Relembre 10 carros que ganharam apelidos no Brasil

Mercado brasileiro tem costume de pôr alcunhas carinhosas em automóveis "queridinhos". Vamos reviver alguns epítetos

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André Deliberato
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O brasileiro precisa ser estudado. A frase que diariamente costumamos ver em memes espalhados pela internet também pode ser utilizada para explicar os apelidos que alguns modelos receberam em nosso país. Nessa matéria, vamos relembrar carros que ganharam apelidos no Brasil.

As alcunhas selecionadas foram elencadas por vários motivos. Normalmente "nascem" devido ao formato das carrocerias, mas pode acontecer de elas surgirem por causa de um detalhe, como o desenho de um farol ou pela escolha do garoto-propaganda para o material de divulgação. Lembrou de algum outro? Deixe no campo de comentários!

Por enquanto, falaremos dos carros que ganharam apelidos no Brasil. Mais para frente, faremos a lista de modelos que receberam epítetos lá fora - como "spoiler", podemos adiantar que nossa futura seleção gringa terá o todo-poderoso "Godzilla", alcunha do GT-R, cupê superesportivo da Nissan.

Carros que ganharam apelidos no Brasil

1. Toyota Corolla: "Brad Pitt"

A nona geração do Toyota Corolla, lançada no Brasil no começo da década passada, ganhou o apelido de "Brad Pitt" em referência ao nome do famoso ator hollywoodiano que foi utilizado como garoto-propaganda do veículo.

O apelido vingou pelo simples fato de os dois terem aparecido juntos em alguns comerciais veiculados em rede nacional, o que inclui anúncios em televisão e revistas. Até hoje as pessoas evocam o ator para se referir ao Corolla daquela geração.

Corolla Brad Pitt
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Legenda: Corolla Brad Pitt: apelido vem do ator norte-americano, que foi o garoto-propaganda do carro
Crédito: Reprodução

2. Volkswagen Gol: "batedeira"/"quadrado"/"chinesinho"/"bola"

O carro mais vendido do Brasil por 27 anos teve diversas alcunhas. A primeira delas ficou conhecida como "batedeira", já que a primeira geração do Gol era movida por motores refrigerados a ar e faziam mais barulho do que em modelos mais caros. O segundo apelido, "quadrado", surgiu devido ao formato da carroceria - principalmente depois que a 2ª geração, mais arredondada, foi lançada.

Antes do "quadrado" o Gol chegou a ser chamado de "chinesinho" por causa do formato mais estreito dos faróis - esse apodo era reservado ao hatch produzido entre 1991 e 1995. Por fim surgiu justamente o Gol "bola", que representava a segunda geração do best-seller da Volks. A partir de então ele passou a ser chamado pelo codinome da geração (G3, G4, G5 e por aí vai).

Volkswagen Gol GTI
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Legenda: Versão GTi de 1989: um legítimo Gol "quadrado" e "chinesinho"
Crédito: Divulgação

3. Ford Fiesta: "chorão"/"gatinho"

A primeira geração nacional do Ford Fiesta chegou ao Brasil em 1996, após um período em que o carro foi importado do México. Curiosamente, devido aos faróis caídos para baixo, como se o hatch estivesse "chorando", o modelo recebeu o apelido de "chorão".

Três anos depois a marca norte-americana promoveu uma reestilização no modelo e "levantou" os faróis, que se vistos de longe pareciam orelhas de gato. A alcunha? Fiesta "gatinho". O facelift foi positivo: quatro anos depois, a Ford apresentava a primeira geração do EcoSport, o primeiro SUV compacto do mercado brasileiro, construído sobre a mesma plataforma que o Fiesta.

 Ford Fiesta teve apelidos de "Chorão" e "Gatinho"
Legenda: Ford Fiesta teve apelidos de "Chorão" e "Gatinho"
Crédito: Divulgação

4. Chevrolet Chevette/Monza: "tubarão"

Outro apelido bastante conhecido do mercado de carros brasileiros é o "tubarão", dado à primeira geração do Chevette e à segunda do Monza - curioso, já que as gerações inversamente proporcionais (a segunda do Chevette e a primeira do Monza) eram parecidas e até conectadas visualmente. A alcunha vinha do formato da carroceria, mais afilada e de perfil mais agressivo.

O Chevette, aliás, é um dos modelos mais queridos pelos fãs de automóveis clássicos, justamente pela tocada mais esportiva oferecida pelo sistema de tração traseira - ausente no Monza, que substituiu o modelo e adotou motor transversal e tração dianteira. Outro fato curioso é que ambos os "tubarões" (o primeiro Chevette e o segundo Monza) costumam ser mais caros.

Monza Tubarão
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Legenda: Chevette ou Monza "Tubarão" são os mais buscados - e mais caros - pelo mercado de usados

5. Fiat Uno: "botinha ortopédica"

O Uno Mille clássico, vendido pela Fiat entre 1984 e 2014, foi apelidado de "botinha ortopédica" por causa do formato da carroceria, obviamente. Foi, claro, o desenho quadradinho e de certo modo até parecido com uma bota que originou o nome inusitado. Admita: o brasileiro realmente precisa ser estudado.

O Uno Mille - que em seu final de vida passou a se chamar só "Mille" e deixou o nome "Uno" para a nova geração lançada em 2010 - saiu de linha em 2014 após 30 anos no mercado por forças da lei, já que não seria capaz de oferecer equipamentos de segurança que passariam a ser obrigatórios no início de 2015.

