O pequeno notável

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Renato Bellote
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- A indústria automobilística brasileira, desde seu surgimento na década de 50, vem crescendo e se destacando pela criatividade. Há vários exemplos atuais dessa característica, mas o tema aqui é um pequeno esportivo que chamou a atenção no cenário nacional: o Willys Interlagos, carro esporte pioneiro do Brasil.

Apresentado no Salão do Automóvel de 1961, o Interlagos caiu logo no gosto tanto do público quanto da imprensa especializada. A carroceria feita de plástico e fibra-de-vidro representou uma revolução no mercado brasileiro, sendo equivalente ao Renault Alpine A-108 por aqui.

O modelo era vendido praticamente sob encomenda e disponível em três versões: berlineta, cupê e conversível. Com dimensões reduzidas 3,78 metros de comprimento e 2,10 metros de distância entre eixos, o esportivo se destacava pelo bom desempenho e desenho atraente, com linhas harmoniosas e bolhas acrílicas nos faróis, que o colocavam no mesmo nível dos bólidos europeus. Bancos individuais, volante com aro de madeira e conta-giros raro na época, também foram pontos de destaque do Interlagos.

O motor foi um fator que consagrou o carro. Utilizando o mesmo bloco do Dauphine e Gordini, com quatro cilindros em linha, era oferecido em três versões: de 845, 904 e 998 cm³, este último com potência de 70 cv, versão exclusiva da berlineta. Uma característica do motor mais potente era o bom comportamento de pista, devido à utilização de carburadores de corpo duplo maiores que os de série e abastecido com a chamada “gasolina azul”, a de maior octanagem na época. Na prática, para o uso cotidiano, ele apresentava pequena vida útil e um torque insuficiente em baixa rotação.

Apesar da ótima relação peso-potência, a suspensão traseira do esportivo – por semi-eixo oscilante – não era muito eficiente em altas velocidades. Além disso, com o passar do tempo surgiam folgas na articulação dos semi-eixos.

Mas ainda assim o desempenho do Interlagos nas pistas também merece destaque. A presença das berlinetas “amarelinhas” da equipe Willys já provocava arrepio nos adversários. O sucesso do conjunto se refletiu em seguidas vitórias do modelo: 500 Milhas de Porto Alegre, 500 Quilômetros de Interlagos e 200 Milhas de Montevidéu são exemplos dessa hegemonia em competições, durante o biênio 1963-1964. Grandes pilotos também se destacaram nessa época, entre eles José Carlos Pace e o mitológico Bird Clemente.

Com todas essas características peculiares, 822 unidades do modelo foram produzidas até 1966, fazendo com que o carro se tornasse um importante item de coleção nos dias de hoje. Estilo único, condução empolgante e fama nas pistas fazem do Interlagos um nome imortal na galeria dos grandes esportivos nacionais.
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Renato Bellote Gomes, 26 anos, é bacharel em Direito e assina quatro colunas sobre antigomobilismo na internet. O autor tem textos publicados em nove países de língua espanhola e é correspondente do site português Lusomotores

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