Fusca ao contrário 1965: Não importa os desafios, um Fusca sempre chega lá

Não importa os desafios, um Fusca sempre chega ao seu destino. Da Alemanha, à África do Sul até encontrar sua garagem no Brasil
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Antigo Motors
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“Você reparou como as pessoas olham para o carro na rua?”, diverte-se o proprietário deste belíssimo Fusca de mão inglesa ao chegar à entrevista e fotos para o Portal Antigo Motors. Verdade. Nós da equipe que seguíamos no carro de trás rimos com as quebras de pescoço. Afinal, este modelo de carro antigo é o mais presente na vida das pessoas e a indústria automotiva deve muito a este besouro. Portanto parabéns! Comemora-se dia 22 de junho o Dia Mundial do Fusca.


Enquanto a história oficial do modelo nasce na Alemanha de 1930, com projeto de Ferdinand Porsche e apoio de Hitler, desde o início era um carro forte e mutável. Resistente o suficiente para vencer quase todos os tipos de terreno e estruturalmente fácil de mudar e consertar, servindo da guerra ao transporte escolar (através da sua variação Kombi).


O exemplar das fotos é alemão fabricado em 1965. Seguiu diretamente para a África do Sul onde serviu ao cônsul por dois anos. Até que fugindo de uma emboscada no regime do Apartheid, o diplomata foge para o Brasil. No entanto, cônsules têm certas regalias. Numa mudança de país, por exemplo, podem trazer todos os seus pertences e foi assim que este Fusca chegou aqui. Porém, eles também podem escolher diretamente nas montadoras qualquer carro em condições especiais. “O que o cônsul ia fazer com um Fusca, na terra do Fusca, com direção ao contrário?”, contextualiza o entrevistado ao Antigo Motors o motivo da venda do besouro.


Assim, o consulado abriu uma concorrência para vender o carro numa época de lances a envelopes fechados. Tirou o 2º lugar. “Meu pai aconselhou colocar até os centavos na oferta e foi o que fez diferença. Homem sábio”. Tinha 17 anos na ocasião e conseguiu uma condição especial para tirar carta de motorista sendo menor de idade. Eis que quis o destino do primeiro colocado não aparecer nas 24 horas indicadas no edital. Novamente seu pai, que trabalhou no comércio de carros, soube dessa falta. “Filho fica quieto. O carro é seu.” Dito e feito.


Desses mais de 40 anos junto ao belo Fusquinha, apenas em um momento se separaram. Ainda muito jovem, vendeu o automóvel a um deficiente físico que só poderia dirigir se fosse um veículo de mão inglesa. Foi com dor no coração, e com a promessa de que se em algum momento esse motorista desejasse vender o carro, ele seria o primeiro a ser avisado. “Eu não tinha nada além da palavra, mas foi o que bastou. 8 anos depois o carro voltou para minha garagem”, conta com satisfação.


Motor 1.300 a 6 volts originais. Uma curiosidade é o carburador automático. O proprietário explica ao Antigo Motors que ao invés de um botão no painel, o sistema funciona ao ligar o carro mantendo-o “acelerado” para esquentar. Ao atingir a temperatura adequada, “desliga” sozinho. Quanto ao interior, belíssimo, faltam apenas as portas para concluir a restauração, pois mandou a um especialista, já que o padrão das portas são maiores do que os Fuscas produzidos no país.


Item bem visível característico dos veículos alemães originais são os vidros. Bem maiores. “Você vê um fusca e tem a impressão dele ter uma capota diferente, mas não é. Olhando de frente, você consegue enxergar a haste inteira do vidro retrovisor porque o vidro dianteiro é maior”. Apenas o traseiro é igual ao produzido no Brasil.


É possível notar que os alemães já tinham a preocupação naquela época de fabricar carros flexíveis para mudar a direção do lado caso fosse preciso. Apenas alguns detalhes ficaram estáticos como a alavanca de abrir o capô (fixa no lado esquerdo) e o eixo do vidro retrovisor (limitado para o lado direito).


“Tem carro novo, carro usado, carro velho e antigo. Quando ele é velho ninguém olha e a maioria vende”. Para o proprietário, a fase entre velho e carro antigo é longa e foi nessa época que aproveitou para customizar o pequeno como todo jovem. “Na minha época namorar era outra história, demorávamos 6 meses para pegar na mão”, recorda-se. A bordo do Fusca junto com amigos faziam ponto na porta de escola para paquerar as meninas. Na época um amigo brincalhão começou com a história de andar com um volante solto no lado esquerdo. “Ele abria a porta e mostrava o volante com o carro em movimento. Ficamos conhecidos como os garotos do Fusca ao Contrário”, conta bem humorado ao Antigo Motors.


Durante muitos anos foi o único Fusca de mão inglesa no país e hoje há outras raríssimas unidades. “Eu nasci e cresci dentro de carros. Mas foi num fusca com 14 anos que aprendi a dirigir. Ensinei minha mãe a guiar num fusca. E meu primeiro carro é este Fusca”, explica sua ligação com o modelo. Quer mais?


Dia Mundial do Fusca – Partiu do brasileiro Alexander Gromow, que já havia criado o Dia Nacional do Fusca, o projeto de dia Dia Mundial. Lançado em Bad Camberg, na Alemanha, a data faz referência quando Ferdinand Porsche e Hitler fecham a parceria para a construção do modelo de carro popular (Volkswagen).


Agradecimentos ao Dr. João Reinaldo Abrahão e ao Fusca Clube do Brasil




Para baixar mais fotos exclusivas deste incrível exemplar, acesse a página do Antigo Motors:antigomotors.com.br.


As opiniões expressas nesta matéria são de responsabilidade de seu autor e não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors

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