Polo GTS e Sandero GT Line

Polo GTS x Sandero GT Line 1.0: traje esporte

Mostramos para você quais são os predicados do hatch apimentado da VW e do compacto com "espírito esportivo" da Renault


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Marcus Celestino
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Polo GTS e Sandero GT Line, definitivamente, não são da mesma estirpe. Um carrega uma mítica sigla e é, de fato, um hot hatch. O outro tem plumas e paetês que lhe dão visual "esportivado", mas não entrega desempenho acima da média. Não à toa, o Volkswagen tem preço sugerido de R$ 112.090 e o Renault custa R$ 64.090.

Se você acha que a comparação entre os dois modelos é descabida, está mais do que correto. Todavia, atente para o próximo parágrafo, composto por frases retiradas do site oficial da Renault Brasil. Antes de atirar no mensageiro, lembre-se: o que vos escreve apenas copiou (e colou aqui) sentenças que estão no site da fabricante.

"Algumas coisas você não encontra em todo carro. Ainda bem que o Sandero GT Line não é um carro qualquer. Quando o assunto é esportividade, o novo Renault Sandero GT Line já chega mostrando a que veio. Esportivo, sim. Confortável, também. Esportividade na sua melhor expressão. Espírito esportivo de série."

Autoafirmação à parte, uma das frases elaboradas pelo departamento de marketing da Renault abriu brecha para a criação deste texto. É justamente a última do parágrafo anterior: "Espírito esportivo de série". Como? Explico. A ideia aqui não é fazer com que Sandero GT Line e Polo GTS travem embate até  um dos dois sair vitorioso. Não mesmo. É mostrar para você, leitor, quais são os predicados do "esportivo de série" e do hatch que, de fato, tem uma pimentinha. Seu bolso decide quem leva a melhor.

Quer ver o que Polo GTS e Sandero GT Line têm a oferecer? Vamos dar uma conferida juntos:

Dinâmica

O conjunto mecânico do Renault Sandero GT Line é comedido. O motor 1.0 entrega 82 cv e 10,5 kgf.m quando abastecido com etanol. A transmissão é manual de cinco marchas. Embora longe de entregar performance de esportivo, o time trabalha direitinho.

O propulsor dá ao carro bom desempenho em ciclo urbano, garante boas retomadas e fôlego mesmo com o ar ligado. A embreagem é macia e tem progressividade dentro da média. Embora o curso da alavanca seja longo demais para um carro de espírito esportivo, é bom.

O posicionamento da alavanca no túnel central também é satisfatório. Único galho fica por conta dos engates, que poderiam ser um pouco mais precisos. A suspensão absorve bem as imperfeições do solo. Por ser mais elevada - tipo a do Stepway - não dá ao motorista sensação alguma de esportividade. No entanto, como preconizado pelo marketing da Renault, dá aos ocupantes muito conforto.

O Polo GTS é uma outra história. Ele é empurrado pelo mesmo motor 1.4 turbo de 150 cv que equipa versões de T-Cross e Tiguan. Se atua de modo mais comedido nos SUVs, no caso do hatch são outros quinhentos. As acelerações são super espertas e, conforme a velocidade aumenta, a empolgação segue a mesma toada.

Ao contrário do Sandero GT Line, o Polo GTS não tem câmbio manual - o que é uma pena. No entanto, a transmissão automática de seis velocidades não compromete tanto assim a dinâmica do hatch. As primeiras relações são curtinhas e as trocas são rápidas e suaves. De acordo com a fabricante, o 0 a 100 km/h é feito pelo "rapaz" em 8,4 segundos.

Parece, aliás, que o habitat natural do Polo GTS é mesmo uma boa estrada. Nela, o motor trabalha com sobra de potência e é só pisar que o carro responde prontamente. O repórter encarou 1.216 km de rodovias com o hatchback da Volkswagen e não passou um perrengue sequer.

No modo de condução Sport, acionado por meio de tecla, o motor passa a trabalhar mais cheio. Além disso, o atuador sonoro, que amplifica o barulho do propulsor na cabine, deixa as coisas ainda mais divertidas. A direção fica um pouco mais firme e direta. Pecado é o volante, que não tem pega tão boa para um veículo com pretensões esportivas.

Visual

Design, claro, é subjetivo, mas tenho de frisar que curto esse look do Sandero GT Line. Na traseira, a versão tem lanternas com máscara negra e aerofólio que, embora seja bacaninha, não dá ao carro nenhuma grande vantagem aerodinâmica.

