Clássicos de Competição homenageia antigos

Evento vai até domingo, dia 28, no autódromo de Interlagos
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Gustavo Ruffo
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- Por que um carro se torna objeto de desejo? De início, pela beleza das linhas, mas, com o tempo, pela imagem de confiabilidade e de desempenho que ele transmite. Boa parte dessa imagem é construída nas pistas de corrida. Era assim quando os carros foram inventados e deve continuar a ser por bastante tempo, por mais que as provas automobilísticas não sejam, no Brasil, tão populares quanto o futebol. Isso porque quem não liga para corridas normalmente segue a opinião daqueles que gostam deste mundo e que entendem profundamente de automóveis. É em homenagem a estas pessoas e a estes carros que foi organizado o evento “Clássicos de Competição”. Com a maior frota do Brasil, outra homenageada será a cidade de São Paulo, que faz aniversário exatamente na abertura do evento, dia 25 de janeiro.

O evento, que consiste de uma exposição de veículos de competição nacionais antigos, não poderia acontecer em nenhum lugar que não o Autódromo José Carlos Pace, mais conhecido como Interlagos. Ali, esses modelos míticos poderão ser vistos no chamado “Túnel do Tempo”. Além dessa atração principal, haverá também uma exposição de carros antigos dos anos 1930 a 1970, palestras com pilotos, preparadores e projetistas de carros de corrida, uma prova da categoria Super Classic, só com modelos com mais de 30 anos e duas salas de cinema, com a exibição apenas de filmes sobre automóveis e livre acesso para todos os presentes. Os visitantes também poderão circular pelos boxes do autódromo.

Se isso parece interessante, acalme-se: tem mais. O público poderá participar de uma prova de regularidade ou disputar habilidades em duas pistas de autorama. Única equipe brasileira de Fórmula 1 da história, a Copersucar marcará presença com o desfile de dois de seus carros, o Fittipaldi FD01 e o Fittipaldi FD04, recentemente restaurados. Entre os automóveis mais interessantes do evento, além destes, estão os seguintes:

1 - Ford T Biposto Racing Car 1925 - do velho Ford Bigode, esse carro de corrida conservou apenas o motor, de quatro cilindros, o câmbio, as rodas e parte da carroceria. Quanto menos peso, melhor. O modelo de corrida do Ford T conseguia isso com o uso de alumínio.

2 - Carretera Chevrolet Corvette n.2 1939 - Camillo Christófaro se tornou conhecido pilotando esse bólido, que tinha motor de Corvette e podia chegar a 230 km/h. O motor foi importado para que o carro pudesse participar das Mil Milhas de 1957. Além de Christófaro, ele também teve ao volante o decano de todos os pilotos brasileiros, Chico Landi, e Catharino Andreatta, que deu ao carro seu número tracional, o 2, e o Galgo Branco, símbolo de sua equipe, a Scuderia Galgos Brancos. Hoje ela está no Museu do Automobilismo Brasileiro, em Passo Fundo.

3 - Luminari GT Malzoni 1966 - construído a partir de mecânica DKW-Vemag, com motor de 1 litro e três cilindros, o GT Malzoni foi o carro que deu origem ao Puma. O nome da empresa que o criou, a Lumimari, resultou da junção das iniciais do nome de seus sócios, Luiz Roberto Alves da Costa, Milton Masteguin, Mário César de Camargo Filho e Rino Malzoni, sendo este último o responsável pelo desenho do carro, inspirado no do Ferrari GTO 250. Com um motor pequeno como o 1-litro, a única opção para tornar o GT Malzoni mais competitivo, além de preparar o motorzinho, o que foi feito com competência por Jorge Lettry, foi criar uma carroceria de plástico reforçada com fibra de vidro. Do motor, Lettry conseguiu extrair 100 cv, ou exatos 100cv/l, um aproveitamento que poucos carros atualmente conseguem ter. Com máxima de 180 km/h, o GT Malzoni deu trabalho a muitos bólidos maiores do que ele, vencendo a parada, nas mãos de Norman Casari, Chico Lameirão, Emerson Fittipaldi e outros, uma série de vezes.

4 – Willys Interlagos Berlineta 1966 - versão fechada do Interlagos, o primeiro carro do Brasil a ser feito com carroceria de plástico com fibra de vidro, também fez sucesso em corridas, das quais participava com a equipe da fábrica e sob sua identidade visual, ou seja, com a carroceria amarela, cortada por uma faixa verde. Sua produção era supervisionada por Christian Heins, o Bino, um apaixonado por competições que morreu em 1963, correndo em Le Mans. Equipado com a mecânica do Gordini, também 1-litro, mas com quatro cilindros, em vez dos três do DKW, o carrinho tinha à disposição cerca de 70 cv e chegava a 175 km/h, igualmente devido a seu baixo peso.

5 - Alfa Romeo GTA 1966 - importado em 1966 por Piero Gancia, até hoje o representante oficial da Ferrari no Brasil e o primeiro campeão brasileiro de automobilismo, o GTA tinha carroceria de alumínio e motor 1,6-litro. A máxima do carro ficava em 195 km/h e ele foi pilotado pelo próprio Gancia, além de Chico Lameirão, José Carlos Pace e os irmão Alcides e Abílio Diniz.

