Niagara: da Argentina para a América Latina
A Niagara é baseada na mesma plataforma RGMP usada no SUV Boreal, produzido em São José dos Pinhais (PR). É um produto desenvolvido pela engenharia da Renault na América Latina com foco exclusivo nas demandas dos mercados da regiãoApesar desse parentesco da picape com o SUV médio brasileiro, a produção do modelo ficará à cargo da unidade industrial da marca francesa em Santa Isabel, na Argentina, que atenderá a todos os mercados da América Latina com presença oficial da Renault.
Mas o foco especial dos franceses está no Brasil, na Argentina e na Colômbia, mercados citados nominalmente pela Renault no lançamento da Niagara e que devem concentrar o grosso das vendas da nova caminhonete. E, embora sejam países vizinhos, mercados com características bem distintas entre si.
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Demandas (bem) diferentes
Desses três mercados, o maior é o brasileiro, onde existe uma boa demanda por caminhonetes a diesel e com o câmbio manual restrito apenas às versões de entrada. É também o maior mercado da América Latina para veículos - principalmente os SUVs - eletrificados, com um número casa vez mais expressivo de automóveis híbridos e elétricos entre os mais emplacados.Já os argentinos gostam mesmo de picapes. Mas - diferentemente daqui - preferem levar as médias do que as compactas e as intermediárias. E justamente por esse mercado ainda ver as caminhonetes mais como ferramentas profissionais do que como veículos de lazer, existe também uma demanda maior por modelos com câmbio manual.
E a Colômbia? Lembra muito o Brasil no "mix" dos 20 carros mais vendidos, misturando modelos compactos com SUVs médios e compactos - a combustão e híbridos. Mas a fatia das picapes é bem pequena: apenas a Toyota Hilux aparece entre os modelos mais emplacados.
Atendendo a gregos e troianos
O resultado dessa salada de demandas distintas é que faz você entender vários porquês da Niagara. Apesar das dimensões externas, que colocam a caminhonete para enfrentar a Fiat Toro, o caminho do projeto é bem distinto.A Fiat Toro trouxe elementos das picapes médias para uma faixa até então não explorada do mercado, conquistando um público que sempre sonhou com as caminhonetes, mas ainda não estava disposto a desembolsar a grana por um modelo "raiz".
Já a Niagara nasceu como uma opção aos SUVs. Um produto com cara, configuração mecânica e pacote tecnológico típicos de um utilitário esportivo. Mas que calha de ter uma caçamba e uma suspensão traseira mais reforçada para aguentar a tarefa de levar até 654 quilos. Sem abrir mão do conforto.
O que explica a opção de deixar de lado a opção de um motor a diesel e de oferecer na gama uma variação combinando tração 4x4, câmbio automatizado de dupla embreagem e motor 1.3 turbo a gasolina/flex. Afinal, a preferência por SUVs médios é um dos poucos pontos de intersecção entre os principais mercados latinos.
Mas uma versão híbrida não faz mesmo sentido?
Em entrevista a um grupo de jornalistas brasileiros, Jan Ptacek, vice-presidente da Unidade de Negócios de Veículos Comerciais Leves da Renault, reforçou que uma versão híbrida da Niagara sempre fez muito sentido, mas que a marca francesa optou pela motorização 100% a combustão no lançamento justamente pela demanda maior dos mercados latinos.Mas, sabendo da importância dos híbridos para o Brasil, a Renault não fez questão nenhuma de esconder durante a revelação do modelo que a Niagara híbrida sempre esteve nos planos e já está a caminho, devendo estrear no mercado no fim de 2027.
A marca francesa não forneceu muitos detalhes além dessa confirmação da picape híbrida. Mas já se sabe que não será um sistema híbrido-leve, já que o propulsor a bateria, segundo executivos do próprio fabricante, será capaz de mover as rodas - oferecendo, assim, uma opção com potência e torque suficientes para atrair até mesmo quem comprou uma intermediária a diesel
Muito provavelmente, a escolha da Renault deverá recair sobre um sistema híbrido convencional, mais conhecido pela sigla HEV. Um arranjo que já existe no Boreal vendido na Turquia.
Atualmente, a Ford Maverick é a única intermediária com um conjunto motriz desse tipo, já que a Fiat Toro tem um sistema híbrido-leve de 48 Volts.
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