Quem procura um carro elétrico de entrada no Brasil nunca teve tantas opções. Mas, curiosamente, a disputa ficou mais simples: se há algum tempo o segmento reunia modelos como Renault Kwid E-Tech, Caoa Chery iCar e JAC e-JS1, hoje praticamente toda a conversa gira em torno de BYD Dolphin Mini ou Geely EX2. Vale dizer que o carrinho da JAC até existe, ainda, mas os outros dois (Renault e Caoa Chery) já subiram no telhado.
O motivo é simples: o BYD Dolphin Mini se consolidou como carro elétrico mais vendido do Brasil em pouco mais de dois anos de mercado e hoje ainda lidera as vendas no varejo (entre pessoas físicas, que compram via CPF); já o Geely EX2 (lançado em novembro do ano passado) desembarcou com um argumento difícil de ignorar: custa praticamente a mesma coisa que o rival, mas pertence a uma categoria superior. E aí?
É justamente aí que mora a dúvida de quem pensa hoje em investir em um carro elétrico zero-quilômetro. BYD Dolphin Mini ou Geely EX2: vale apostar no modelo que domina o mercado e custa iniciais R$ 118.990 ou faz mais sentido levar um carro maior por quase R$ 5 mil a mais (o EX2 hoje parte de R$ 123.800)?
Na comparação técnica que faremos a seguir, o Geely EX2 larga na frente. Seu motor entrega 116 cv de potência, contra 75 cv do Dolphin Mini. O torque também é superior (15,3 kgfm do Geely contra 13,8 kgfm do modelo da BYD), assim como a autonomia homologada pelo Inmetro, ainda que a diferença seja pequena: enquanto o EX2 percorre até 289 quilômetros, o Dolphin Mini é capaz de rodar até 280 quilômetros com uma carga.
Mas, como adiantamos, a principal diferença do Geely não está nos números de desempenho, e sim no seu tamanho.
Com 4,13 metros de comprimento, o EX2 tem dimensões próximas às de um hatch médio (um BYD Dolphin, por exemplo, tem 4,29 metros), enquanto o Dolphin Mini é um legítimo subcompacto, com 3,78 metros.
Essa diferença aparece imediatamente no espaço interno e, principalmente, no porta-malas. São 375 litros no Geely contra 230 litros no modelo da BYD.
Na prática, isso significa que o EX2 consegue atender uma família com mais facilidade, além de oferecer maior conforto para quem viaja. Já o Dolphin Mini, por outro lado, continua sendo um carro pensado prioritariamente para o uso urbano.
É na cidade, portanto, que o carro elétrico da BYD mostra suas maiores qualidades.
As dimensões compactas facilitam manobras, estacionamento e até circulação em grandes centros, além de tornar o carro extremamente agradável para quem encara o trânsito pesado. Quem roda praticamente todos os dias na cidade não sentirá falta do espaço extra oferecido pelo rival.
Além disso, o BYD Dolphin Mini é respaldado por um fator que pesa muito na decisão de compra: a confiança do mercado.
Depois de liderar as vendas de carros elétricos no Brasil, o modelo construiu uma base sólida de clientes, ajudou a consolidar a rede de concessionárias da BYD e virou a referência quando o assunto é carro elétrico de entrada.
A própria versão atual, sem trocar de geração e antes mesmo de começar a ser feita no Brasil, resolveu uma das principais críticas feitas ao modelo: não ter cinco lugares.
Já o Geely EX2 precisa de construir essa reputação. Apesar de fazer parte do grupo Geely, uma das maiores marcas automotivas do mundo e controlador de marcas como Volvo, Zeekr e Lotus, o carro ainda precisa provar seu desempenho em pós-venda, disponibilidade de peças e valorização no mercado de usados.
Para quem não considera esses fatores na hora da compra, fica o recado: o Geely EX2 é maior, mais forte, tem mais porta-malas e ainda oferece desempenho superior.
Os antigos rivais mencionados no topo da reportagem desapareceram do mapa.
O Renault Kwid E-Tech e o Caoa Chery iCar deixaram de ser vendidos no Brasil depois de acumularem volumes modestos de emplacamentos, incapazes de acompanhar o ritmo imposto pela BYD. O JAC e-JS1 ainda existe no catálogo da marca, mas suas vendas se tornaram praticamente residuais e com isso o modelo deixou de figurar entre as principais opções do segmento.
Na prática, o cliente brasileiro que tem R$ 120 mil e pensa em ter um carro elétrico de entrada passou a olhar quase que exclusivamente para BYD Dolphin Mini ou Geely EX2.
E, no fim das contas, a escolha depende muito mais do perfil de uso do que da ficha técnica. Em resumo, para quem roda predominantemente na cidade, prioriza facilidade de estacionar, quer ter boa rede de concessionárias e revenda potencialmente mais tranquila dificilmente errará ao optar pelo BYD Dolphin Mini.
Já quem pretende usar o carro com mais frequência em rodovias, costuma viajar ou simplesmente quer mais espaço interno encontrará no Geely EX2 um pacote mais completo.
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