Primeiro luxo de série

Graham Paige 1927 marca o fim dos carros de luxo sob encomenda
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Marcos Camargo
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- Para ter um automóvel de luxo na garagem, em 1927, era preciso contar com uma consultoria especializada para reunir o melhor conjunto que resultasse em desempenho e beleza sobre rodas.

A Graham Paige era uma dessas montadoras que o tempo praticamente apagou. Mas o modelo 1927, por exemplo, marca o fim da era dos carros de luxo sob encomenda e inaugura o tempo em que eles já podiam ser adquiridos à pronta entrega na concessionária.


À pronta entrega

Os jornais norte-americanos de 1927 traziam um encarte que mostrava um carro interessante de uma marca já conhecida entre os endinheirados: a Graham Paige mostrava o modelo 162, de tamanho médio, acabamento de luxo e bom conjunto mecânico.

O grande diferencial é que o Graham Paige era o primeiro luxuoso produzido em série. Antes dele, era preciso comprar um conjunto motor, carroceria, e finalizar com itens de acabamento e segurança ao gosto do proprietário. Isso envolvia diversas empresas como encarroçadora, mecânica, vidraçaria, marcenaria e por isso, o processo de compra do novo veículo levava vários meses.

O Graham Paige 162, que marcou essa mudança, tinha motor seis cilindros em linha Dodge, que desenvolvia 65 cv de potência máxima. Interessante era o câmbio de quatro velocidades, com duas marchas para velocidades mais altas, o que ajudava a tirar o máximo proveito do motor pequeno para a época.

Para melhorar seu desempenho e durabilidade, o motor tinha diferenciais como pistões de alumínio, lubrificação forçada e filtrada, bomba de combustível mecânica e um sistema de suspensão mais macio. O estilo era bastante semelhante ao das marcas tradicionais e também de suas rivais do segmento de luxo como a Franklin, Hupmobile, Auburn entre outras.

Em termos de conforto, o carro tinha janelas basculantes, sendo que o pára-brisa contava com um mecanismo de abertura que facilitava a ventilação. A trava das portas tinha um pino que avançava para frente, ao destravar. O painel contava com poucos mostradores, e nada além do essencial como velocímetro e marcador de combustível.

“Suavidade, com rápidas respostas, o Graham Paige arranca com rapidez no trânsito. A quarta marcha revela um rodar macio e silencioso”, dizia a propaganda.

Além do modelo Tudor 162 forma mais simples para dizer two doors, duas portas, em inglês de seis cilindros, também estava disponível a limusine com motor de oito cilindros em linha. Porém seu acabamento e carroceria poderiam ser modificados, num amplo leque de opções. Havia também duas configurações cupê de dois lugares, que também recebiam customização. Os preços variavam entre US$ 860 e US$ 2.485.

1927: ano marcante para a Graham Paige

O ano de 1927 não foi marcante apenas pelo lançamento da linha luxuosa produzida em série. A Graham era uma aventura familiar no segmento automotivo, já que a empresa começou dedicada a produção de artefatos de vidro no início do século XX.

Seus proprietários, Joseph, Robert e Ray Graham se aventuravam em modificar modelos Ford T em caminhões e outros veículos de carga. A pequena empresa prosperou desde a cidade de Evansville, Indiana, quando os irmãos partiram para construir duas fábricas, uma em Detroit, já consolidada como o santuário do setor automotivo, e outra em Stockton, Califórnia, para atender o mercado do sul dos Estados Unidos. Na época, a Graham usava os motores Dodge, Continental e Weideley em seus veículos. Na prática, a Dodge tratava a Graham como uma subsidiária, e esta era a intenção da marca; dar suporte e estudar uma fusão, no futuro.

Em 1927 os irmãos Graham decidiram se consolidar e quebrar o vínculo com a Dodge. Compraram a Paige Detroit Motor Company e a Jewett Automobiles de uma só vez, por US$ 4 milhões. Apesar de continuarem comprando os motores Dodge, duráveis e robustos, já não estavam mais vinculados à marca como antes, e passaram a vender seus modelos em uma rede de concessionários própria.

Salão de Nova York revelou a marca

Todos os fabricantes da época não contavam com a astúcia dos irmãos Graham, que roubaram a cena no New Work Automobile Show, realizado no Hotel Roosevelt em janeiro de 1928.

O estande da marca era decorado com motivos medievais, e todos os vendedores, engenheiros e profissionais da marca vestiam roupas diferenciadas em tons de vermelho com o logotipo da legião Graham, o escudo da família. Essa jogada de marketing, que procurava associar a nova marca à tradição, diferenciou a Graham Paige de seus concorrentes, que tinham estandes comuns, decorados com cortinas e com uma equipe vestida no estilo sóbrio da época; terno, colete e chapéu.

Após o evento, os concessionários da marca inovaram ao mostrar os carros desmontados no showroom e também detalhar as inovações mecânicas, estratégia ainda não usada pelas outras marcas. A intenção era mostrar a qualidade da construção, as inovações em termos mecânicos e como o carro oferecia o melhor conjunto em relação aos seus concorrentes.

A estratégia deu certo. Se em 1927, ano em que incorporou a Paige e Jewett, a Graham Paige vendeu 21.881 automóveis, no ano seguinte, após o Salão de Nova York, as vendas pularam para mais de 73 mil unidades. Uma jogada inteligente, mas que o passado apagou, como o brilho dos veículos Graham Paige.


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