De olhos bem abertos

Cuidar da visão permite guiar na velhice e evitar acidentes
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Adriana Bernardino
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- Os acidentes de trânsito, segunda maior causa de morte violenta no país, são causados por falha humana. Para o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, perito em medicina do trânsito e membro da Abramet Associação Brasileira de Medicina do Tráfego, “o alto índice pode ter correlação com problemas de visão. A última estatística da Abiótica Associação Brasileira de Indústrias e Equipamentos Ópticos aponta que foram vendidos 31,2 milhões de óculos de prescrição no país e a estimativa é de que metade da população necessita de correção visual”, alerta.

O especialista diz ser imprescindível que condutores com distúrbios na capacidade e campo visual passem por exames oftalmológicos periódicos para garantir a segurança no trânsito. “Os problemas mais comuns que podem afetar os motoristas são miopia dificuldade de enxergar de longe, astigmatismo visão desfocada para perto e longe e hipermetropia dificuldade de enxergar de perto. Eles reduzem a visão de profundidade, rapidez de leitura, capacidade de adaptação em diferentes níveis de iluminação, percepção de profundidade, cores e contraste”, diz Queiroz Neto.

A catarata também representa um risco, principalmente aos condutores acima de 60 anos. “Decorrente, em geral, do envelhecimento ocular, a catarata acomete mais da metade das pessoas com mais de 60 anos. Na fase inicial, os sintomas incluem uma maior facilidade para enxergar de perto – fazendo com que a pessoa aproxime da vista tudo o que precisa ver em detalhes – progredindo para uma maior sensibilidade à luz e, principalmente, aos reflexos e brilhos à noite.

O glaucoma é outra doença que merece cuidado. “Embora as causas sejam desconhecidas, pessoas que tem mais de 45 anos, familiares com a doença e descendentes de negros formam grupos de risco. No Brasil, estima-se que 900 mil pessoas têm glaucoma e 40% dos portadores chegam à primeira consulta apresentando cegueira em um dos olhos. O nosso campo visual é de 160 graus. Uma perda de 25% deste campo ainda permite dirigir com segurança”, explica o oftalmologista.

O especialista lembra que os cuidados com a visão podem ser a garantia de independência no futuro. “O aumento da expectativa de vida da população brasileira já é realidade: atingimos a idade média de 71,6 anos, conforme dados do IBGE, que já projeta para 2050 uma expectativa de 81,3 anos. Uma parcela considerável dessa população se mantém social e profissionalmente ativa e dependem do automóvel para se locomover”.

De olho no futuro

No Brasil, comenta Queiroz, a maioria das pessoas só faz exame de vista quando vai renovar a carteira de habilitação, que prevê um período de cinco anos, tempo em que podem ocorrer grandes mudanças nos olhos.

Segundo o especialista, “os óculos escuros apreciados por muitos motoristas diminuem a capacidade visual e a percepção de contraste. Por isso, durante o dia as melhores lentes são as fotossensíveis, que escurecem de acordo com a intensidade de luz, protegendo os olhos da radiação ultravioleta, importante causa da catarata e degeneração da retina. Só recomendo o uso de óculos escuros para quem tem boa visão funcional e para portadores de fotofobia aversão à claridade”.

Para míopes que têm maior dificuldade de adaptação ao crepúsculo o médico diz que “a solução é utilizar lentes de grau na cor âmbar, que melhoram a visão de contraste. Já fiz teste no consultório com diversos pacientes colocando uma lente âmbar na frente dos óculos de grau e a visão de contraste melhora”, afirma.

Quem dirige à noite deve optar por lentes amarelas que reduzem o ofuscamento causado por faróis. “O ofuscamento e a dificuldade de enxergar à noite também podem sinalizar início de catarata. A doença reduz em 4 vezes a visão noturna, comenta. Estudos mostram que a nova tecnologia reduz o risco de acidentes de trânsito em 50%”, conclui Queiroz Neto.


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