Quando o assunto é SUV compacto, a disputa é tão acirrada que nem o líder Volkswagen T-Cross consegue respirar aliviado. Afinal, com pouco mais de 11.400 unidades emplacadas no primeiro bimestre de 2026, apenas 2.873 emplacamentos o separam do Chevrolet Tracker, concorrente que fechou os primeiros dois meses do ano na quinta colocação do ranking de SUVs.
Pois resolvemos então colocar frente a frente o T-Cross Comfortline, a versão de melhor custo-benefício do modelo da Volkswagen, com o Tracker Premier, a configuração "de luxo" do Chevrolet. Ambos na faixa dos R$ 180 mil. Qual desses dois modelos oferece mais? Confira a seguir.
O Volkswagen T-Cross Comfortline (R$ 181.990) é a versão intermediária da linha. Combina o motor 1.0 turbo de 128 cv de potência e 20,4 kgfm de torque com um câmbio automático de seis marchas. Em dimensões, é menor que o Tracker: tem 4,21 m de comprimento, 1,76 m de largura, 1,57 m de altura e 2,65 m de entre-eixos.
Revelado na Europa em outubro de 2018, estreou no Brasil em fevereiro de 2019. É produzido na fábrica de São José dos Pinhais (PR) e baseado na plataforma MQB A0, que é compartilhada com os também nacionais Nivus, Tera, Polo e Virtus. Passou por uma leve reestilização em 2024, quando ganhou alterações no visual externo e na cabine, porém mantendo o mesmo conjunto mecânico.
Já o Chevrolet Tracker Premier (R$ 177.990) é uma das configurações mais caras da linha e tem um visual mais voltado para o luxo, enquanto as configurações RS e 100 Anos (R$ 178.990) têm pegada mais esportiva.
Mas todas compartilham o mesmo conjunto mecânico: motor 1.2 turbo de 141 cv de potência e 22,4 kgfm de torque. O câmbio é automático, de seis marchas. Em dimensões, tem 4,27 m de comprimento, 1,79 m de largura, 1,62 m de altura e 2,57 m de entre-eixos.
Em sua terceira geração, o Tracker foi lançado na China em 2019 e estreou no Brasil em março de 2020. Produzido em São Caetano do Sul (SP), é baseado na plataforma GEM, usada aqui no Brasil também nos modelos Onix, Onix Plus e Montana. Passou por uma reestilização no segundo semestre de 2025, com mudanças no exterior e um novo painel.
Ambos são SUVs compactos com bom espaço para os passageiros. O Tracker é mais largo e tem mais espaço para as cabeças, mas o T-Cross leva a melhor no espaço disponível para as pernas no banco traseiro. Por outro lado, a área disponível para as bagagens é ligeiramente maior no Chevrolet: 393 litros, ante os 373 litros do porta-malas do Volkswagen.
Já em ergonomia, ponto para o T-Cross: no Tracker, com o quadro de instrumentos digital (oito polegadas) e a multimídia de tela grande (11 polegadas) formando um conjunto integrado - uma das novidades da linha 2026 -, o ambiente ficou menos arejado que no arranjo original. Alguns comandos ficaram tão próximos do motorista que o volante chega a encobrir parte dos atalhos da multimídia.
Enquanto isso, no T-Cross, mesmo com o painel alto, a impressão é de uma cabine menos claustrofóbica para o motorista. A multimídia (10,1 polegadas) não forma um conjunto único com o cluster (10,25 polegadas). Por isso mesmo, fica um pouco mais distante. Mas em posição até mais confortável para acessar os comandos e configurar o veículo.
E vale falar também das opções de configuração oferecidas para o quadro de instrumentos do SUV da Volkswagen. Enquanto no Tracker - obrigatoriamente - eu preciso passar pela multimídia para alterar as informações de condução exibidas na tela, no T-Cross eu consigo fazer isso de maneira bem mais fácil, usando apenas os botões do volante multifuncional.
No acabamento, os dois modelos se equivalem. Com plásticos rígidos em boa parte das superfícies e pequenos apliques de materiais mais sofisticados no painel e laterais de porta, ambos agradam mais pela variação de cores e texturas que pelo refinamento.
Nesse quesito, rolou um empate.
Tanto o T-Cross quanto o Tracker são equipados com itens como chave presencial, seis airbags, ar-condicionado com controle automático de temperatura, carregador de celular por indução, faróis de LED com acionamento automático e bancos de couro.
Por outro lado, só o Tracker tem de série retrovisor interno eletrocrômico e teto solar panorâmico - ambos opcionais no T-Cross - além de sistema de estacionamento automático e sensor de chuva - outro item optativo no Volkswagen. O modelo da GM também tem monitor de pontos cegos, que o rival não tem.
Já a relação de equipamentos que o T-Cross tem a mais em relação ao SUV da Chevrolet inclui saídas de ventilação no banco traseiro, o controlador adaptativo de velocidade - convencional no Tracker - e a frenagem automática de emergência. No Tracker, é só uma alerta luminoso de risco de colisão. Sem interferência no sistema de freio.
