Designer francês recria Citroën 2CV em seus 60 anos

Apresentado ao público em 7 de outubro de 1948, modelo que primava pela simplicidade e robustez pode voltar à ativa
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Gustavo Ruffo
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- Recriar um ícone nunca é tarefa fácil. Ainda que se cogite que a Citroën deve lançar em breve um novo modelo do 2CV, isso não impede que desenhistas talentosos do mundo todo se arrisquem ao exercício de dar nova vida a este mito da mobilidade. Nada mais natural do que alguém da própria França se dedicar a esse exercício, caso do designer David Portela, que imaginou uma nova encarnação do carrinho que motorizou seu país nas imagens que ilustram essa reportagem.

Como o nome denuncia, Portela é filho de portugueses e fala bem o idioma, que ele usou para conversar com o WebMotors sobre sua criação. “Meu trabalho é unicamente estilístico, de design. Não me preocupei com dados mecânicos, mas podemos dizer que ele teria mais ou menos 4,20 m de comprimento. A motorização poderia ser híbrida ou flex, econômica, com um impacto minorado sobre o ambiente”, disse o designer.

A inspiração para o modelo veio principalmente do 2CV de 1948, mas não só. “As formas que usei são bastante simples, quase geométricas, por certo inspiradas no modelo original, mas também pelo universo aeronáutico. O resultado é uma mistura de retro dos anos 1940 e 1950 e de futurismo. A personalidade do 2CV original é exprimida por meio do trapézio da grade dianteira, pelos faróis redondos e pelo volume dos pára-lamas.”

Com um desenho extremo como o proposto por Portela, não seria de duvidar se a Citroën o tivesse procurado para criar um modelo conceitual, por exemplo, mas isso ainda não aconteceu. “A Citroën nunca me contatou, não sei se eles estão a trabalhar em um projeto desses. Depois do VW Cocccinelle nosso Fusca, do novo Mini e do Fiat 500, este bem que poderia ser o próximo...”, disse o designer francês. E nós endossamos! Quem sabe a Citroën não tem uma surpresa para os fãs do carro no Salão de Paris deste ano?

O original

No dia 7 de outubro de 1948, o mundo conheceria, nos salões do Grand Palais, em Paris, um dos maiores ícones automotivos do mundo, o 2CV. Acontecia naquele ano a 35ª edição do Salão de Paris, um dos principais eventos de carros do mundo. A

O projeto do 2CV havia nascido bem antes, em 1936, quando Pierre-Jules Boulanger, o diretor da Citroën, na época, determinou a criação de um novo modelo de entrada, cujo projeto foi batizado de TPV Toute Petite Voiture, ou Veículo Todo Pequeno e confiado à equipe do engenheiro André Lefebvre. Em 1937 o primeiro protótipo operacional começou a rodar e o lançamento do carro, marcado para o Salão de Paris de 1939, foi adiado por conta da Segunda Guerra Mundial.

Os requisitos que o carro deveria atender foram, certamente, o motivo pelo qual o 2CV se tornou um modelo tão interessante. Ele deveria ser barato, simples, versátil, robusto e capaz de enfrentar terrenos difíceis. Ele tinha de ser capaz de levar duas pessoas com 100 kg de produtos agrícolas ao mercado a 60 km/h. Se carregasse ovos, eles não podiam se quebrar em pistas em más condições. E o teto tinha de ser alto para permitir que um homem de chapéu pudesse dirigi-lo.

Durante o conflito, a França foi ocupada pelos alemães e os dirigentes da Citroën optaram por esconder o projeto, com o receio de que ele ganhasse uma destinação militar. Só em 1948 houve uma nova oportunidade para apresentar o veículo, o que fez a imprensa especializada francesa batizá-lo de Toujours Pas Vue, uma brincadeira maldosa com a sigla do projeto e que significava “ainda não visto”.

A demora se deveu a uma revisão do projeto, que levou três anos para ser concluída, mas deu ao 2CV muitas de suas características básicas. O motor, por exemplo, passou a ser refrigerado a ar e o desenho, quadrado e com apenas um farol, recebeu o toque mágico de Flaminio Bertoni., pai de uma deusa francesa, o Citroën DS.

O motor, bicilíndrico de 375 cm³, era refrigerado a ar, como no Fusca, mas instalado na dianteira do carro. As suspensões eram independentes nas quatro rodas, a tração era dianteira e o motor, apesar de pequeno, conseguia carregar bem o carrinho, que pesava meros 560 kg. A velocidade máxima era, como o projeto inicial havia definido, de parcos 60 km/h. Em compensação, ele era econômico: superava os 20 km/l.

Apesar de ter tido uma recepção fria dos jornalistas especializados franceses, o carro se tornou um sucesso imediato entre as pessoas que tinham pouco dinheiro e precisavam de um bom meio de transporte. Meses depois de seu lançamento, a fila de espera chegava a cinco anos e um modelo usado custava mais caro que um novo não havia espera por ele....

Com o tempo, o carro foi ganhando aperfeiçoamentos. O motor bicilíndrico cresceu para 425 cm³, 435 cm³, 602 cm³ e, finalmente, 652 cm³. Produzido quase sem alterações ao longo de 42 anos, o 2CV encerrou sua carreira em 27 de julho de 1990, às 16h, em Portugal, último país em que ele foi produzido. Ao todo, foram vendidos 3.868.634 unidades do carro e mais 1.246.335 furgões, lançados em 1951.

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