Carro: o melhor amigo do cão

Saiba por que a maioria dos cachorros adora desbravar territórios sobre quatro rodas
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Adriana Bernardino
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– Por que o cachorro entrou no carro? Porque a porta estava aberta, claro, mas não só por isso. Durante a seção de fotos do Fiesta 2011, fomos surpreendidos por um cão da raça sheep dog. Como quem não queria nada, ele entrou no veículo e pulou direto para o banco do motorista. “Desculpe, mas é que ele adora andar de carro”, explicou-se a proprietária, constrangida, tentando em vão arrastá-lo para fora. A paixão dos cachorros por carros não parece, entretanto, exclusividade de nosso amigo invasor.

“Os cães gostam de participar ativamente da vida dos proprietários. Como o carro faz parte da nossa rotina, eles querem estar junto conosco”, explica a veterinária Priscila Felberg, consultora da Cão Cidadão, empresa especializada em adestramento e comportamento animal. Outro motivo, segundo ela, é o fato de, geralmente, os deslocamentos levarem a lugares interessantes, como os parques.

PEQUENOS PRAZERES

O vento produzido pelo veículo em movimento é um prazer à parte, como se as novidades do mundo entrassem pela janela do carro. “Além refrescar, ele traz consigo odores variados, que ativam o sistema olfativo do animal, estimulando sua curiosidade e desejo por descobrir e conhecer coisas, pessoas e animais novos”, diz a veterinária.

Não é apenas o interior do carro que fascina a maioria dos caninos. Os pneus, por exemplo, são tão desejados quanto os postes. “Além de ser uma necessidade fisiológica, o xixi para um cão é uma maneira de se comunicar. Eles deixam nos pneus mensagens para os cheiros que já rodaram por ali ou que ainda estão por vir. É com se o pneu fosse o Sedex deles, leva para qualquer lugar o recadinho que eles querem passar”.

E hábito que alguns cachorros têm de correr atrás do carro? O que nos parece estranho é, para o cão, um divertimento e tanto. “O movimento do veículo incentiva uma perseguição. Os cães acreditam que ‘colocaram a máquina para correr’, já que, na maioria das vezes, coincide de o carro ir embora no momento em que eles latem e o perseguem. Quando isso acontece, o cão se sente recompensado. O comportamento volta a se repetir e se torna cada vez mais gostoso”, esclarece a veterinária.

PROBLEMA CÃO

Apesar dos prazeres, nem todos os cães se dão bem entre quatro rodas. Alguns têm medo, enjoam e podem ficar agressivos.

Aos medrosos, a veterinária recomenda ao proprietário ter muita paciência e fazer um trabalho de antissensibilização, associando o carro a algo agradável.

O primeiro passo para isso é fazer o reconhecimento do carro ainda desligado, oferecendo brinquedo e guloseimas para o cão se distrair. Segundo passo: ligue o carro e todos os seus componentes som, limpador de para-brisa etc, mas sem colocá-lo em movimento. Dia a dia, aumente o desafio. “Dê uma voltinha pequena com o animal no carro; depois, vá a uma praça; na próxima oportunidade, ande um pouco mais até um parque, e assim por diante”. O problema, segundo Priscila, é que a maioria das pessoas usa o carro para levar o bicho ao veterinário. “Eles acabam associando o veículo a algo doloroso e traumático”.

Outra queixa comum entre motoristas que querem passear com o animal de estimação são os enjoos. O motivo, aponta a veterinária, é o excesso de salivação. A saída pode estar em uma toalhinha. “Ao secar o excesso de saliva, o enjoo tende a diminuir. Outra saída é conversar com um médico veterinário sobre a possibilidade de um remédio para enjoos”.

Menos comum, mas também na lista de possíveis problemas, estão os cães que se tornam agressivos no carro. “Trovões, barulhos intensos de pingos na lataria e o limpador de para-brisa se movimentando sem parar costumam deixá-los ansiosos, temerosos e, às vezes, até agressivos”. Outra situação que pode estimular a agressividade do animal é ele achar que precisa defender o carro como território. “Nesses casos, eles não deixam que ninguém se aproxime do automóvel”.

CUIDADOS

Antes de colocar o cachorro no carro, entretanto, alguns cuidados são indispensáveis para segurança e bem-estar dos passageiros, caninos e humanos. A consultora recomenda o cinto de segurança para cães, alimentar o animal pouco ou nada antes de ele entrar no carro e oferecer água a cada duas horas. O bicho precisa fazer xixi e dar uma caminhada a cada duas ou três horas, no máximo. Leve uma tolha para secar a saliva e, para que se sinta seguro, o brinquedo preferido dele.

Durante a viagem, brinquedos interativos de mastigação são úteis para distraí-los. A veterinária recomenda, entretanto, tentar acalmá-los e fazê-los dormir durante o trajeto. “Treine os comandos ‘fica’, ‘calma’ e ‘espera’ para descer do carro sem correr o risco de ser atropelado”.

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