Tsunami chinês sobre rodas

Veja previsões do I-Ching sobre o destino das marcas asiáticas no Brasil
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Adriana Bernardino
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I-Ching – O Livro das Mutações, que é, ao mesmo tempo, filosofia e oráculo chineses, afirma que nada é permanente. As fabricantes de automóveis no Brasil que o digam. Desde o Salão do Automóvel de 2010, quando as marcas asiáticas anunciaram suas novidades para o mercado brasileiro a preços competitivos, um leve tremor sacudiu o até então previsível e próspero terreno nacional para as marcas tradicionais. E, se depender das previsões do sacerdote taoista Wagner Canalonga, especialista na interpretação do I-Ching, a onda oriental vai ganhar proporções de um tsunami. Duvida?

É sábio lembrar que, além do I-Ching, o livro de estratégia A Arte da Guerra, de Sun Tzu, também é chinês. Nele, o autor aconselha: “Enquanto não tenhas observado vulnerabilidades na ordem de batalha dos adversários, oculta tua própria formação de ataque, e prepara-te para ser invencível, com a finalidade de preservar-te. Quando os adversários têm ordens de batalha vulneráveis, é o momento de sair e atacá-los”.

Pelas últimas notícias – Chinesas são maioria no mercado brasileiro,
Noble Nano chega ao mercado em novembro, Lifan vai produzir no Brasil, QQ ajuda a Chery crescer 369% – não há dúvida. As chinesas fizeram a lição de casa e descobriram um dos pontos mais vulneráveis do mercado nacional: o preço.

A aposta das orientais é alta. Quatro fábricas chinesas estarão em operação nos próximos anos no Brasil: Chery, Effa, Lifan e JAC. Esta última, só com o J6, comprometeu-se com a meta de vender até 1.500 unidades por mês – mais do que o dobro da média mensal do Chevrolet Zafira, líder do segmento. Será que o futuro é tão favorável quanto parece? Por quanto tempo? Nós consultamos o I-Ching para descobrir.

Perspectiva para as marcas chinesas
no Brasil a longo prazo


Segundo o I-Ching, tudo que existe está configurado a partir das polaridades Yin e Yang. “Como o computador, que gera tudo a partir de zero e um, a natureza também é dual: positivo e negativo, inspirar ou expirar, dia ou noite, viver ou morrer, crescer ou diminuir, exteriorizar ou interiorizar, recuar ou avançar”, explica Wagner Canalonga. A partir desse princípio, o I-Ching possibilita saber como se harmonizar com as circunstâncias, avançando no momento propício; recuando quando os caminhos estão fechados. 

Para a leitura, o sacerdote usa três moedas chinesas e/ou 50 varetas. As moedas são jogadas seis vezes, de forma que o resultado forme um hexagrama. O oráculo apresenta, ao todo, 64 deles. O hexagrama que responde a nossa pergunta é o 51, Comoção. De acordo com a interpretação do sacerdote, Comoção tem energia de terremoto. “As chinesas estão chegando com muita energia, abalando o que já estava estabelecido, estruturado”. Segundo o hexagrama, será como um trovão, que vai se repetir mais vezes e com muito vigor. “As fabricantes farão investidas intensas e repetidas no mercado nacional. O resultado será estrondoso e irá mexer com o equilíbrio local”.

Para Canalonga, a presença das chinesas terá, no período de até quatro anos, o impacto de um tsunami no segmento automobilístico, “derrubando” construções e abalando estruturas, o que será muito positivo para o consumidor brasileiro. “O chacoalhar trará perspectivas para renovação e reestruturação do mercado”.

Depois de tal reconfiguração, a tendência é de que o avanço oriental desacelere. Segundo o sacerdote, há ainda muitas novidades asiáticas a caminho – e muitas delas obrigarão as fabricantes tradicionais a reverem suas estratégias –, mas os abalos não são de longa duração. Nesse período, alerta Canalonga, algumas marcas chinesas correm o risco de terem sua imagem manchada. “Em determinado momento, algumas fabricantes podem tentar ações muito fortes num terreno instável, e se prejudicar. Até lá, entretanto, as líderes de mercado vão tomar sustos repetidos”.

Há um momento oportuno para cada
empreendimento debaixo do céu


Tanto para as marcas tradicionais quanto para as novas que querem explorar o pote de ouro no fim do arco-íris tupiniquim, fica o conselho do sacerdote taoista para lidar com os altos e baixos: “se só quero crescer, sofro quando chega o momento da diminuição; brigo, recuso e pago um preço por isso. O mais sábio é se harmonizar. Está quente? Aproveitamos a praia. No frio, apreciemos as montanhas. Não adianta lutar contra os movimentos naturais da vida”, afirma.

A nós, consumidores brasileiros, resta aproveitar. O tempo promete melhorar para nossos bolsos na compra dos próximos carros.
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