Os retrovisores têm capas na cor cinza, as maçanetas são da cor da carroceria e, na dianteira, os elementos funcionam com harmonia - com destaque para os faróis de neblina.

As rodas do Sandero GT Line 1.0 são de liga leve de 15''. Se você quiser as rodas de 16'' da unidade testada terá que abrir o bolso. Elas fazem parte de um pacote opcional, que também acrescenta revestimento distinto nos bancos. Eles têm costura azul, logo da Renault Sport nos encostos de cabeça e detalhes que imitam fibra de carbono, assim como no R.S.

A versão agrega ainda mais detalhes em azul nas molduras do ar-condicionado que, bom destacar, não é automático. A cor também se faz presente em outras áreas do painel e nas costuras do volante revestido em couro sintético e da manopla do câmbio.

O Polo GTS também tem sua dose de plumas e paetês para evidenciar a faceta esportiva. O para-choque é mais robusto que o restante da linha e tem faróis auxiliares em novo desenho. Filete vermelho liga os faróis de full-LED, com luzes de posição também diferenciadas. A grade frontal preto brilhante traz nichos do tipo colmeia e ostenta a mítica sigla do hatch.

Nas laterais, as capas dos retrovisores são pintadas na cor preto brilhante e as rodas são de aro 17” e calçam pneus 205/50. Na traseira, spoiler no alto da tampa em preto brilhante, para-choque mais encorpado, lanternas de LED com seções diferenciadas e ponteira dupla do escapamento.

No interior, assim como no restante da linha, o acabamento deixa a desejar. Isso, principalmente, se levarmos em consideração o preço que a Volskwagen cobra pela versão. A presença de plástico rígido no Polo GTS incomoda. Isso sem contar as falhas de encaixes nos painéis.

A cabine, pelo menos, tem elementos escurecidos, que exaltam o caráter apimentado da versão. Ademais, os bancos da frente são inteiriços, como reza a cartilha esportiva. Eles têm abas firmes, que seguram bem o corpo do motorista e do carona. Podem, bom frisar, incomodar pessoas que tenham ombros mais largos ou compleição mais, digamos, "cheinha" que o padrão imposto pela sociedade.

O revestimento dos bancos é um misto de couro e tecido. E também trazem linhas horizontais no desenho e a inscrição GTS em relevo. A cor vermelha dá seus toques no interior, e se faz presente nas molduras das saídas de ar, na base da alavanca do câmbio, no volante e nos tapetes. Para fechar, placa com a sigla que nomeia a versão aparece na soleira das portas.

Itens de conforto e segurança

Como a versão GT Line é baseada na intermediária Zen, já vem com travamento central das portas, direção eletro-hidráulica, sensor de estacionamento traseiro e travas elétricas. A coluna de direção e o banco do motorista têm regulagem de altura. O modelo também tem indicador de trocas de marcha e central multimídia com tela de 7'' e conectividade com Android Auto e Apple Carplay.

Além disso, agrega vidros elétricos nas quatro portas. Na versão Zen, o Sandero só tem a comodidade nas portas dianteiras.

Em termos de segurança, o hatch da Renault tem quatro airbags, frontais e laterais, alerta de cinto de segurança do motorista e encostos de cabeça e cintos de três pontos para todos os ocupantes da segunda fileira. Não tem, porém, controle eletrônico de estabilidade e assistente de partida em rampa.

No Polo GTS, destaque para o Active Info Display, quadro de instrumentos configurável. O modelo também é vendido com quatro airbags, controles de estabilidade e tração, assistente à subida em rampas, sensores de estacionamento na frente e atrás com câmera de ré e retrovisor eletrocrômico.

Ar-condicionado automático, chave presencial, start/stop do motor, sensores de chuva e crepuscular também estão inclusos. A central multimídia vem com tela de 8”, CD player, conectividade com Android Auto e Apple CarPlay, GPS, Bluetooth e comando de voz.

Conclusão

Lembra do que escrevi lá em cima? Pois então. Se a grana está curta, mas você quer um hatch com "espírito esportivo", o Sandero GT Line é uma boa pedida. Se peca em dinâmica, o modelo da Renault traz elementos visuais interessantes e pacote de itens até que razoável.

Agora, se você tem condições de abrir a carteira e levar para casa um hot hatch de estirpe, o Volkswagen Polo GTS é a compra ideal. Ainda que tenha acabamento que deixa a desejar, o modelo tem desempenho digno de uma boa colherada de pimenta em pó.

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