Colunista escreve sobre: Os anos de Giulia Super (ano 1967)

Na recente crônica sobre Alfa Romeo na minha vida parei na compra da Giulia Super 1967, achada em uma garagem de São Paulo
  1. Home
  2. Cultura WM1
  3. Colunista escreve sobre: Os anos de Giulia Super (ano 1967)
José Mahar
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

Na recente crônica sobre Alfa Romeo na minha vida parei na compra da Giulia Super 1967, achada em uma garagem de São Paulo. E aqui continua nossa história de amor e, às vezes, ódio....

O carro era bem inteiro, com um pequeno podre na beira da porta traseira direita... claro, toda Alfa vinha nesses tempos com uma garantia de ferrugem: era garantido pela fábrica que o carro iria perder peso ew ficar mais veloz à medida que o óxido de ferrro fosse se soltando e ao pó tornarás.... O resultado nefando dos negócios do líder do Partido Comunista Italiano, Palmiro Togliatti, que era amigo de Gianni Agnelli e participava do Governo Parlamentarista, fazendo lobby para que se importassem chapas russas de aço. Muito puras e com pouca sucata na sua composição, enferrujavam facilmente,,,, Ah, as vestais de esquerda...

Mas saí de Sampa com a Giulia andando bem, 120/140 bons tempos! e viemos bem até a Baixada, onde, claro, o ponteiro de temperatura foi Às alturas e então parei. Deixei esfriar e fui de varas curtas até em casa. Logo depois desmontei o motor inteiro, troquei todas as juntas e limpei as galerias de água, tudo entupido de ferrugem pois o antigo dono usava água de TORNEIRA para o motor, maiale! Não se usa água de torneira em um motor de cilindros de aço e bloco de alumínio, pois a água em contato com os dois metais resulta em corrosão eletrolítica! Senti o tamanho do problema, comprei anéis, juntas e casquilhos originais na Vittori e mandei fazer uma colméia de radiador nova, zero km. Nunca mais ferveu nem esquentou nos seis anos em que a usei diariamente.... muito aditivo Fiat para radiadores e água destilada resolveram o problema crônico...

Nesses anos reembuchei a suspensão dianteira com buchas de Alfa 2300, maiores e feitas para um carro mais pesado e brasileiro, o que resolveu os problemas crônicos de suspensão dianteira das Alfas da Serie 105. Uma pequena guaaribada de eletricidade, uma ignição Bosch de Kombi para substituir o platinado Marelli, que por alguma razão era um enorme exemplar igual ao usado nos Dodge Flathead dos anos 50, vai entender...
Usava o carro como dizia o livro, aquecendo parada por uns cinco minutos e depois mantendo abaixo de dois mil giros por dez km até estar tudo aquecido por igual - aço e alumínio, lembram? - e tivemos anos felizes usando as imensas possibilidades daquela pequena berlina tão aerodinâmica...o coeficiente era de menos de 0,30 e ela alcançava mais de 175 km/h, conforme medição oficial da PRF na BR040. O guarda não entendeu nada quando eu, apesar do “arranjo” ,quis a multa, afinal uma aferição oficial...

Fora isso ela só quebrou uma luva de caixa de cambbio no dia em que encontrei uma velha namorada de adolescência, nessas alturas sem os impedimentos de outrora e a Alfa quebrou na rua...incompatibilidade de gênios... e nunca mais vi a moça, que entrou em um táxi e sumiu...me deixando frustrado com as saborosas possibilidades atuais perdidas... mas sempre amei esse carro, talvez junto com o Omega 3 litros dos melhores que já tive, a opera mestra de Orazio Satta Puliga, o arquiteto do renascimento da Alfa Romeo no pós Guerra.

Rodamos por alguns anos e aceleramos muito, com os giclês dos carburadores Weber arrombados para evitar batidas de pino com a gasolina de baixa octanagem da época até que um dia deu um mau contato na caixa de fusíveis e apliquei idioticamente WD40, o que isolou tudo e o carro parou. Deixei para a semana que vem limpar tudo, a vida complicou, quebrei o braço andando de moto e o carro acabou parado por 20 anos até que o vendi em uma crise... e o vento levou a Giulia.

As opiniões de nossos colunistas não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.

Visite o
Blog do Mahar

José Rezende Mahar jrmahar@gmail.com tem uma longa história de participação no mundo dos motores. Desde 1980 escreve sobre veículos: carros, motos, lanchas, caminhões e ônibus, sejam eles atuais ou clássicos. Editou vários cadernos de automóveis ao longo de sua vida profissional, tais como a Manchete, Gazeta Mercantil, o setor de lanchas da Motor 3, além de colaborar frequentemente no Globo, Jornal Do Brasil, O Dia, Transporte Mundial, Mar, Vela E Motor, Automóveis Antigos e O Radiador, órgão do Veteran Car Club do Rio de Janeiro. Também foi piloto de moto, organizador de competições, chefe de equipe de corridas e mecânico. Em suma, um homem que viveu o encanto da máquina e o feitiço do asfalto em sua totalidade, que sente a emoção dos motores a fundo.

Comentários

Ofertas Relacionadas

logo Webmotors