6 – VW Karmann-Ghia Porsche Dacon 1966 - o visionário Paulo Goulart, dono da concessionária Dacon e criador de veículos como o 828 e o Nick, também pode ser responsabilizado pelo Karmann-Ghia com motores Porsche, 1,6-litro e 2-litros. Sua velocidade ficava acima dos 190 km/h. A carroceria parece ser de Karmann-Ghia, mas é apenas uma bolha de plástico reforçado com fibra de vidro. Este carro ficou desaparecido por anos e foi localizado recentemente, tendo sofrido reforma completa e voltado aos bons tempos, como quando venceu, com Wilson Fittipaldi e Ludovino Perez, os Mil Quilômetros da Guanabara.

7 - Carretera DKW anos 60 - outro carro que parece original, mas cuja carroceria de plástico era tão fina que deixava que a luz a atravessasse.Tudo em benefício de um peso baixo, necessário para que o carrinho, com motor 1,1 litro e 100 cv, também preparado por Jorge Lettry, pudesse competir com feras como a Carretera Corvette de Camillo Christófaro, bem mais potentes e pesadas!. A máxima da Carretera DKW era de 175 km/h.

8 - Aldee Street Racing n.1 1989 - criado por Almir Donato, piloto de motos que passou a fabricá-las e, em seguida, se aventurou no mundo dos carros, o Aldee GT 1.8 Street foi um carro fora-de-série que fez sucesso e hoje, raríssimo, ganha valor também pela veia esportiva. O carro foi para as pistas depois que Donato, após vender os 15 primeiros GT, resolveu ficar com o 16º e competir com ele. Feliz com os resultados, ele fabricou uma versão com chassi tubular e carroceria mais leve. A mecânica era Volkswagen.

9 - Allard Model J2 1952 - a história deste modelo foi recentemente contada pelo WebMotors se você ainda não a leu, acesse-a aqui, mas a dessa unidade, em específico, também merecia uma reportagem exclusiva. Ele é um dos poucos que continuaram no Brasil depois de ter competido no país, no Circuito da Gávea, em 1952. Todos os demais voltavam a seus países de origem. Isso o torna, mais do que raro, um modelo precioso, histórica e financeiramente falando. Seu criador, Sydney Allard, aperfeiçoou a fórmula “carro leve e motor potente” equipando o J2 com motor Cadillac V8 5,4 litros. A máxima ficava acima de 200 km/h, um absurdo para os padrões dos anos 1950. Não foi à toa que, na prova de que participou no Brasil, o J2 tenha ficado em segundo lugar. Surpreende é que não tenha sido o primeiro!

10 – VW Fusca Fittilpaldi n.87 1967 - neste carro se nota o lado engenheiro dos irmãos Fittipaldi, que tiraram deste Fusca a ventoinha e a substituíram por duas tomadas de ar externas, o que ampliou a potência do motor, já bem servido, por ter dupla carburação, para 70 cv. A velocidade máxima do Fusca era de 170 km/h, mas ele se notabilizava mesmo era pela resistência, o que lhe deu vantagem em muitas provas de longa duração.

11 - Fórmula Super Vê Polar 1974 - Nelson Piquet correu com esse monoposto com chassi monocoque, motor 1,6-litro de Fusca e câmbio Heyland de cinco marchas, assim como o grande Chico Lameirão. O Super Vê era feito no Rio de Janeiro, por Ronald Rossi e Ricardo Aschar.

12 – Ford Mustang GT Fastback de competição 1967 - com história mais recente, apesar da carroceria antiga, esse Mustang GT foi criado por Paulo Lomba. Equipado com motor V8 289 com cabeçotes Gurney Eagle e carburadores Weber 48 IDA, ele venceu 17 das 23 provas das quais participou, entre elas as Mil Milhas de 1992.

13 – Chevrolet Opala Stock Car 1988 - nascido depois que a GM retirou seu apoio a uma edição antiga da Stock Car, o carro exposto no evento foi pilotado por Ingo Hoffman. Apesar da mecânica Chevrolet, ele teve sua aparência modificada para não ser mais associado aos Opala. Vendido, o veículo foi abandonado por seu novo dono em uma chácara, onde foi localizado em 2001.

14 - Maverick Berta Hollywood 1974 - dos carros expostos, este talvez seja o mais interessante. Premiado em eventos de carros antigos, como o Encontro de Águas de Lindóia, no interior de São Paulo, o Maverick Berta foi preparado na Argentina, pelo famoso engenheiro Oreste Berta, a pedido de Anísio Campos. Ele integrava a equipe Hollywood, que disputava a chamada Divisão 3. Em 1974, o carro venceu os 500 Quilômetros de Interlagos com oito voltas de vantagem sobre o segundo colocado. Era tão superior ao dos competidores que gerou muita polêmica e discussões de regulamento.

Curioso para ver esse legado? O ingresso para cada dia custa R$ 30 para adultos e R$ 15 para estudantes e crianças até 13 anos, mas há a opção de comprar um passaporte que dá direito aos quatro dias de evento de 25/01 a 28/01/07, das 10h às 20h. Há estacionamento no autódromo, a R$ 15 para carros e R$ 5 para motos.

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