Lembranças de um mito

Em 2012, nosso repórter Marcelo Monegato acelerou um DeLorean DMC-12

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Marcelo Monegato
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Nasci no início da década de 1980. Tenho a trilogia na minha prateleira de DVDs. Gostaria de ter um amigo como o professor Emmett Brown. E pensei em colocar de Einstein o nome do meu cachorro. Mas de todas as lembranças da saga ‘De Volta Para o Futuro’, a que mais gosto são as de ter acelerado um DeLorean DMC-12. Exatamente: a máquina do tempo que, para mim, é tão protagonista quanto Michael J. Fox e Christopher Lloyd. Merecia um Oscar.

Isso aconteceu em 13 de julho de 2012, quando era repórter do jornal Diário do Grande ABC – caramba, o tempo passou! Lembro de o meu encontro com o ‘mito’ ter ocorrido em uma loja na rua Guaipá, Vila Leopoldina, Zona Oeste de São Paulo.Loja esta que não existe mais. Em meio a inúmeros objetos antigos e outros clássicos – entre eles um Chevrolet Corvette Pace Car 25th Anniversary Edition impecável -, o DeLorean repousava soberano.

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Não sei se sugestionado por ser fã do filme, sempre achei o DMC-12 bonito - longe de me conquistar como um Lamborghini Aventador ou uma Ferrari F40. A carroceria em aço e alumínio escovado, as asas de gaivota (portas) que remetem ao Mercedes-Benz 300 SL Gull Wing. Excêntrico? Talvez. Prefiro dizer que tem personalidade ímpar. Chame-o de diferente, não de feio ou esquisito.

Normalmente, quando temos a oportunidade de acelerar um carro quase que exclusivos, primeiro pulamos para trás do volante, nos divertimos e depois observamos. No caso do DeLorean, não sei o motivo, fiz o contrário. Enquanto meu amigo e fotógrafo do Diário André Henriques fazia as fotos, admirei cada detalhe deste personagem. As janelinhas nas janelonas do cupê, a longa queda da coluna ‘C’ com vigia para o ‘capacitor de fluxo’, quer dizer, motor. A traseira com faróis grandes e quadriculados. Bizarro? Não. Únicos.

O capô era amplo. Liso. Nada de linhas marcantes. Sob ele, no melhor estilo Volkswagen Fusca, o porta-malas. Linha de cintura baixa. Reta. Simples.

Quando entrei, lembro de ter tido a impressão de ter sentado no chão. Não como em um superesportivo, mas como em um Chevette. Os bancos eram revestidos em couro e o encosto de cabeça não tinha ajuste de altura. O volante grande de três raios e empunhadura horrível chamava a atenção. Porém não mais que o console central extremamente alto, onde se localizava a manopla do câmbio manual, no caso.

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E sabe aquela história de ergonomia? De cockpit voltado para o motorista, como acontece nos carros de hoje? Bom, no DeLorean não tinha isso. Mexer no rádio era quase um exercício de ioga – algo que o Doc (apelido do professor Emmett Brown recebeu de Marty McFly), tenho certeza, não conseguia fazer. Outro exercício complicado era o de fechar a porta. Era necessário meio que ir sentando e segurando a porta para que ela baixasse junto com o restante do corpo. Truques que aprendi depois de várias tentativas de alcançar a porta ainda sentado.

CAPACITOR DE FLUXO

Eu não tinha a missão de alcançar as 88 mph (141 km/h), velocidade necessária para, com uma forte descarga de energia elétrica, ir para o futuro ou voltar. Quando fiquei sabendo do conjunto mecânico, aliás, duvidei que o DeLorean poderia alcançar tal velocidade – hoje, com o repórter da WebMotors Iago Garcia trabalhando ao meu lado, sei que seria possível metendo um “turbão” (como ele diz) na fera.

O DMC-12 é equipado com um motor 2.8 V6 de apenas 130 cv, nascido de uma parceria estranha entre as francesas Peugeot e Renault, com a sueca Volvo. A versão testada tinha transmissão manual de quatro marchas – mas a do Doc era automática de três. A velocidade máxima é de 177 km/h.

Rodando, admito, o DeLorean não é uma referência em desempenho. É até decepcionante. Tudo bem que o exemplar que acelerei já estava bem rodado, cansado, e precisando dar uma revigorada. As acelerações eram morosas e as retomadas também. A transmissão tinha engates imprecisos e o pedal da embreagem era fundo demais. A posição ao volante também não era das melhores, atrapalhando um pouco a visibilidade.

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Resumindo: me diverti demais!

Definitivamente, o DeLorean DMC-12 merecia um Oscar. As marcas de seus pneus na Calçada da Fama. Sua atuação na trilogia foi fantástica, apesar de sua história real ter sido muito mais um drama que uma ficção científica dirigida por Steven Spielberg. E com todas estas peculiaridades, é um dos carros mais sensacionais que já dirigi. Gostaria muito de saber em que período - passado, presente ou futuro - este mito estaria hoje, dia 21 de outubro de 2015.

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