Considerando que boa parte dos SUVs nessa faixa de preço tem frenagem automática - e que este é um item importante de segurança -, em equipamentos o ponto vai para o T-Cross.
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No Tracker, a central multimídia é a MyLink Nova Geração. Tem tela de 11 polegadas de alta resolução e capacidade de espelhamento do smartphone sem o uso de cabos, via Android Auto e Apple CarPlay. Permite controlar o ar-condicionado, mas não tem tantos recursos - e, por isso mesmo, é fácil de usar e tem funcionamento bem estável e rápido.
O grande diferencial desse equipamentos é a função hotspot wi-fi, que permite compartilhar a conexão de internet com até sete dispositivos simultaneamente. Mas, para isso, é preciso ter uma assinatura ativa do OnStar. E são três os pacotes disponíveis: Connect (R$ 104,90), Protect (R$ 124,90) - que adiciona rastreamento veicular -, e Protect & Connect (R$ 149,90).
No T-Cross, a multimidia é a VW Play Connect. Tem tela de 10,1 polegadas de alta resolução e também espelha o smartphone sem o uso de cabos, via Android Auto e Apple CarPlay.
A VW Play Connect não tem a função hotspot wi-fi, mas é possível ativar uma conexão dedicada com a internet nos planos de assinatura Pro (R$ 24,90) e Club (R$ 59,90). O diferencial desse equipamento em relação ao usado no Tracker é a possibilidade de instalar novos aplicativos diretamente na multimídia.
É uma multimídia menos intuitiva e menos ligeira que a MyLink. E eu tive alguns problemas de queda de conexão entre o celular e a multimidia. Por outro lado, em recursos e funcionalidade dá um banho no equipamento do SUV da Chevrolet.
Como aqui o que conta é a experiência de uso, ponto para a VW Play Connect. Quer dizer, para o T-Cross.
Equipado com um motor 13 cv mais potente, a expectativa era de que o Tracker oferecesse um desempenho claramente superior ao do T-Cross. Mas não é exatamente isso o que acontece.
Os dois carros andam bem para um SUV compacto. O Tracker tem um acelerador mais sensível e, por isso mesmo, leva a melhor em relação ao T-Cross na saída. E, no uso urbano, o Chevrolet é até mais agradável. Por outro lado, com o carro embalado e na estrada, as coisas meio que se equiparam entre os dois modelos.
Tanto que o T-Cross acelera de zero a 100 km/h em 10 segundos, enquanto o Tracker atinge os 100 km/h a partir da imobilidade em 10,6 segundos.
No consumo de combustível, o T-Cross também leva a melhor sobre o modelo da Chevrolet. Com gasolina, registra médias de 14,5 km/l (estrada) e 12,1 km/l (estrada). O Tracker tem consumo médio de 13,7 km/l (estrada) e 11, km/l (cidade).
Embora ambos andem parecido em linha reta, o T-Cross compensa isso quando começam as primeiras curvas. O SUV da Volkswagen é mais na mão, com direção mais pesada e precisa, e suspensão mais firme. Já o Tracker é claramente um automóvel que não chega a ser molenga como outros SUVs à venda por aqui, mas, na comparação com o adversário, é claramente mais confortável.
Mas como eu prefiro carros mais afiados que confortáveis, então o ponto vai para o T-Cross.
Mas quais serão os custos para manter o T-Cross e o Tracker? Para ter uma ideia disso, fui atrás dos valores das revisões até os 50.000 quilômetros.
Para cumprir o plano de manutenção obrigatório do Tracker - que prevê paradas para revisão a cada 10.000 quilômetros ou 12 meses -, o proprietário terá que desembolsar R$ 3.352. No SUV da Chevrolet, a garantia é de cinco anos.
Já a conta das revisões do T-Cross é mais salgada: R$ 4.887,04. Também com paradas a cada 10.000 quilômetros ou 12 meses de uso. No T-Cross, a garantia de fábrica é de três anos.
E o seguro? Bom, aqui as coisas meio que se equiparam. Fiz a simulação lá no Auto Compara é a proteção completa para o Chevrolet oscilou entre R$ 1.463,47 e R$ 5.100,50. No Volkswagen, a cobertura completa sairia por valores entre R$ 1.432,45 e R$ 4.930,90.
Além de ser mais barato de comprar, o Tracker é mais barato de manter.
Pesando os prós e contras, a minha escolha seria realmente o Volkswagen T-Cross.
Apesar do preço inicial mais alto e do custo de manutenção mais elevado, é um automóvel mais bacana de guiar e ainda tem um pacote tecnológico mais recheado que o oferecido no modelo da Chevrolet.
Mas essa é uma escolha pessoal minha. Se você é daqueles que valorizam mais o conforto que a dinâmica, não faz questão de uma multimídia com muitos recursos e vai rodar a maior parte do tempo na cidade, o Tracker consegue ser uma opção muito competente.
Aliás, do jeito que o mercado de SUVs está aquecido, não vão faltar defensores de um. Ou de outro.
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