhes na hora de efetuar a compra.

O primeiro item a se considerar é o consumo. Mesmo em sua época de lançamento, o carro não tinha esta como sua principal virtude e era mesmo considerado um carro “gastão”, com média de consumo de 4,5 km/l a 6,5 km/l para a versão a álcool e entre 6 km/l e 9 km/l para o motor a gasolina.

Outro ponto a se observar é que, por ter herdado a suspensão traseira do Escort e ser um veículo mais pesado que este, o Apollo apresenta problemas nesta parte do carro, principalmente quando seu proprietário costuma carregar muita carga ou pessoas ou então, não conduz o veículo com mais atenção por trechos esburacados. Além disso, há relatos de proprietários e ex-proprietários que apontam problemas com os espelhos elétricos, trambulador do câmbio, bomba de combustível e homocinéticas.

O Apollo não é um carro com facilidade de revenda justamente em razão de ter sido fabricado por pouco tempo e também, por ter uma manutenção considerada cara para a categoria.

Por fim, em razão de sua pouca altura em relação ao solo, observe como o carro está por baixo, pois danos no tanque de combustível resultantes de impactos podem ser encontrados. E outra coisa: por sua idade, é muito difícil de se contratar seguro, muito embora o Banco do Brasil tenha aberto algum tempo atrás uma linha para veículos com mais de 10 anos de uso.

As opiniões expressas nesta matéria são de responsabilidade de seu autor e não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.

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