De carona com bike repórter

Como Juliano Ceglia enfrenta o trânsito? Vamos de X-Terra pra descobrir
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Adriana Bernardino
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- Depois do Nissan X-Terra, só um Hummer para dar conta do modo de vida de Juliano Ceglia. Ele é jornalista, ator, modelo, fotógrafo e pioneiro de um tipo de jornalismo hoje comum na mídia: o bike repórter.

Aos 30 anos, Ceglia já passou pelo SBT foi bike repórter do extinto programa Charme, apresentado por Adriane Galisteu, Rádio e TV Bandeirantes, Rede TV, Rede Record, ESPN Brasil, jornais Folha, Estado e Diário de São Paulo.

As próximas aventuras e descobertas de jornalista em cima da magrela poderão ser confiradas no Play TV. Há muitos cantos e recônditos a serem explorados pelo olhar insaciável do jovem.

Vou de bike

Como geralmente acontece com quem se locomove de bike, Ceglia é mais um estressado ao volante. Controla-se para não repetir cenas de bate-bocas comuns em sua juventude. Não há música, mantra ou respiração que o acalme. Diz que, quando tiver muito dinheiro, terá um motorista particular. Não agüenta mais dirigir.

Há, no porta-trecos, uma imagem já gasta da Virgem Maria e um terço italiano que o guiam e protegem principalmente de si mesmo nos apuros da caminhada.

Embora só opte por sair de carro quando realmente necessário, andar de bike pelas ruas de São Paulo, entretanto, não é padecer no paraíso.

“Não recomendo às pessoas que, de uma hora para outra, saiam pedalando pelas avenidas. É muito perigoso. A Lei diz que o ciclista deve pedalar no canto direito e que todo motorista deve passar a 1,5 metro de distância dele, mas ninguém respeita. A Lei diz também que toda nova avenida deve ter ciclovia, mas... não continua, mas faz cara de descrença. Muitos vêm para cima, buzinam, é muito estressante”, desabafa.

Nariz de palhaço

O celular toca o tempo todo. Compromissos. Última notícia: o dog alemão do jornalista havia mordido um porco-espinho. Como o dono, o cachorro não se contenta com a rotina bucólica da bela chácara onde vive. Busca, caça, fareja o mistério.

Ceglia liga o ar-condicionado. Desliga. Abre a janela, fecha. Põe um nariz de palhaço, “indispensável para usar, por exemplo, em restaurantes que cobram valor absurdo”. Põe os óculos, tira. Põe novamente. Mostra o câmbio. Aponta para a temperatura no painel digital.

Estranho: em meio a tanta agitação, ele comenta que uma das entrevistas mais marcantes que fez na vida foi com a monja Coen o que ela revelará sobre ele que ele mesmo ainda não sabe?.


Vida 4x4

O multitarefa conseguiu casar a atividade profissional e sua grande paixão pelo esporte, que não se limita a andar de bicicleta ele tem 12, aliás, uma delas de fibra de carbono, algo como um Ferrari sobre duas rodas, custa em torno de R$ 16 mil.

Boxe, corrida, kite surfe e natação também são práticas regulares na vida do rapaz. “Esse carro é perfeito para mim”. Todo espaço interno é ocupado por equipamentos de uso diário: bike, roupas, mochilas, ferramentas, suplementos, barra de cereais que ele distribui no farol, agenda; é quase uma quitinete.

É. Ceglia conseguiu casar muita coisa. Só não casou tanta atividade a um relacionamento duradouro. “Casar ou comprar uma bicicleta? Escolhi ser bike repórter. Fui noivo por seis anos, mas não consegui conciliar a relação com os compromissos e acho improvável que consiga futuramente”.

Olhando bem, o motorista se parece com a escritora Clarice Lispector. Talvez o olhar. Aproveitando a semelhança, reproduzo uma pergunta que ela sempre fazia a seus entrevistados: “qual a coisa mais importante do mundo?”.

A coisa mais importante do mundo

Primeiro: assistir à vida do acostamento está fora de cogitação. “Eu trago isso em mim, esse desejo de novidade. Não agüento fazer a mesma coisa por muito tempo, estacionar em situações seguras. Se todo mundo está na faixa da esquerda, quero ir para a da direita”.

Com esses deslocamentos pelas estradas de sua vida, entretanto, o motorista não espera viver sem eira nem beira. Ele sabe bem aonde quer chegar e já recusou propostas tentadoras, mas que ameaçavam tirá-lo da rota idealizada.

“Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz. Coragem, coragem, eu sei que você pode mais!”. A música de Raul Seixas não é trilha sonora no carro do jornalista – há samba, mais samba e eletrônico numa disqueteira para seis CDs – mas traduz bem o espírito de Ceglia. Para não se esquecer dela, a coragem, ele a tem tatuada no braço.

Com ela, enfrentou contrariado o desejo do pai. “Ele me colocou para trabalhar aos 13 anos. Eu não gostava”. Quando começava a compreender e respeitar a sabedoria daquele que o despertara para a própria força e potencial, o pai se foi.

A gente é para o que nasce. Ceglia acredita que nasceu para ter coragem. Ele vai. Pontual sempre. O carro, amarelo como sol, revela o vulcão que queima o óbvio por onde passa. O que nasce no lugar? É preciso crer para ver.


Juliano Ceglia - e-mal: bikereporter@terra.com.br

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