Agora ou nunca

Terapia comportamental dá empurrão para assumir o volante
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Andréia Jodorovi
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- De pé, na borda da piscina, é hora de saltar pela primeira vez. A profundidade não é rasa nem funda. Ideal. O sol aquece o desejo de pular, mas o frio na barriga faz recuar ante o desconhecido. Qual é seu passo seguinte?

Talvez você feche os olhos, encolha as pernas e ti-bum! sinta o corpo penetrar água adentro. Talvez prefira se sentar na borda e, apoiado nela, escorregar lentamente para dentro. Ou, simplesmente, dê um passo para trás, com medo de que algo ruim aconteça ou se repita, como se afogar, sentir o desconforto da água gelada, água inundando as narinas ou pulo desequilibrado causando dor no contato com a parede líquida.

Se diante da possibilidade de guiar um carro e desbravar seus caminhos e independência você assume a última postura – a de recuar –, a Terapia Comportamental Cognitiva TCC, linha adotada na Clínica Escola Cecília Bellina, talvez seja o empurrão que está faltando para tomar coragem e se desfazer dos “e se” que povoam a imaginação de medo e de fantasias sobre não ser capaz de dirigir. É o que vamos descobrir em nossa IV etapa da série Coragem de Dirigir.

Por que sentimos o que sentimos?

Para entender em que pé estou eu diante de meu medo de guiar, ou que padrões de pensamento e comportamento estão emaranhando meu destino sobre rodas, passei por uma entrevista com a psicóloga Fabiana Saghi. É pré-requisito da escola que todos os alunos passem antes de iniciar o processo.

Foram dezenas de perguntas, algumas relacionadas ao medo de dirigir, outras sobre minha história de vida, passando por uma leve investigação de padrões de minha família. Ali mesmo já começam a cair algumas fichas sobre algumas atitudes.

Mais surpreendente foi me deparar com uma verdade castradora, alertada pela terapeuta: os bloqueios que nos impedem de dirigir também são levados para outras áreas da vida. Passei um tempo meditativa; então há outras, ou outra, áreas emperradas, um potencial não explorado, um campo onde não vou, não caminho, não me atiro? Sim, é bem provável.

Sustentando o medo estão, segundo Saghi, crenças tão enraizadas no pensamento que parecem verdades. “As crenças mais comuns são ‘não nasci para isso’, ‘se não é para fazer direito, melhor não fazer’, ‘não acho certo que mais um carro polua o planeta’ e muitas outras desculpas que as pessoas encontram para se render a limitantes padrões de comportamento”.

Por isso, além das perguntas, a terapeuta adverte: temos defesas que nos impedem de romper os grilhões do medo, de sermos mais livres, mais seguros e, portanto, mais felizes. “Nos momentos mais importantes do processo terapêutico, quando se está próximo de mudar, as defesas aumentam. Aí, as faltas podem ficar mais freqüentes. Há pessoas que se justificam, dizendo que estão com dor de cabeça, mal-estar etc.”.

Outra característica da terapia comportamental é trabalhar diretamente com os sintomas e com o enfrentamento da situação. Isto é, se você estiver à beira da piscina a ênfase maior será ajudá-lo a realizar o pulo, em vez de investigar quando e por que o medo começou.

A próxima etapa agora será iniciar a terapia em grupo, momento em que os participantes dividem principalmente, mas não só, as emoções que acompanham as aulas práticas de volante, também dadas por um terapeuta.

Os participantes dos grupos são muito heterogêneos, mas sei que estamos unidos por um medo e um sonho em comum: atirar-nos ao mar de estradas, do qual, até hoje, só participamos como coadjuvantes passageiros.

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