Ford Landau, um carro de superlativos

Sedã grande marcou época e era referência em conforto
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- São cinco metros e trinta e sete centímetros de generosidade. Grande? Distribuídos em precisos um metro e noventa e nove centímetros de largura. Enorme! “Em sofisticação, temos as Alfas. Em esportividade, Dodges e Mavericks. Mas em termos de conforto, nenhum nacional superou o Landau” avalia o atual motorista deste belíssimo exemplar.
Aprimoramento da versão LTD, de edição “limitada”, do Ford Galaxie, tornou-se membro independente da família em 1976. Embora a progenitora linha tenha saído de produção em 1979, o Landau permaneceu até 1983.

“Existe tratamento para deixar de fumar, remédio para depressão, mas nada que cure o vício por carro antigo”, assim começa a contar a história de como surgiu sua paixão. “Foi meio coisa de bairro. Meu pai costumava abastecer o carro sempre no mesmo posto de gasolina.” Até que num belo e ensolarado dia viu o Landau. “Tinha uns 4 anos e já gostava de carro, me apaixonei. Disse que um dia iria comprar AQUELE”. Na época, década de 80, era considerado um carro de luxo, para poucos.

Foi que aquela criança cresceu, pentelhou muito o primeiro dono para vender e não desistiu. Porém, somente depois que aquele senhor que o tirou zero da concessionária partiu dessa, que sua viúva se rendeu aos pedidos do guri. “É um negócio do outro mundo. Lembro daquele senhor abrindo a porta do motorista, me mostrando por dentro e eu só via o interior cinza. Era um luxo, meio decadente para os dias de hoje, mas ainda assim...”. Decadente?

Banco inteiriço na frente, confortabilíssimo. Acabamento primoroso que o exemplar ostenta original até hoje, com detalhes ressaltando seu emblema nas portas. Suspensão macia, silenciosa. Direção leve, quase de brinquedo. 

Bom Humor – Loyd é seu nome, dado pelo divertido proprietário ao nada singelo veículo de 1980, modelo 1981. Todos seus carros levam nomes de personagens ou atores de comédia, “este é uma referência ao trabalho de Jim Carey no filme “Débi & Lóide”, porque gostei do humor pastelão que me divertia na época filme de 1994” explica.

“Quando o comprei, já era um carro muito bom e íntegro”
lembra seu rigoroso motorista, que mantém os mesmos selinhos originais na porta do porta malas. Por isso, o único lugar do carro que não passou pela restauração de pintura, e conserva a mesma cor de fábrica, é a parte interna, o azul clássico.

Conta que na restauração priorizou os detalhes, como os perfis brancos que percorrem a lateral do garboso automóvel, e aqueles filetes cinza que ornamentam a lanterna traseira. “Quem avalia o carro dos outros, tem de ter rigor no seu” comenta, pois faz parte do Galaxie Clube do Brasil, onde entre suas atribuições está essa função. 

“Durante muitos anos foi meu único carro. Ia ao trabalho, para a faculdade, para a balada, tudo de Landau.” Precisamente, foram 12 os anos como seu carro de uso. Hoje tem outros antigos na garagem e para um futuro, sem pressa, a meta é um Ford T.

Causo do Motorista – Certa vez o motor explodiu e mandou refazer. Para comemorar, levou a família toda para viajar. Pai, mãe e irmã. Na volta, estava a uns 120km/h rodando com os pneus originais. Estava meio distraído quando seu pai chamou a atenção para não perder a saída na estrada.

Foi preciso fazer uma curva bem fechada. Mas nenhuma curva é feita sem certa grandeza por um Landau. Ainda mais com os pneus relativamente gastos, já com certos quilômetros rodados. Resultado: Deu meio cavalo de pau na pista. Parou no acostamento sentido contrário. UAU! Todos atordoados, mas respirando. Carro sem um arranhão. Tudo bem. Hora de consertar e retomar a pista, mais 180o graus para completar a volta. Até hoje este ponto da estrada é uma referência familiar. Ah sim, todos continuam muito bem do coração.

O carro e a história – Década de 1970 foi marcada por uma crise mundial de petróleo. Todos os muscles cars e demais beberrões da década anterior tiveram de se virar. Este generoso modelo, para o público que não tinha problemas com dinheiro, oferecia um tanque de gasolina maior, de 107 litros, para a época em que os postos fechavam aos finais de semana para tentar conter o consumo.

O requinte do carro conta ainda com frisos cromados, tapete no porta-malas, teto em vinil e saída dupla de escapamento. Landau é palavra francesa para as antigas carruagens que abriam o teto ao meio. Outra referência está nas calotas de desenho liso, que traziam no centro o mesmo símbolo da mira fincada no capô, o emblema da Lincoln, empresa comprada pelo grupo Ford.

Fontes: “Memórias sobre rodas, O automóvel no Brasil dos anos 60” por Fábio Steinbruch, Editora Alaúde e diversos sites na internet. Agradecimentos ao Galaxie Clube do Brasil. Fotos de Jocelino Leão


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