Eagle cria versão Speedster do Jaguar E-Type

Empresa britânica, especializada no modelo mais sexy da história, produziu modelo ainda mais espetacular sob encomenda
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Gustavo Ruffo
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- A Jaguar está tentando se recuperar de um período ruim de sua história. E isso é especialmente importante diante de seu passado glorioso. Um dos pontos altos desse passado é o E-Type, produzido de 1961 a 1973. Bom de preço, rápido e lindo de morrer, o carro vendeu feito água e é considerado por muitos como o automóvel mais sexy da história algo reconhecido até por Enzo Ferrari. Tem tantos fãs que uma empresa, a Eagle, no Reino Unido, se especializou em sua restauração e melhoramento. A Eagle faz isso tão bem que recebeu uma encomenda: criar uma versão Speedster do E-Type. Foi assim que nasceu o Eagle E-Type Speedster.

O felizardo que vai colocar essa máquina na garagem se chama Rick Velaj, um médico de Connecticut, dos EUA. Ele teria dito ao pessoal da Eagle: “Quero algo um pouco especial”. Mal sabia ele que a empresa pegaria esse pouco e transformaria em muito, tudo graças ao trabalho de Paul Brace, designer e principal responsável pelo trabalho na Eagle.

Henry Pearman, dono da Eagle, combinou com Velaj que não haveria restrições nem de tempo nem de orçamento para o resultado final. Isso permitiu uma reengenharia completa do carro, que já era fantástico desde o início.

Um “novo” E-Type novo

Antes de falar das modificações que o Speedster sofreu, no entanto, vale falar sobre o tratamento que a Eagle dispensa aos E-Type que ela recupera. Melhor dizendo, que ela adapta aos tempos de hoje, já que uma restauração se limitaria a devolver o veículo a suas condições originais. E a Eagle vai bem além disso.

Apesar de lindo, o E-Type, que tinha 4,46 m de comprimento, 1,66 m de largura, 1,19 m de altura e entreeixos de 2,44 m, não era exatamente conhecido por sua confiabilidade, como boa parte dos modelos antigos da Jaguar. O humorista Juca Chaves costuma comparar a propriedade de um Jaguar antigo e ele teve muitos com ter uma amante argentina é bom, mas dá uma despesa.... A ideia da Eagle é tornar o E-Type um carro em que seu dono poderá contar para uso no dia-a-dia.

Em seu site, www.eaglegb.com, a empresa descreve todo o processo com um E-Type comprado por 55 mil libras esterlinas, cerca de R$ 170,6 mil. Para começar, ela separa o chassi da carroceria e inspeciona a estrutura que sustenta o carro. Com microfissuras detectadas, a empresa trocas as travessas do chassi por novas e aplica uma cera de proteção contra corrosão em suas cavidades. Em suma, o chassi fica novo em folha.

Depois, o motor é inteiramente desmontado, para a substituição de retentores e juntas a fim de eliminar vazamentos de óleo, comuns no E-Type especialmente na parte de trás, perto de sua ligação com o escapamento. Vale dizer que as peças substituídas são trocadas por componentes de melhor qualidade. Há também a opção de aperfeiçoamentos no motor. “Oferecemos desde válvulas maiores com comando bravo até um fantástico retrabalho do motor 4,2-litros de seis cilindros em linha, que passa a ter 4,7-litros com um novo virabrequim e novos pistões, diferentes em comprimento e em largura”, disse Paul Brace ao WebMotors.

No que se refere à alimentação do motor, a Eagle é tradicionalista, mas não tanto. “Nós normalmente usamos carburadores SU, mas também há a opção de injeção eletrônica de combustível com corpos de borboleta individuais e gerenciamento Pectel. Fica fabulosamente eficiente”, disse Brace.

Em seguida, chega a vez do câmbio, que, no E-Type, costuma apresentar problema no sincronizador da segunda marcha. Em trocas rápidas, isso tende a moer o câmbio. A Eagle desmonta o câmbio e coloca nele peças mais resistentes.

Outro problema comum no E-Type é o vazamento de óleo do diferencial para os freios traseiros, algo que é risco de segurança. Pois a Eagle refaz o diferencial inteiro do carro, permitindo que ele cuide apenas da distribuição da força entre as rodas motrizes e não mais em de lubrificar pastilhas e discos...

