Chevette, o pequeno notável da Chevrolet

Modelo de entrada da marca era um dos mais seguros e econômicos da categoria para a época
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Marcos Camargo
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- Em meio à confusão gerada pela crise do petróleo em 1973, o Brasil sofreu de imediato com a alta do preço dos combustíveis. O efeito da crise foi sentido imediatamente no mercado de veículos novos e usados, quando os carros grandes foram desvalorizados do dia para a noite e os consumidores se voltaram para os modelos mais econômicos e compactos.

Em meio a este cenário, a General Motors apresentou um modelo mais do que adequado para o momento econômico: o Chevette. Além de inovador pela economia e baixa manutenção, era um carro que atendia a todas as expectativas do consumidor, com bom espaço interno, porta malas, desenho limpo, inspirado num carro esportivo, e com vários diferenciais diante dos modelos concorrentes.

O Chevette brigaria de frente com o Corcel, que já era um sucesso, e também com outros modelos compactos, como o Dodge 1800, que chegou no mesmo ano, e também o Brasília, a solução da Volkswagen para diferenciar a sua linha com motor refrigerado a ar. A marca também tinha outros carros compactos, como o TL, para brigar na mesma faixa de preço.

O pequeno Chevette era muito parecido com a quarta geração do Opel Kadett, modelo que era bem aceito no mercado europeu. Por aqui chegou seis meses antes do que na Europa, só que em versão única de três volumes, enquanto por lá era vendido também nas opções fastback, sedã de quatro portas e perua, a Caravan.

O motor era o mesmo do Opel, de 1,4 litro e 68 cv, que levava o carro a até 145 km/h. Entre as inovações mecânicas, o Chevette tinha comando de válvulas no cabeçote, acionado por correia dentada, primeiro automóvel nacional a oferecer esta solução.

Na parte de segurança, o pequeno Chevrolet trazia o tanque de 45 l localizado atrás do banco do passageiro, o que oferecia maior segurança em caso de colisões e menor risco de explosão. A barra de direção era deformável, para o caso de colisões dianteiras, outro diferencial. Ainda trazia pisca-alerta e duplo circuito de freios. O carro ficou famoso também pela tração traseira e pela facilidade de manobrá-lo e esterçá-lo. Como ponto negativo, estavam os pedais e volante deslocados para a esquerda.

Em 1978, o Chevette foi levemente reeestilizado, com nova grade dianteira dividida em duas peças o que deu aparência mais esportiva ao modelo. Em 1980, a exemplo do mercado europeu, o Chevette ganhou a versão hatch e também a perua Marajó.

O novo motor 1,6-litro de 73 cv também tornava o carro mais econômico e eficiente. A versão a álcool também vendeu muito bem e chegou a superar a venda de modelos a gasolina nos anos seguintes, até 1986.

Em 1983, o carro foi novamente modernizado, com linhas mais retas na dianteira e traseira, painel atualizado e mais ergonômico, com inspiração no irmão maior, o Monza. No ano seguinte a linha Chevette ganhou um importante reforço, a picape Chevy 500, que se diferenciava das demais concorrentes pela tração traseira.

Ao longo da sua vida o carro foi produzido também em séries especiais, como as esportivas GP, em alusão ao Grande Prêmio de Fórmula 1, a GP II e SR produzida em parceria com a Souza Ramos, com spoiler traseiro e pintura degradê.

Houve ainda a série especial Ouro Preto, com faixas pretas laterais e pintura dourada. Menos popular foi o Chevette Jeans, com acabamento interno feito em brim azul, com resultados estéticos discutíveis.

Mais adiante, o Chevette ganhou o motor 1.6/S com carburador de corpo duplo e mudanças sutis na motorização, que o tornariam mais leve e portanto, mais eficiente, com 81 cv. Mas o mercado de automóveis corria na mesma direção e, a cada dia, modelos novos batiam de frente com o Chevette, como o Gol, que melhorava a cada ano, o Escort, um modelo médio que fazia as vezes de modelo de entrada e, principalmente, o Uno, que inaugurava um novo tempo para a Fiat.

No início dos anos 1990 o governo definiu parâmetros para o “carro popular” como forma de incentivar a renovação da frota. A GM apresentou o Chevette Junior, com motor 1.0 de 50 cv. Ele tinha um baixo rendimento, um problema, ainda que sua média de consumo fosse boa.

O modelo foi um fracasso o que levou a marca a lançar a série especial Chevette L, com o motor 1.6, em 1993. Mas o Chevette estava com os dias contados e rapidamente daria lugar ao Corsa. Por isso, em novembro de 1993, saiu da linha de montagem o último modelo da linha, que totalizou a marca de 1,6 milhão de unidades fabricadas. Um dos últimos Chevette, que jamais foi licenciado, está no Museu da Ulbra, em Canoas/RS.

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