De Carona Com Leo Maia

Filho do Tim mostra o tom de sua música, paixões e direções
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Adriana Bernardino
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- Quem nunca sentiu gratidão pelo simples fato de existir terá dificuldades de entender a candura e o espírito guerreiro do músico carioca Leo Maia, herdeiro do síndico mais famoso do Brasil, Tim Maia.

Ele chega animado ao nosso encontro e leva alguns minutos para entender a proposta da entrevista: não é estática, não é rádio, não é TV nem jornal, vamos rodar pela cidade de carro. “Hein? Vocês estão chapados? Tudo bem, nada contra, tem gente que trabalha bem assim”, o músico ri e saca o violão para fazermos algumas fotos antes de seguir em frente. Em pleno hall de seu prédio, ganhamos uma amostra do talento que marcará o show de lançamento de seu segundo CD, Cidadão do Bem LGK Music.

Em seguida, vamos à garagem. É hora de pegar carona em seu Corsa sedan, do bairro Paraíso ao Parque Ibirapuera. Dentro do carro, chama atenção a ausência do rádio. “Depois do último roubo, decidi não colocar outro”, conta Leo. “Não me faz falta, vivo 24 horas ligado em música, um pouco de silêncio é necessário”.

Investir em carro, aliás, é uma despreocupação para o artista. “Troco qualquer parada por um amplificador Vox, do tipo que os Beatles tinham”. Viagens pelo mundo, principalmente para surfar, são outra opção que vem antes de comprar um veículo caro. “Não dou a mínima para isso. Chegou a hora de darmos mais valor ao ser do que ao ter”, acredita.

Ex-estudante do curso de Direito, a pedido do pai Leo desistiu no último ano, o mesmo da morte de Tim, o cantor fala tanto de suas realizações quanto da preocupação com os que vivem na pobreza. Ele sentiu na pele o que isso significa. “Meu pai foi entregador de marmitas. Não esqueço minhas origens. Como eu, gostaria que outras crianças e jovens carentes tivessem a oportunidade de entrar em contato com a música. É uma opção transformadora”.

Contornamos o Ibirapuera. Ele vê um senhor que alugou bicicletas no parque por 25 anos e, recentemente, foi probibido de continuar devido a uma lei do prefeito Gilberto Kassab. Leo se revolta. “Onde já se viu?” O pensamento corre para a cota de negros nas universidades. “Sou a favor, afinal é uma forma de retribuir os filhos dos filhos, dos filhos, dos filhos dos negros que deram a vida para construir muitas das coisas belas deste país”.

Sem medo de ser filho de peixe

A música e a alegria marcaram a chegada de Leo Maia ao mundo. Contam que o Hospital de Botafogo tremeu com a festa que Tim Maia, Cassiano e Paulinho Guitarra fizeram para comemorar seu nascimento.

Se alguns artistas temem viver sob a projeção de pais famosos, Leo não sente peso nem conflito em ser filho de quem é; ao contrário: “claro que vou ter alguma coisa do meu pai, aprendi a tocar com ele. Todos nós levamos algo do jeitão da família, é nossa referência”. E lembra o fator necessário para aprimorarmos o talento pessoal: “me preocupo muito com a qualidade de minha música, peço apenas que me dêem o tempo que preciso para me aprimorar e amadurecer”.

Nos shows, o artista homenageia Tim Maia, mas apresenta o novo, resultado do encontro do próprio estilo. Ele, que pegou um violão pela primeira aos 7 anos, toca profissionalmente desde os 14 e passou por todos os estilos, diz apostar na pluralidade. “Gosto de muitos estilos e busco criar algo original para essa geração”.

Com o pai, além da música, o cantor aprendeu a valorizar pessoas e conquistas. “Às vezes, eu pedia um dinheirinho para sair. Ele respondia: “ih, vai ser difícil... lave aquele carro ali pra mim, depois a gente conversa’. Nunca veio nada de graça”.

A religiosidade era outro ponto forte na família. “Eu pedia a benção a ele até os 17 anos. Ele podia parecer doidão fora, mas dentro de casa era um pai muito rigoroso” conta Leo, que é devoto fervoroso de São Jorge.

Paramos no Parque Ibirapuera para uma foto. É bonito lá. Mas um marronzinho da CET avisa: “não pode”. “Nem cinco minutos para uma sessão de fotos?” Não é não. Fazemos uma e corremos para o carro de novo, de volta para casa.

Bom combate

Justiça, reparação, reconstrução. Leo deseja fazer a sua parte para melhorar o país e humanizar as relações entre as pessoas. “Estou pensando em meu próximo trabalho, será algo para os jovens. Eles têm o ímpeto, a força do guerreiro, só precisam direcioná-la para a guerra certa: reconstruir o Brasil.”

Leo aposta também no mar, na cultura popular, na cura pela arte, no amor. Mas avisa: “quando o amor encontra a crueldade é um choque tremendo,” ele diz e repete com tanta tristeza no olhar que parece, ali mesmo, recordar-se de dores profundas. A morte do irmão, talvez, assassinado na praia do Rio de Janeiro, durante um assalto.

Repertório

O próximo show é focado em Cidadão do Bem, mas traz também as canções de seu primeiro disco, Cavalo de Jorge, como “História de Amor”, balada que integra a trilha sonora de Malhação, da TV Globo, “Sou Plebe”, quase uma autobiografia e a faixa título do álbum. No palco, a banda Cavalo de Jorge, formada por Bira Marques teclado, Cássio Calazans guitarra, Marcelo Churilo percussão e Daniel bateria, acompanha o cantor.

Na voz de Leo, tem Leo, Tim e Raul, um trio de desconstruções e explosões. Tem black music. Tem também a participação de Nasi Ira! e Wilson Simoninha. Um encontro que vai dar muito soul e rock´n roll.

Cidadão do Bem
Quando: sábado, 19 de abril.
Onde: Citybank Hall – São Paulo.

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