(26-11-09, Maceió, AL) - O Fiat Doblò nunca foi um primor de beleza, mas, de todas as suas versões, a Adventure era a que mais sucesso fazia. Responsável por 55% das vendas do multivan, ela trazia rodas maiores, mais proporcionais ao tamanho do veículo, e tinha aquele visual agressivo que tanto agrada às mulheres. Com o modelo 2010 do Doblò, a receita tende a se repetir, com melhorias. Afinal, mesmo a versão mais barata do multivan está bem mais agradável de olhar. E a Adventure conseguiu manter seus méritos, aperfeiçoando alguns.
As rodas, por exemplo, continuam mais proporcionais que as de aro 14” usadas nas versões comuns, mas contam com o reforço dos pneus de uso misto 205/70 R15, que também deixam o Doblò com aparência mais interessante. Considerando o quanto ele custa, R$ 59,68 mil, é uma das opções mais em conta do mercado para quem quer um veículo espaçoso e de aparência parruda.
O porta-malas, de 665 l, por exemplo, não tem similar entre os veículos que poderiam concorrer com ele, como o Kia Soul e o Ford EcoSport. Nem os seis lugares que ele oferece, descontando o fato de o sexto lugar ser bastante desconfortável, bom apenas para crianças.
A Fiat perdeu uma excelente oportunidade para apresentar o Doblò com câmbio Dualogic. Não foi dessa vez, o que pode indicar que o multivan nunca terá essa opção, ou que seu desenvolvimento está mais complicado do que poderia parecer. Afinal, o motor 1,8-litro de origem GM deve ter dificuldades em lidar com os 1.455 kg do multivan. O peso deve tornar o comportamento “cabeceante” do Dualogic ainda mais sensível.
É pena. Além dos consumidores interessados na solução, a oferta de um Doblò Dualogic também favoreceria a vida dos taxistas que escolhem o modelo da Fiat para a praça. Como os maiores beneficiados pelo equipamento, resta saber se esses motoristas andam interessados nele a ponto de justificar sua adoção.
O que o Doblò Adventure oferece é o sistema Locker, que avaliamos em terreno arenoso. Longe de ser uma panacéia, ele é um mero quebra-galho, assim como a cabine dupla da Strada. Pode ajudar a tirar o carro de algum terreno difícil, mas não substitui o sistema de tração nas quatro rodas, que anda demorando muito para ser adotado pela marca italiana no Brasil.
Quando encontramos um terreno com areia fofa, atolamos o Doblò de propósito. Apenas uma das rodas. Sem o sistema, o carro realmente teria se afundado ali irremediavelmente. Com o Locker ligado, ele demorou a sair do banco de areia, mas pelo menos não cavou o buraco mais fundo.
No tetoAlém da nova dianteira e da traseira sutilmente diferente, o Doblò Adventure também trouxe melhorias internas. O painel com inclinômetros e bússola agora vai instalado no teto, em posição menos incômoda que a do conjunto anterior.
O painel de instrumentos agora traz dois mostradores grandes, o do velocímetro e o do conta-giros. Os dois menores, do marcador de combustível e da temperatura do motor, ficam logo acima do mostrador digital, onde podem ser conferidas as informações do computador de bordo. Tudo o mais, no interior, é idêntico à versão anterior, o que enfraquece aqueles argumentos de “renovação total” aos quais a Fiat já consegue resistir.
A renovação não foi tão completa assim. O motor 1,8-litro continua o mesmo. Os repetidores de direção, presentes dos retrovisores, seriam redundantes nos para-choques dianteiros, mas o espaço para eles está ali, sob a placa de identificação do motor. O interior continua, fora as mudanças que já citamos, exatamente igual. É a renovação exterior que realmente deve impulsionar as vendas.
Isso porque o Doblò tende a vender mais, de um modo geral. Com isso, a participação do multivan no mercado deve se ampliar. A versão Adventure, não fosse seu preço, também poderia ser ainda mais significativa em termos percentuais.
Ao volanteEm relação à versão 1.4, a Adventure goza de mais itens de série, entre eles regulagem de altura do volante. Não chega a suprir a falta de regulagem de altura do banco nem a falta de regulagem de distância, mas já é alguma coisa.
O motor 1,8-litro, típico da GM, demora a crescer de giro, mas tem torque para fazer o carro se deslocar sem muito esforço. Descarregado e em pistas retas, como as de Maceió, por exemplo. Ainda precisamos avaliá-lo em subidas, descidas e carregado.
Velocidade alta não é o forte do Doblò, seja por sua altura, de 1,96 m, seja por seu eixo rígido na suspensão traseira. Com um veículo tão pesado e alto, bom seria se a Fiat oferecesse freios a disco na traseira, mas eles não estão disponíveis nem como itens opcionais. Lamentavelmente.
Quem andava procurando por um veículo alto, imponente e capaz de enfrentar estradas de terra, mas sempre descartou o Doblò da lista por seus dotes estéticos poderá revisar sua decisão e, no mínimo, incluir o multivan entre as opções. Pode ser que ele surpreenda.
Gustavo Henrique Ruffo viajou a Maceió a convite da Fiat
FICHA TÉCNICA – Fiat Doblò Adventure Locker| MOTOR | Quatro tempos, quatro cilindros em linha, transversal, duas válvulas por cilindro, refrigeração a água, 1.796 cm³ |
| POTÊNCIA | 112 cv (gasolina) e 114 cv (etanol) a 5.500 rpm |
| TORQUE | 175 Nm (gasolina) e 181 Nm (etanol) a 2.800 rpm |
| CÂMBIO | Manual de cinco velocidades |
| TRAÇÃO | Dianteira |
| DIREÇÃO | Por pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica |
| RODAS | Dianteiras e traseiras em aro 14”, de aço |
| PNEUS | Dianteiros e traseiros 175/70 R14 |
| COMPRIMENTO | 4,48 m |
| ALTURA | 1,96 m |
| LARGURA | 1,77 m |
| ENTRE-EIXOS | 2,58 m |
| PORTA-MALAS | 665 l |
| PESO (em ordem de marcha) | 1.455 kg |
| TANQUE | 60 l |
| SUSPENSÃO | Dianteira independente, do tipo McPherson; traseira com eixo rígido e barra estabilizadora |
| FREIOS | Discos ventilados na dianteira e tambores na traseira |
| CORES | Azul Búzios, Branco Banchisa, Vermelho Alpine, Azul Trindad, Cinza Cromo, Cinza Scandium, Cinza Tellurium, Prata Bari, Preto Vesúvio, Verde Creta e Vermelho Magma |
| PREÇO | R$ 59,68 mil |
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