Está olhando o que, nunca viu?

Coragem de dirigir começa com coragem de ignorar olhares alheios
  1. Home
  2. Cultura WM1
  3. Está olhando o que, nunca viu?
Andréia Jodorovi
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

Você está lendo mais um episódio – agora dramático – da série Coragem de Dirigir. Amanhã completa um ano que eu, Andréia Jodorovi, fui convidada pelo site WebMotors e pela Clínica Escola Cecília Bellina a encarar o medo do volante veja aqui o primeiro capítulo dessa novela. Depois de empenhar tempo em entrevistas, psicotécnico e CFC, posso colocar tudo a perder.

O medo. Reconhecer que ele existe e que pode ser vencido parece a receita para, enfim, superá-lo. Mas, percebi logo, é preciso algo mais: talvez um incentivo, choque, necessidade suprema, beco sem saída. No meu caso, foi o prazo de validade do exame psicotécnico, que vence dia 17 de julho próximo. Preciso aprender a dirigir em um mês, o suficiente para passar no exame. Caso contrário, terei de fazer tudo de novo...

Primeira aula, segundo olhar

O medo faz a gente imaginar muitas coisas que não existem e, quando enfrentado, derrubar teorias que temos sobre nós mesmos. Eu achava, por exemplo, que meu medo era de outros carros, da rua cheia, do risco de acidentes e de perder o controle do veículo. Isso também. Porém, eles não são os primeiros da fila.

Ao participar do grupo de terapia da Clínica Escola, a fala de uma das integrantes me chamou atenção: “mesmo com medo, prefiro dirigir na chuva. Assim, as pessoas não me veem”.

Hoje, às 8h50 da manhã, essa fala fez sentido para mim. Dentro do carro, recebendo as primeiras instruções do meu professor de volante, notei que os moradores da região passavam com olhos de espionagem para mim. Não era paranoia minha. Era curiosidade deles.

Bom, pensei, nunca me viram mais gorda, nem eu a eles. Então, foquei toda minha atenção à explicação do instrutor. Didático, cuidadoso e empenhado, apresentou-me os componentes principais do veículo, para que servem, como funcionam e em que situações devo usá-los.

Depois da parte teórica, mudamos de lado. As pessoas passando, espiando dentro do carro. Eu queria que chovesse. Os moradores da rua já estão acostumados aos veículos de autoescola, aos aprendizes. Por que ficam olhando? E por que fiquei preocupada com esse olhar?

Acho que é coisa de brasileiro olhar com interesse para instantes tão particulares do outro. Se tem acidente, o povo olha. Se alguém se beija, o povo olha. Se a roupa não é a da moda, o povo olha. Eu tive de escolher: olhar para esses olhares ou me concentrar no volante que eu devo girar na curva como se puxasse uma corda.

Agora, além do medo de dirigir eu devo enfrentar esses olhares desconhecidos. Não deve ser especificamente o daquelas pessoas, já que suas opiniões não me dizem respeito. É um olhar que mora dentro.

Cada pessoa tem um ou mais fantasmas para enfrentar: medo de dirigir, medo de gato, de aranha, de escuro, de gente, de altura. Haja medo. Eles escondem revelações profundas.

Ouse, ao menos, ir - ou retornar - às aulas de volante. O percurso pode ser surpreendente. Na segunda-feira, volto à terapia de grupo. Espero você na próxima quarta-feira com novidades.


Apoio: Clínica Escola Cecília Bellina: www.ceciliabellina.com.br

____________________________
Leia também:

Coragem de dirigir: o desafio

Internauta enfrenta Cecília Bellina, a mulher-carro

Terapia comportamental dá empurrão para assumir o volante

Psicotécnico: dá para piorar?

Aprender a guiar sob críticas da família, principalmente

Segredos e medos que o medo de dirigir pode revelar

Comentários

Ofertas Relacionadas

logo Webmotors