Chegou a hora de negar o carro à pessoa idosa?

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Adriana Bernardino
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- Na primeira reportagem sobre a terceira idade ao volante, abordamos as doenças típicas da velhice, seus sintomas e riscos ao motorista idoso.

Nesta segunda etapa, o assunto ganha novas direções. Como saber se chegou o momento de proibir a pessoa idosa de dirigir e quais procedimentos para garantir mais segurança não só ao motorista, mas também ao pedestre idoso?

Mestre em gerontologia pela Universidade Estadual de Campinas Unicamp, pesquisadora do Ambulatório de Geriatria e Gerontologia HC/Unicamp e co-autora da obra Exercite Sua Mente, Elisandra Villela Gasparetto Sé esclarece que o primeiro passo para o diagnóstico é analisar a capacitação do idoso para dirigir.

“Devem ser realizadas avaliação comportamental da personalidade e avaliação neuropsicológica para a identificação de déficits cognitivos em idosos. Há instrumentos específicos para o rastreamento de demência e testes de direção em ambiente natural ou em simulação”, diz a especialista.

Embora defenda a importância de o idoso exercitar sua autonomia e independência até o fim da vida, Elisandra diz ser necessário estar ciente das capacidades e dificuldades para dirigir, bem como das responsabilidades e comportamento seguro no trânsito. “A alternativa em caso da não renovação da CNH por deficiência física ou sensorial, ou até mesmo por um impedimento mais grave, é propiciar outro meio de transporte. Às vezes, a proibição pode significar benefícios, na medida em que está impedindo um acidente”.

Os idosos não participam no trânsito apenas como motoristas, mas também como pedestres, ciclistas, motociclistas e passageiros. “É triste constatar que ainda faz parte da realidade de muitos idosos o desrespeito às leis, aos seus direitos, o abuso e os maus tratos também no trânsito. É de suma importância uma mudança de paradigma e de tomada de atitude por parte da sociedade para que respeite esse segmento populacional”, diz a especialista.

Negação da velhice, em números

Elisandra lembra que muitos idosos ainda sofrem com a imagem cultural negativa que a sociedade tem da velhice. O desrespeito às vagas reservadas aos idosos nos estacionamento é exemplo disso. “Infelizmente nossa sociedade ainda é despreparada para respeitar a diversidade, a individualidade, as características e necessidades da pessoa idosa, e ver o envelhecimento numa perspectiva de desenvolvimento, parte de toda uma vida. Todos iremos envelhecer”, lembra.

O descaso se reflete nos números. Estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz sobre a mortalidade por causas externas em idosos no Brasil, revela que 29,6% das ocorrências são em acidentes de trânsito/transportes. As quedas em calçadas e travessias de ruas e vias respondem por 16,6%. “É necessária a implantação da acessibilidade para os idosos no trânsito, preparando as cidades para o perfil da população que envelhece. Em todo o mundo, o contingente de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos tem crescido rapidamente e estima-se que esse cenário irá aumentar”.

Para a pesquisadora, ainda não há a valorização do idoso como consumidor. “O espaço para o idoso no mercado de consumo está mais vinculado à saúde física e ao bem-estar como atividades de lazer e raramente ao acesso de bens mais caros. No Brasil, o grupo de pessoas de meia idade de 40 a 50 anos é o que tem, provavelmente, a maior disponibilidade de renda, e é sem dúvida o grupo mais produtor, consumidor e divulgador de produtos”.

Evitando acidentes

Para garantir mais segurança no trânsito ao idoso e seus familiares, Elisandra dá as seguintes orientações:

Para ter segurança no trânsito em qualquer fase da vida, é preciso seguir as normas, as leis de trânsito, respeitar os demais e dirigir com cuidado e responsabilidade.

Providenciar os cuidados com a saúde física e os cuidados mecânicos do veículo.

Pensar em estratégias que podem ser usadas nos casos de viagens: planejar o trajeto, pesquisar o melhor caminho, saber onde fazer as paradas. É aconselhável que pessoas idosas interrompam a viagem a cada 150 km.

As campanhas educativas também podem ajudar com informações, esclarecimento, conscientização e mudanças de atitudes no trânsito, além de orientação a trabalhadores de transportes públicos para que respeitem os direitos dos usuários idosos e dê a atenção devida que eles precisam.

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