Quatro carros, 1.528 cv e R$ 1,5 milhão

Confira como se saíram um cupê, um sedã, um SUV e uma minivan na pista
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Rodrigo Ferreira
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Uma pista de corrida, 1.528 cavalos de potência e R$ 1,5 milhão em modelos BMW a minha espera. A tarde da última sexta-feira parecia promissora. O palco dessa insanidade foi a fazenda Capuava, área próxima ao aeroporto de Viracopos, na região de Indaiatuba, que traz um dos mais belos circuitos privados do país.

O comboio para fazer inveja a qualquer mortal com um simples pingo de paixão pela velocidade era composto por quatro representantes singulares da esquadra alemã. Um cupê com o sobrenome M (da poderosa divisão apimentada Motorsport), um integrante da ala dos utilitários esportivos (SUV), um estranho no ninho em formato de monovolume e um sedã capaz de atingir 280 km/h de velocidade máxima. Juntos, a capacidade para acabar com várias contas bancárias de uma só vez e encher de sorrisos até o mais rabugento e exigente dos seres.

O deleite tem uma estratégia eficiente atrás dos panos. Trata-se da terceira edição do BMW Ultimate Experience que, ao longo deste ano, percorrerá onze cidades do país com o objetivo de aumentar os números de venda da marca. No último fim de semana, a caravana passou pelo estado paulista, maior parada do evento em 2015.

Em dois dias foram realizados nada menos que 750 teste-drives para 1.500 convidados que puderam conferir a linha completa da marca à venda no país. Por motivos óbvios, a BMW não revelou os números de vendas realizados no evento.

Vamos ao que interessa

O primeiro escolhido para uma volta na tarde ensolarada do circuito paulista foi também o mais caro do grupo, o M6 Gran Coupé, que tem preço de tabela de ultrajantes R$ 544.950.

Os cinco metros de comprimento impressionaram menos que a vivacidade do V8 biturbo de 4.4L que rende 568 cavalos de potência máxima e 69,3 kgf.m de torque. A transmissão é automatizada de dupla embreagem e oito velocidades. Parte da sedução vem da falta do limitador de velocidade. O resultado é uma máxima cravada nos 305 km/h, já a aceleração dos 0 aos 100 km/h acontece em 4,2 segundos.

Os números de desempenho do elegante brutamontes abalam tanto quanto a preocupação em acomodar com carinho e luxo o seu condutor. O acabamento é impecável, assim como a ergonomia dos instrumentos.  Como bom brinquedo, o M6 vem recheado de gagets. As informações de desempenho são exibidadas diretamente no para-brisas (head up display), já a suspensão, o motor, o câmbio e até o peso da direção podem ser regulados através de teclas no console central, só para citar alguns exemplos.

No pista travada da Capuava, a barca de 1.875 quilos mostrou ter a disposição de um glutão para devorar metros e metros de asfalto sem perder a classe que é típica de um dignatário representante da burguesia.

O barulho grosso e rouco com pitadas de pequenas explosões vindos das quatro saídas do escapamento deixaram evidente que requinte e esportividade podem conviver. O dia não poderia ter começado melhor.

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Quebra de paradigmas

Depois da besta, a razão. Entrou em cena o 225i Active Tourer, o primeiro veículo da BMW com tração dianteira. O monovolume é oferecido no país em versão única por salgados R$ 179.450.

Se a vocação é familiar, a alma é diabólica . Sob o capô, o Série 2 à venda por aqui esconde um 2.0L turbo a gasolina capaz de gerar 234 cavalos de potência máxima e 35,6 kgf.m de torque. A velocidade máxima deste modelo feito para levar crianças na escola e carregar as compras do supermercado é de 240 km/h. Já a aceleração de 0 a 100km/h é de 6,6 segundos, apenas 0,1s a mais do que o Golf GTI.

Se por um lado o Série 2 não é um carro para andar nas pistas, no limite a minivan tende a sair de dianteira (o que é ótimo para segurança, mas deixa a desejar em uma tomada de tempo), do outro o modelo traz ótimos números para aquele pai que busca ter um esportivo, mas a razão (e a patroa) o obrigam a optar por um monovolume (a boa notícia é que o espaço para as crianças é ótimo e o porta-malas acomoda 468 litros de tralhas).

Nas poucas voltas com o 225i, sai convencido que é possível ter um carro familiar, sem ter que deixar de lado completamente a emoção.

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Nada a declarar

Não tenho muito o que falar do próximo integrante da lista. Trata-se do X6 Xdrive35i (R$ 375.450). A mistura de SUV e crossover anabolisado não foram feitos para a pista. Até o 225i do parágrafo acima estava mais relaxado para encarar a sequência de curvas fechadas da Capuava.

Há aquele grupo de carros que tem razão de existir, um Jeep, por exemplo, foi feito para ganhar Guerras, o Fiat 500 tem a missão divertir, já o X6 não sabe bem o que o trouxe ao mundo, a situação piora principalmente se o seu local de trabalho for uma pista de corridas.

O centro de gravidade alto, o peso excessivo e as dimensões avantajadas limitam em muito o trabalho do eficiente TwinPower Turbo de 3.0L e 306 cv de potência. A tração integral trata de deixar o brutamontes na direção correta nas ocasiões extremas, mas não há emoção em um X6 num autódromo. 

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A cereja do bolo.

Eu sou daqueles que guarda o melhor pedaço para a última garfada. Com o teste em pista não poderia ser diferente. A patada nas costas assim que pisei no acelerador foi o cartão de visitas do BMW M3, um dos carros ícones mundiais que está prestes a completar 30 anos de existência.

Em 2013, a marca produziu o último cupê do modelo e atualmente só há versão sedã de quatro portas. Mas quem liga para isso? Na pista, o M3 continua viceral. O motor 3.0L twinturbo de seis cilindros que entrega 436 cavalos de potência máxima e 56 kgf.m de torque máximo é arisco, não gosta de domadores e mostra o jeb nocauteador a cada beliscada no pedal do acelerador.   

Fazer curvas com o M3 é um trabalho muito mais dificil para o corpo do piloto do que para a carroceria do sedã. A sensação é de estar sentado naqueles caças de guerra capazes de dar piruetas e mudanças de rota com a rapidez de um piscar de olhos. O resultado é dor no corpo e a sensação de quero mais. Pena que o talão e cheque não cobre tamanha quantia.

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