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CO²: o ciclo de vida do carros é o que importa

Flex, híbrido flex ou 100% etanol,: carros brasileiros apresentam, em conjunto, a menor pegada de carbono hoje no mundo

por Roberto Dutra

Todos os estudos técnicos no Brasil apontam a necessidade de qualquer cálculo de emissão de CO², o gás carbônico que aumenta a temperatura do planeta. Isso precisa ser feito não apenas do poço (prefiro o termo origem) à roda, mas também do berço (nascimento) ao túmulo (descarte).
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Contudo, parece muito conveniente ignorar esse conceito nos países mais desenvolvidos e com frotas gigantescas de veículos leves e pesados nos EUA, União Europeia e China. A exemplo do ditado popular "me engana que eu gosto".

Para explicitar esse cenário, Anfavea e Boston Consulting Group (BCG) acabam de consolidar um grande trabalho de pesquisa. No caso brasileiro, foi ressaltado que o automóvel movido por motor a combustão interna (MCI) - seja flex, híbrido flex ou 100% etanol - apresenta em conjunto a menor pegada de carbono hoje existente no mundo pelo conceito correto de nascimento ao descarte.
No outro extremo surge o carro chinês rodando na própria China, que dispõe de fato da maior frota de elétricos do mundo, porém esta representa ainda uma proporção de apenas 9% do total em circulação.
Na realidade, em torno de apenas 6%, porque lá o governo soma híbridos plugáveis como se fossem elétricos. Estes são híbridos em paralelo e usam gasolina também. Elétricos de alcance estendido (com motor-gerador a combustão) igualmente podem ser considerados híbridos em série, embora dê margem a discussões.

Há outros destaques no estudo: um automóvel elétrico médio rodando no Brasil, ao longo de sua vida útil, emite 55% menos CO² que o mesmo modelo que rode na China. Isso porque o segundo país mais populoso do mundo (a Índia é o primeiro) ainda usa de forma primária carvão para gerar energia elétrica, além de outras fontes fósseis como óleo combustível e gás natural.
A China construiu a maior hidrelétrica do mundo (Três Gargantas), em um esforço para diminuir sua pegada de carbono. Mas Itaipu binacional (93% da produção consumida pelo Brasil) frequentemente consegue gerar mais energia pela abundância de água represada.
Aqui, 90% da nossa matriz elétrica é renovável ao incluir energias solar e eólica. Nos EUA e Europa, o gás natural tem participação bem maior, em relação ao carvão, contudo também não se considera de origem limpa.
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