Coragem de dirigir: o desafio

Convidamos internauta a enfrentar seu pesadelo: o carro
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Andréia Jodorovi
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Olá. Meu nome é Andréia Jodorovi, sou professora, tenho 36 anos de vida e 18 anos de um conflito interno intocável por mim até o mês passado: medo de dirigir.

Sei que, como eu, milhares de pessoas em todo o mundo sofrem do medo de dirigir, mas poucas o assumem publicamente e, menos ainda, para si mesmas.

Diante da negação, o pânico de enfrentar o volante veste os mais diversos disfarces: não gosto de carro, acho o trânsito caótico, não vou colaborar com mais um carro na rua, não tenho paciência de dirigir, serei agressivo com outros motoristas, entre outras ficções.

Mês passado, como adiantei, a sensação de poder passar a vida toda sem dirigir foi brutalmente modificada. Meu cão labrador, Shiva, companheiro de longa jornada, foi atropelado na calçada por um adolescente visivelmente embriagado.

Tomei-o no colo, aflito e ensangüentado. Nenhum táxi parou para nós. Eu gritava, pedia ajuda também aos motoristas comuns, ninguém parou. Meu labrador morreu em meus braços, seu choro ainda me acorda à noite.

Se eu soubesse dirigir... Tenho carro. Foi herança de meu falecido pai, uma Grand Caravan. Está na garagem enferrujando. Na época, não entendi por que justo o carro tinha ficado comigo. Agora todos os sentidos se revelam, inclusive o de que participo do trânsito mesmo sem dirigir.

Não é só a possibilidade de ter, talvez, salvado a vida do Shiva que me tortura, mas as alegrias que ele poderia ter vivo. Isso de cachorro colocar a cara ao vento e sentir todos os cheiros ele nunca soube o que é.

Em meio a essa crise, coincidiu de chegar a mim um depoimento publicado no site WebMotors sobre as razões implícitas do medo de dirigir de uma vendedora. Teria eu, como ela, sofrido algum tipo de abuso no carro e escondido por todo esse tempo? Se não isso, que outro fato pode ter desencadeado meu medo?

Escrevi ao site WebMotors. Expressei meus parabéns à matéria corajosa e acrescentei os questionamentos acima. Para minha surpresa, recebi uma proposta inusitada: tirar minha carteira de motorista em uma auto-escola especializada para pessoas que, como eu, sofrem desse medo. Eu aceitei. Pelo Shiva. Por mim. Pela vida inexplorada e adormecida.

Farei todo processo na Clínica Escola Cecília Bellina. Conseguirei? Semana que vem, tenho minha primeira entrevista com ela, Cecília. Ao telefone, pareceu-me uma pessoa embora com nome de carro bem simpática.

Meu compromisso com você é contar tudo, minha luta interna e paciência com toda burocracia para iniciar o processo. Para semana que vem tenho também de fazer o teste psicotécnico. E trinta horas de teoria. Trinta horas? Onde vou arrumar tempo? Não vou conseguir. Opa, acho que já estou me sabotando. Vou arrumar tempo. E espero você. Até lá!

Escreva, participe!
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