Como já dissemos, carros britânicos também costumam apresentar sérios problemas elétricos, em geral creditados à má qualidade dos componentes da Lucas. Brace não quis colocar culpa nenhuma nessa empresa, mas admitiu que os componentes elétricos do novo carro são de outras marcas. “Nós modificamos e substituímos os componentes elétricos pelo que quer que seja o melhor à disposição para o que precisamos. Entre os fabricantes a que costumamos recorrer estão a Bosch, a Nippondenso etc. Essas melhorias incluem direção eletrônica assistida sensível a velocidade EPAS e ar-condicionado recirculante. São sistemas que mal se nota no carro, a não ser que você procure por eles”, disse Brace.

A carroceria, então, é reconstruída nos mesmos padrões da original. Para torná-la menos vulnerável à corrosão, a Eagle utiliza processos especiais de pintura que, além de protegerem a nova carroceria, também melhoram a aparência do veículo.O acabamento fica bem melhor que o de fábrica e também é mais resistente, segundo a Eagle.

A suspensão também passa por melhoramentos, a gosto do freguês, e o carro é remontado. Isso leva umas 300 horas só de preparação. A construção do carro todo leva 3.500 horas e custa 295 mil libras esterlinas, algo em torno de R$ 914,5 mil. Isso para os Eagle E-Type comuns... Lembre-se de que essa reportagem é sobre o Speedster.

Todo em alumínio

Lembra-se de que o Eagle E-Type leva 3.500 horas para ficar pronto? Pois o Speedster levou 5.500 horas. Isso porque a carroceria é inteiramente feita de alumínio, o que diminui o peso dessa bela máquina britânica para cerca de 1.100 kg, contra 1.238 kg do modelo original.

Para isso também contribui o motor Eagle 4,7-litro, também de seis cilindros em linha. “Nós nem cogitaríamos usar um motor que não fosse um autêntico Jaguar. Nós oferecemos um motor XK de 4,7 litros todo em alumínio cabeçote e bloco com o mesmo torque do modelo original, mas muito menos peso. O bloco somos nós mesmos que desenvolvemos e ele é idêntico ao do motor original do E-Type. Ele gera 300 cv e 474 Nm de torque!”, disse Brace. O motor 4,2-litros original do E-Type produz 265 cv a 5.400 rpm e 384 Nm a 4.000 rpm.

Outra coisa diferente que o Speedster tem é sua transmissão, de cinco marchas, ao contrário da do E-Type original, que tinha quatro. “Nós fazemos tudo em casa, incluindo os motores e as transmissões de cinco marchas. O câmbio original do E-Type é ótimo, mas alguns clientes preferem uma marcha a mais. Tentamos, ao longo dos anos, todas as caixas de transmissão disponíveis, como T5, Getrag, ZF etc., mas todas tinham algum problema, com os quais não estávamos dispostos a lidar. Uma hora era o escalonamento errado, na outra muitas modificações na carroceria, em outra a posição da alavanca era inadequada e por aí afora. Assim, desenvolvemos nossa própria transmissão, com relações de marcha perfeitas, todas sincronizadas inclusive a ré e sem a necessidade de mudanças no carro. Foi uma ousadia para uma empresa pequena como a nossa, mas um bom indicativo de nossa dedicação ao carro até a espuma dos bancos é moldada aqui!”, disse Brace.

O Speedster foi entregue a Velaj no Salon Privé, evento exclusivo em que também foi oficialmente lançado o Veritas RS III. Quem entregou as chaves do carro ao médico norte-americano foi o ex-piloto Martin Brundle. Os preços, evidentemente, não foram revelados, mas são mais altos do que os cobrados por um Eagle E-Type comum.

Por ora, só existe um E-Type Speedster no mundo, a caminho de Connecticut, mas Brace não fecha a possibilidade de nascerem mais iguais a ele. “Fabricaremos mais se recebermos encomendas, mas somos uma empresa pequena, que fabrica os veículos artesanalmente. Conseguiremos produzir muito poucos um por ano?. Ainda não fechamos um valor, mas ele será mais caro que os E-Type comum, já que é todo de alumínio.” E como será o próximo? “Esperamos que ele tenha menos de 1.000 kg, injeção eletrônica e 474 Nm de torque. Vai ser demais!”, fala um Brace naturalmente orgulhoso. Quem não estaria?

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