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Legenda: Fiat Uno Mille, segundo os fãs, lembra uma botinha ortopédica
Crédito: Reprodução

6. Fiat 147: "cachacinha"

Adivinhem qual foi o apelido do primeiro carro brasileiro movido a álcool? Pois é, o Fiat 147 em julho de 1979 recebeu esse apelido pelo "cheiro de bebida" que saía do escapamento. O etanol, combustível derivado da cana-de-açúcar, foi a solução brasileira para crise do petróleo que aconteceu no começo dos anos 1970.

Para desenvolver a tecnologia, a Fiat optou por um motor 1.3, do qual conseguiu extrair 62 cv e 11,5 kgf.m de torque, cerca de 10 cv a mais que o exemplar a gasolina. O primeiro 147 Cachacinha ainda está com a Fiat, na sede da marca em Betim (MG), embora pertença ao Governo Federal.

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Legenda: Fiat 147 "Cachacinha" foi o primeiro carro movido a álcool (à época ainda não existia o termo "etanol") do Brasil
Crédito: Acervo/Fiat

7. Volkswagen Fusca: "Fafá"/"Itamar"

O carro mais famoso da história da Volkswagen também teve diversos apelidos - além de vários nomes espalhados pelo mundo, como Beetle (EUA), Vocho (México), Käfer (Alemanha) e Carocha (Portugal). Curiosamente (essa reportagem está cheia de curiosidades, hein?) o nome original do carro nem era Fusca, e sim "Sedan".

Por aqui, foi chamado de "Fusca", "Fusquinha" e "Fuscão" (em referência ao porte, tamanho das lanternas e força do motor), mas dois apelidos ficaram bastante conhecidos: Fafá e Itamar.

O primeiro, "Fafá", surgiu em 1979, quando o Fusca recebeu lanternas traseiras maiores e em formato circular. Em uma época em que a sociedade era ainda mais machista que nos dias de hoje, os consumidores não tardaram a associar as volumosas lanternas aos seios de Fafá de Belém.

Já a alcunha "Itamar" veio só em 1996, quando o modelo voltou a ser fabricado em São Bernardo do Campo (SP) depois que a Volkswagen atendeu ao pedido de 1993 do presidente Itamar Franco, que havia aprovado a chamada "Lei do carro popular", que previa isenções de impostos para veículos com motor 1.0 e/ou que tivessem refrigeração a ar - caso do Fusca, que era equipado com um 1.6.

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Legenda: O então Presidente Itamar Franco ao lado do Fusca "Itamar"
Crédito: Reprodução

8. Volkswagen Golf/Ford Escort: "sapão"

O Volkswagen Golf de quarta geração e o último Ford Escort fabricado no Brasil foram apelidados de "sapão". Embora a alcunha seja idêntica, os dois carros nada têm a ver em relação a projeto de construção, já que surgiram depois do final da joint-venture entre Volkswagen e Ford, conhecida como Autolatina, em 1995.

O Golf "sapão" é aquele modelo tradicional, vendido no Brasil entre o final dos anos 1990 e 2006, que compartilhava plataforma com o Audi A3, em São José dos Pinhais (PR). Já o Escort leva o apelido em sua segunda e terceira gerações, lançadas em nosso país em 1992 (como modelo 1993) e 1996 (como linha 1997), respectivamente.

 Ford Escort Zetec, de terceira geração, é conhecido como Escort "sapão"
Legenda: Ford Escort Zetec, de terceira geração, é conhecido como Escort "sapão"
Crédito: Reprodução

9. Chevrolet 3100: "Martha Rocha"

Uma lenda nacional dizia que a Miss Brasil Martha Rocha não foi eleita Miss Universo em 1954 devido aos quadris "exagerados". Em teoria, ela teria perdido a competição mundial por ter duas polegadas a mais do que era considerada a "perfeição". O mito acabou desmentido, mas o boato originou um dos apelidos de carros mais icônicos do país: a picape Chevrolet Martha Rocha.

Na realidade, o nome do carro era 3.100. O fato curioso é que na mudança da picape para a linha 1955, um dos aperfeiçoamentos foi o acréscimo de 5 cm à distância entre-eixos - exatamente duas polegadas na conversão direta. Apostamos que deu para entender de onde surgiu a relação, né?

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Legenda: Chevrolet 3100 "Martha Rocha" durou de 1955 a 1957, mas apelido existe e é famoso até hoje
Crédito: Reprodução

10. Volkswagen Kombi e Towner: "pão de forma"

Finalizamos nossa lista de apelidos nacionais com o termo "pão de forma", dado à Volkswagen Kombi e à Towner, minivan da Asia Motors vendida no Brasil entre os anos 1990 e 2000. A alcunha, como se pode imaginar, veio exatamente pelo formato dos dois carros.

A Kombi saiu de linha junto com o Fiat Uno (e alguns outros carros, como o Gol G4) em 2014 por não conseguir cumprir os requisitos de segurança impostos pelas novas leis. Já a Towner, o "pãozinho" que fez a alegria dos vendedores de cachorro-quente no final do século passado, voltou a ser importada para cá em 2008, pela CN Auto, mas deixou nosso mercado alguns anos depois devido aos baixos números de vendas. Deu saudade do dog da tia Marta!

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Legenda: Olhe a Kombi de longe e ignore as rodas: ela não parece um pão de forma?
Crédito: Divulgação
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