Conheça uma Chevrolet Marajó automática com 53 mil km

O carro teve vida curta no mercado brasileiro, já que chegou um pouco tarde para brigar em um segmento das peruas pequenas
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Marcos Camargo
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- O Chevette foi um dos grandes sucessos da General Motors no Brasil, entre 1974 e 1993. Para oferecer uma alternativa familiar no segmento dos populares e diversificar a linha de entrada da marca, a GM lançou no Brasil, em 1981, a Marajó.

A pequena perua era derivada do modelo europeu Opel Caravan, assim como o Chevette era derivado do Opel Kadett. A intenção era concorrer com outros modelos compactos e familiares, como a Ford Belina.

A Marajó tinha os mesmos atributos que consagravam o Chevette: desenho limpo, jovial, bom espaço interno, mecânica simples e confiável, econômica e, claro, um porta malas invejável de 469 l. Estava disponível nas versões standard, L, SL, SE e SL/E.

O carro teve vida relativamente curta no mercado brasileiro, já que chegou um pouco tarde para brigar em um segmento que já estava em baixa; as peruas pequenas. Ainda assim, era um carro de ótima dirigibilidade e desempenho para a sua proposta.

A GM deixou de fabricá-la em 1990. Hoje em dia, encontrar uma Marajó em bom estado é tarefa difícil. Se for um modelo com câmbio automático, em perfeito estado de conservação, sem dúvida vai virar uma “mosca branca de olhos azuis”, como dizem os antigomobilistas.

Em busca da Marajó anunciada

Embora o nome nos remeta à paradisíaca ilha de Marajó, no Pará, o paulista Samuel Barros, que encontrou o carro anunciado na internet, foi buscá-lo em Porto Alegre, no sul do Brasil.

Ao encontrar o veículo em perfeito estado, inclusive com os selos originais, colocados na saída da linha de montagem da GM, Barros não teve dúvida: fechou negócio e trouxe sua Marajó desde a capital gaúcha até São Paulo, numa viagem de 1.400 Km. Para curtir sua nova aquisição, fez algumas paradas pelo sul do Brasil para conhecer cidades turísticas e também testar a confiabilidade do motor 1,6-litro, que funciona com vigor de carro novo.

“Saímos de Porto Alegre numa quarta-feira, às 16h30, e fomos pela BR 116 para a cidade de Gramado, onde registrei consumo de 11,8 km/l numa subida de serra em velocidade constante de 100 km/h”, conta.

No dia seguinte, Samuel cruzou o Rio Grande do Sul com paradas em Caxias do Sul e Vacaria, onde alcançou o Estado de Santa Catarina. Durante o dia, almoçou em Lages e passou a noite em Curitiba, já no Paraná.

“Impressionou-me a robustez, a qualidade das retomadas e a velocidade, apesar do câmbio automático”, conta o feliz proprietário.

Por fim, saiu da capital paranaense bem cedo e chegou a SP às 12h45. “Em média, o carro fez 11 km/l na estrada sem qualquer anormalidade no funcionamento do motor, que não baixou água nem tampouco apresentou ferrugem no líquido de arrefecimento”, diz Barros.

Apenas 53 mil km originais

Para um carro fabricado há 23 anos, a Marajó de Samuel Barros, mostrada com exclusividade no WebMotors, marca 53 mil km originais, praticamente um automóvel novo.

A Marajó SE, equipada com motor 1,6 litro de 73 cv, tem caixa de transmissão de três marchas. O carro, que era considerado top de linha, tem acabamento diferenciado, rodas de liga-leve de aro 13" e alguns acessórios de época, como o tampão do porta malas, um toca-fitas “auto reverse” Motoradio Águia e alto-falantes Selenium. O rádio e os alto-falantes resultam num som puro e limpo, como o de qualquer equipamento novo.

O modelo SE foi fabricado no final de 1986, porém licenciado no início de 1987 e marca 55 mil km no painel. Os pneus Pirelli P77 fabricados na terceira semana de 1987 ainda eram os originais e só foram substituídos devido ao ressecamento. O estepe também é original, e fica em pé, no lado direito do porta-malas do carro, na mesma posição que no modelo sedã.

As lanternas, faróis e luzes externas e internas são as originais da marca Cibié, bem como os forros de porta e os frisos do carro, tão bem aplicados e íntegros como se fossem novos.

A Marajó foi descontinuada definitivamente em 1990 e a GM só voltaria a apostar em peruas de pequeno porte no final da década, com a Corsa Wagon.

A linha Chevette perdeu força nos anos seguintes. O sedã foi descontinuado em 1993, após 1,6 milhão de unidades fabricadas, para dar lugar ao moderno projeto do Corsa. A sobrevivente picape Chevy teria o fim da produção decretado em 1995. Mesmo assim, sua robustez e economia, comuns a toda a linha, serão qualidades sempre lembradas por todos os fãs da marca Chevrolet no Brasil.

DERRAPAMOS: o câmbio automático da Marajó, ao contrário do que informamos, é de três marchas, e não de quatro. O texto já foi devidamente corrigido


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