José Rezende Mahar em: Talvez o único SUV que eu teria

Mas ainda resta esperança para quem precisa de um veículo que passe em lugares mais complicados
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José Mahar
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– Esses veículos chamados de Sport Utility Vehicles, podem ser muito Úteis, certamente como Veículos, mas quase sempre o esporte do nome é uma gentileza, uma forçação de barra. Altos, pesados e ágeis como elefantas grávidas, eles são uma negação do termo de um modo geral. Mesmo o Toyota RAV4, o pai e mãe do segmento, cresceu e se aburguesou.

Mas ainda resta esperança para quem precisa de um veículo que passe em lugares mais complicados de aderência ou até mesmo que tenha necessidade de mais aderência no molhado: é o VW Tiguan. Casado em 2009 em cima de uma plataforma de Golf, o menor dos SUVs alemães tem, no entanto, uma mecânica de suspensão e direção que lhe são particulares e próprias. São quatro rodas suspensas independentemente e tracionadas permanentemente que fazem um mundo de diferença. O motor é o nosso conhecido TSi, quatro em linha de dois litros. Com injeção direta na câmara de combustão e muito bem turbinado para obter 200 cv e, mais importante, quase 30 kgfm de torque a 1.800 rpm, o motor do Tiguan é uma obra de arte, um dos melhores exemplos de downsizing Ou redução de tamanho nos motores modernos que já tivemos oportunidade de usar. O TSi tem a personalidade de um três litros com potência dessa capacidade cúbica, porém com um consumo contido como um motor de dois litros: cheguei a conseguir me aplicando muito 13,4 km/l de pé. Ele não tem absolutamente nenhum sinal de reação lenta ao acelerador, o conhecido turbolag. Responde no ato, aliás, como todos os VW turbo que dirigimos ao longo desses anos todos.

Soberbamente secundado por uma caixa de câmbio automática convencional de seis marchas com conversor da AISIN japonesa, o motor faz milagres de pirotecnia ao mover os 1.600 kg do “jipinho”, já que a abundância de marchas permite sempre ter uma para cada necessidade e ocasião.

E por falar em transmissão há que lembrar a tração nas quatro rodas chamada de i Motion. Funciona permanentemente conectada às quatro rodas, mas varia muito a distribuição de torque. Normalmente coloca 90% da energia nas rodas dianteiras e 10% nas traseiras, para corrigir uma eventual tendência de subviragem característica de carros de tração dianteira, mas isso pode variar e ir até 100% na traseira. Dependendo da patinação das rodas o sistema desvia para o eixo que dispõe de tração e corrige os problemas automaticamente.

Cabe aqui um elogio ao sutil limiar de intervenção dos controles de estabilidade que, aliados à tração i Motion permitem boas veleidades no asfalto. Dá para jogar levemente a traseira como um carro que tenha empuxo só ali e deixar a traseira sair de leve, de modo a aumentar o prazer de dirigir esportivamente, coisa às vezes rara nessa classe de automóveis ou utilitários. O resultado prático é que o carro não balança pela qualidade de acerto do amortecimento e molejo, tem um centro de gravidade viável por não ser alto demais há no exterior uma versão mais alta pra fora de estrada verdadeiro e de um modo geral o Tiguan se comporta como um bom Golf com mais espaço interno e a tão querida posição elevada de dirigir.
Talvez o único SUV que eu teria.

As opiniões de nossos colunistas não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.

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José Rezende Mahar jrmahar@gmail.com tem uma longa história de participação no mundo dos motores. Desde 1980 escreve sobre veículos: carros, motos, lanchas, caminhões e ônibus, sejam eles atuais ou clássicos. Editou vários cadernos de automóveis ao longo de sua vida profissional, tais como a Manchete, Gazeta Mercantil, o setor de lanchas da Motor 3, além de colaborar frequentemente no Globo, Jornal Do Brasil, O Dia, Transporte Mundial, Mar, Vela E Motor, Automóveis Antigos e O Radiador, órgão do Veteran Car Club do Rio de Janeiro. Também foi piloto de moto, organizador de competições, chefe de equipe de corridas e mecânico. Em suma, um homem que viveu o encanto da máquina e o feitiço do asfalto em sua totalidade, que sente a emoção dos motores a fundo.

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