Quer um antigo zero quilômetro? Compre um Allard

Modelo J2X MkII tem estilo de carro de outros tempos, mas pode ser comprado novo!
  1. Home
  2. Cultura WM1
  3. Quer um antigo zero quilômetro? Compre um Allard
Gustavo Ruffo
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

- Muita gente que leu a reportagem “Experiência para poucos”, sobre a HB Experience quem não leu pode fazê-lo aqui, deve ter ficado com vontade de comprar um dos carros que serão usados no evento, mas, como quem leu sabe, eles não estão à venda. E o que os torna especiais? O fato de serem carros antigos, em essência, ainda que recentemente fabricados. Pois quem ama antigos e gostaria de comprar um antigo novo por mais contraditório que isso possa parecer tem opção, ainda que vinda do Canadá. E o melhor de tudo: original de fábrica, com autenticidade garantida. Esse carro é o Allard J2X MkII.

A história deste carro começa em 1935, quando o britânico Sydney Allard, piloto por opção e dono de oficina por ofício, comprou um Ford V-8 Coupé, carinhosamente chamado pelos amantes de hot rods como Deuce, e aproveitou seu motor Flathead em uma carroceria de Bugatti.

O resultado foi depreciado por uns, mas enaltecido pelo público das corridas, que via o pequeno carro com motor grande, diferente da maioria dos pequenos esportivos do Reino Unido, como o MG, vencer prova atrás de prova. A equação de sucesso era simples: o motor Flathead produzia pouco mais de 85 cv, mas tinha torque à beça. Aliado ao chassi, com a maior parte de seu peso na traseira, onde havia a tração, o carro conseguia um desempenho invejável.

Nascia assim o CLK 5 e a Allard, fábrica que, utilizando a mecânica de grandes marcas, como Ford, Cadillac e Chevrolet, criou carros com veia competitiva inegável.

Entre os diversos carros criados pela marca, como os modelos J, K e L, o mais famoso foi o J2. Criado em 1949, com a intenção de conquistar o mercado norte-americano, o carro ganhou o potente motor V8 de 331 polegadas cúbicas 5,4 litros da Cadillac, uma nova fórmula de sucesso, já que o carro era relativamente leve pesava 1.133 kg e, com o motor V8, superava facilmente seus concorrentes. Ele ia de 0 a 100 km/h em 7,4 s.

Allard não conseguiu importar os motores para o Reino Unido, tendo de exportar o carro praticamente todo montado para os EUA, faltando apenas o “coração”, que era instalado em Nova York. Além dos motores de Cadillac, o carro recebeu também exemplares da Chrysler, Packard, Lincoln, Oldsmobile e Buick, mas o que realmente marcou história foi o primeiro a ser adotado.

Na edição de 1950 das 24 Horas de Le Mans, Sydney ficou em terceiro lugar com o J2, perdendo para dois Talbot-Lago especialmente preparados para a corrida. Não pense, porém, que ele era uma fera à toa. Sua suspensão dianteira, independente, era nada mais do que um eixo rígido cortado ao meio, com cambagem variável algo parecido com o que acontece com a suspensão traseira do Fusca. Na traseira, a fórmula era uma suspensão De Dion com molas helicoidais, um diferencial positivo em relação à concorrência. De todo modo, a parte dianteira pouco ortodoxa, combinada à alta potência do carro, a seu baixo peso e freios nem sempre eficientes o transformavam em um “carro para macho”, como se costuma dizer. Fazer curvas e frear era tarefa para poucos.

Apesar de bem sucedido nas pistas, o J2 era apertado, algo que foi corrigido no J2X, que teve a posição de instalação de seu motor alterada para dar mais espaço às pernas. Apesar de mais confortável, o novo modelo não teve o mesmo sucesso em corridas, encerrando sua carreira com um número menor de unidades produzidas. No caso do J2, foram 90 unidades; no do J2X, 83.

História moderna

A Allard encerrou suas atividades de construção de automóveis em 1959, mantendo-se até hoje em atividade com a produção de equipamentos de performance e personalização. Sydney morreu em 1966.

Pouco mais de 31 anos depois a morte de seu criador, os carros da Allard voltaria à vida com uma viagem do então consultor de telecomunicações Roger Allard ao Reino Unido. Foi durante sua estadia na terra do Big Ben que ele soube que havia uma marca de automóveis com seu nome. O grau de parentesco entre Sydney e Roger, até onde se sabe, ou é nulo ou muito distante.

Para Roger, o J2X tinha de voltar a ser vendido, com número de chassis de 83, quando a produção do carro terminou, em diante. Para isso, ele se reuniu com a família de Sydney, com o Allard Registry, um clube que cuida da originalidade dos carros da marca, e o Allard Owner’s Club. Conseguiu, com isso, a aprovação para que seus carros fossem considerados originais.

Em seguida, tratou da produção do novo J2X. Os Allard, além da suspensão inusitada, não gozavam de boa reputação em termos de acabamento. Eram carros de competição e pronto, sem concessões que não a algum cuidado com o estilo. Com isso, Roger teve de desenvolver um novo automóvel, respeitando as linhas originais do modelo.

As modificações tiveram de ser feitas para atender às necessidades básicas dos modelos atuais, como normas de segurança e de emissões. Também era preciso estabelecer um método de produção que permitisse chegar a cem veículos por ano, meta inicial da empresa que vem sendo mantida por questões de exclusividade e qualidade.

O resultado é que, apesar de parecer um carro antigo, o Allard J2X tem motor GM RamJet 350 de 5,7 litros, 420 cv a 5.200 rpm e 54,2 kgm de torque a 3.500 rpm. Como no carro fabricado nos anos 1950, o proprietário também pode optar por outros propulsores, como o Cadillac Northstar 32 ou o aclamado Chrysler Hemi 5.7, que equipa o sedã 300C.

Com 4,24 m de comprimento e 975 kg, o carro chega aos 100 km/h, partindo da imobilidade, em cerca de 5 s. Não há concessões em termos de auxílio eletrônico, ou seja, nada de ABS, ESP, EBD etc. Apenas grandes freios a disco nas quatro rodas, de 13”, e suspensão independente nas quatro rodas com cambagem constante, diga-se!. Esse também é um carro que requer braço e juízo para ser conduzido.

O preço estimado dessa pequena maravilha, trazida de volta dos mortos para o presente, é condizente com o tamanho da empreitada e com a proposta de exclusividade: US$ 90 mil, pouco mais de R$ 190 mil. Isso para compra no Canadá, onde o carro é feito. Se fosse importado para o Brasil, o Allard custaria pelo menos o dobro, contando impostos e o lucro de quem o importar. E não exclua o tempo de entrega. Assim como os Morgan, o Allard tem fila de espera. E não é pequena.

Gosta de clássicos e de esportivos?

Então veja aqui no WebMotors as melhores ofertas para esses carros míticos:

Austin

Alfa Romeo

Americar réplicas

Bianco

Chamonix réplica

Ferrari

Jaguar

LobiniMaserati

Mercedes-Benz

MG

MP Lafer

Porsche

Shelby réplica

Willys

Leia também:

Experiência para poucos

Inspirados no passado

Quatro décadas de tradição

Galleria Ferrari

Lancia Aprilia Sport

________________________________

Receba as notícias mais quentes e boletins de manutenção de seu carro. Clique aqui e cadastre-se na Agenda do Carro!

_______________________________
E-mail: Comente esta matéria

Envie essa matéria para uma amigoa

Comentários

Ofertas Relacionadas

logo Webmotors