Polonesa, viciada em carros e dona de um Fiat 126p

Agata Pietruszka dirige rápido, repara o próprio carro, faz fotos de rali e é apaixonada pelo Maserati A6 GCS Berlinetta

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Marcelo Monegato
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As redes sociais são verdadeiras tsunamis de informações e pautas! Por intermédio de Facebook, Twitter, Instagram, entre outras, é possível conhecer pessoas fantásticas de diversas partes do mundo com histórias riquíssimas e prontas para serem embaladas e contadas. Eu, particularmente, estou sempre atento. Já encontrei um italiano fanático por Ayrton Senna e que tinha um Smart ForTwo pintado nas cores da McLaren do tricampeão de Fórmula 1. Também encontrei uma artista da Moldávia especialista em pintar os superesportivos da Porsche. Agora, para o último dia do ano, trago uma polonesa fanática pelo o que também somos: carros!

Agata Pietruszka tem 25 anos e vive na quase impronunciável cidade de Czestochowa, a cerca 220 quilômetros da cidade de Varsóvia, capital da Polônia. Seu perfil no Instagram (

com praticamente 6.000 seguidores, é dominado por imagens fantásticas de carros – recentemente postou algumas do novo Fiat 124, destaque no Salão do Automóvel de São Paulo -, especialmente de carros de rali. No entanto, um em especial chama a atenção. O charmoso Fiat 126p 1984, que é um carro de corrida, mas que ela utiliza no dia a dia. Incrível!

Eu gosto de carros que não são projetados para mover do ponto 'a' ao ponto 'b', mas os que proporcionam muita diversão e emoção. Eu prefiro carros clássicos, pois exigem considerável habilidade do motorista

Este pequenino é um city car apresentado ao mundo em 1972 no Salão de Turim, na Itália, como um substituto do Fiat 500. De acordo com Agata, foi muito famoso na Polônia, onde foi produzido em Bielsko-Biala, tornando-se muito popular por conta de seu preço baixo. “Seu tamanho muito pequeno lhe rendeu o apelido Maluch, que significa ‘criança pequena’. O apelido era tão popular que em 1997 foi aceito pelo produtor como o nome oficial do carro”, conta.

matéria, no entanto, não é sobre o simpático carrinho, mas sobre nossa personagem. Agata é apaixonada por carros desde os dois anos – assim como muitos de nós leitores do WM1 -, quando ganhou de seu pai uma miniatura de uma Ferrari F40, um dos superesportivos mais cultuados de todos os tempos. “Meu pai me ensinou a desenhar os logos de carro e com três anos eu já conseguia reconhecer a maioria dos carros na rua”, revela Agata. “Eu venho de uma família modesta, por isso não podemos pagar em carros bonitos. Mas toda a minha família adora os automóveis clássicos. Mamãe ama Jaguar, papai gosta de tratores e minha irmã tudo o que é confortável. Mas, definitivamente, eu sou o maior ‘petrolhead’ (cabeça de combustível, em tradução literal) na família.”

 Agata Pietruszka
Legenda: Agata Pietruszka
Crédito: Agata Pietruszka

E mais do que apenas ‘gostar’ de carros, Agata é ‘graxa’. É das nossas. É aficionada por dirigir – muitas vezes de maneira “rápida”, como ela mesma define – e por fazer, ela mesma, as modificações e reparos em seus carros. “Eu gosto de carros que não são projetados para mover do ponto 'a' ao ponto 'b', mas os que proporcionam muita diversão e emoção. Eu prefiro carros clássicos, pois exigem considerável habilidade do motorista”, detalha, exaltando uma paixão especial pelos modelos com motor central e tração traseira. “Eu também gosto muito de reparar ou modificar os carros eu mesma. Isto me garante um conhecimento mais profundo do carro”, completa a polonesa que tem Gilles Villeneuve, ex-piloto de F1 falecido durante os treinos do GP da Bélgica de 1982, em Zolder, como uma de suas referências.

Eu adoraria, algum dia, andar ‘bem’ e não apenas ‘rápido’. Até que isso aconteça, eu só vou rápido às vezes

Com relação aos ralis, Agata explica que participa de todas as etapas possíveis, mas somente como fotógrafa – e as imagens em seu perfil no Instagram mostram que é extremamente talentosa. “Eu não sou uma (fotógrafa) profissional, mas adoro fotografar carros – essa é a melhor maneira de guardar todas as memórias”, explica, deixando claro que anseia, um dia (quem sabe?), competir. “Infelizmente não tenho dinheiro para comprar um carro de corrida adequado e participar de um rali. Meu ‘Maluch’ é bom para esse tipo de corrida, mas ainda levará algum tempo para eu prepará-lo melhor. Eu também percebo que tenho que melhorar minhas habilidades de condução. Eu adoraria, algum dia, andar ‘bem’ e não apenas ‘rápido’. Até que isso aconteça, eu só vou rápido às vezes”, revela.

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Legenda: Agata Pietruszka
Crédito: Agata Pietruszka

Formada em design pela Technical University da Polônia, Agata trabalha atualmente com design de interiores, mas, na verdade, gostaria de ser mesmo é designer de carros. E bom gosto para isso tem. Perguntada qual seria seu carro dos sonhos, ela deu a seguinte resposta: “Essa é a pior pergunta de todas, mas eu sei a resposta. No meu caso é o Maserati A6 GCS Berlinetta. A melhor combinação de design bonito com características de condução esportivas. O melhor carro já feito na minha opinião. Eu o vi isso no Concorso d'Eleganza em 2016 e me apaixonei ainda mais. Fiquei de pé e olhei para o carro por uma hora! É absolutamente uma obra de arte”.

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Legenda: Agata Pietruszka
Crédito: Agata Pietruszka

​Agata é o tipo de personagem que o WM1 poderia conversar por horas e horas. Assim como nós, tem combustível correndo pelas veias e graxa nas articulações. Aliás, para quem possa interessar, ela explica o significado do seu sobrenome. “Pietruszka significa ‘salsa’ em polonês. Eu posso facilmente dizer que sou o vegetal automotivo – salsa em latim é ‘PETROselinum’”...

O TAL FIAT 126P

Assim como nós, muitos ficaram interessados em saber mais sobre o Fiat 126p, ou melhor, o Maluch de Agata. Trata-se de um modelo 1984 (primeira geração) equipado com motor traseiro de 652 cm³ (dois cilindros apenas), que desenvolve apenas 24 cv de potência, transmissão manual de quatro marchas e tração traseira. No entanto, o da nossa personagem polonesa é um pouco diferente. "Eu modifiquei muito o meu", conta. O de Agata tem 50 cv! A suspensão utiliza amortecedores de competição, os freios dianteiros são a discos e o traseiro, tambor. Os bancos são de competição da marca Sparco.

"E pesa apenas 500 kg, para que possa imaginar. O Maluch é muito difícil de pilotar na pista. Por conta de suas dimensões reduzidas, é um carro que não tem um bom equilíbrio, rolando muito nas curvas", revela. "Como já aprendi a dirigi-lo de forma rápida, sei que ele tem 'maus hábitos' e reconheço que conduzi-lo por um longo tempo não é bom", completa.

 Agata Pietruszka
Legenda: Agata Pietruszka
Crédito: Agata Pietruszka

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