Um “T” de Ford

Bigode, Fordinho, Calhambeque ou Chimbica: ele fez história
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- Neste ano a Ford comemora um século do início da produção de um de seus maiores sucessos automotivos. O Ford modelo T, mais conhecido no Brasil como Ford Bigode, mudou o rumo da história do automóvel e de sua fabricante.

História

Em 1908, a Ford tinha apenas 5 anos de atividade e já havia produzido 19 modelos de veículos, que dispensavam a tração animal, assim o modelo T foi o vigésimo projeto do fabricante e precursor de várias mudanças na fabricação de automóveis.

O Ford modelo T foi lançado em 1908, porém em 1913 Henry Ford iniciou uma nova técnica de montagem, a linha de produção, com isso em cerca de 12 horas um novo veículo ficava pronto para ser comercializado. Antes dessa inovação um automóvel demorava muito tempo para ficar pronto.

No Brasil, o Ford modelo T chegou no final da década de 1910 e ganhou o apelido de Ford de Bigode, pois a posição das duas alavancas, uma de aceleração e outra de avanço de ignição, abaixo do volante, lembravam muito o acessório facial utilizado pelos senhores da época. Outros apelidos foram designados para o confiável modelo T como Fordinho, Calhambeque, Chimbica, entre outros, mas isso só reforça a fama e a longevidade que esse robusto veículo tem se apresentado desde seu lançamento.

No início de sua produção, mais precisamente de 1908 a 1913, o modelo T contava com uma gama variada de cores, porém durante os testes descobriram que a cor preta secava mais rapidamente e também era mais barata, que qualquer outra pigmentação, surgiu assim a celebre frase do senhor Henry Ford "Faço carros de todas as cores desde que sejam pretos".

O preço do modelo T foi outro fator que contribuiu para seu grande sucesso e longevidade. O veículo começou a ser vendido por US$ 890, enquanto os carros concorrentes custavam entre US$ 2 mil e US$ 3 mil. E em seu último ano de produção era entregue por apenas US$ 260 cerca de US$ 3,4 mil, em valores atuais.

Em 1920 metade da frota de automóveis que circulava no mundo era composta pelo Ford modelo T. Sua produção durou até 1927 e mais de 15 milhões de unidades saíram da linha de montagem, recorde superado apenas na década de 1980 pelo VW Fusca.

Construção e Opcionais

Sua Estrutura era toda construída em madeira, somente suas chapas externas e o chassis eram fabricados em aço. Apresentava freios a tambor e acionados por varão apenas no eixo traseiro, pois os engenheiros da época acreditavam que freios dianteiros poderiam capotar o veículo, que atingia velocidade máxima de 55 km/h.

O Ford T podia ser adquirido com vários tipos de carrocerias desde uma pick up, passando por furgões e sedans ou cupês, conversíveis ou com capota rígida.

No painel estavam dispostos um amperímetro e um hodômetro, pois o termômetro do líquido de arrefecimento ficava na tampa do radiador. Sua direção era considerada leve para os padrões da época. Seu tanque de combustível estava localizado debaixo do banco dianteiro, o que obrigava sua remoção para o abastecimento.

O câmbio do Ford T, que possuía três marchas &ndash duas à frente e uma ré &ndash utilizava engrenagens epicicloidais, utilizadas atualmente em transmissões automáticas, que eram muito mais duráveis e silenciosas, seu acionamento era feito com o auxílio de pedais, mas a alavanca do freio de estacionamento deveria estar na posição correta, caso contrário as marchas não passavam.

O modelo T foi desenvolvido para ser um veículo confiável e de fácil condução, prova disso é a grande quantidade de veículos desse tipo que ainda permanecem em funcionamento nas mãos de saudosistas e colecionadores.

Condução

Dirigir um veículo do início do século XX não era uma tarefa das mais fáceis e o Fordinho seguia a mesma tendência.

O condutor devia ligar a chave, que permitia a passagem de corrente elétrica da bateria para o sistema de ignição magneto, acertar o ponto de ignição na alavanca esquerda abaixo do volante, não podia ficar nem muito atrasado, nem muito adiantado, ajustar a alavanca de aceleração, que ficava abaixo do volante, porém do lado direito. Se dirigir até a frente do veículo para acionar o motor com o auxilio de uma manivela, quando tudo colaborava, bastavam de três a cinco voltas para o motor iniciar seu trabalho.

Esse era apenas o início do trabalho do condutor, pois alguns veículos contavam com faróis iluminados à carbureto, o que obrigava o motorista a acendê-los antes de trafegar.

E ainda tinha a própria condução do Fordinho, que apesar de dispor de três pedais, suas funções eram muito diferentes dos atuais: o primeiro pedal da direita acionava o freio de trabalho, o segundo pedal acionava o acoplamento da marcha à ré e por fim o terceiro pedal fazia o engrenamento da primeira marcha, neutro e segunda marcha, sendo que não existia o desacoplamento proporcionado pelos modernos sistemas de embreagem. A troca de marchas era feita no tempo do motor, como nas caixas secas.

Agora, imagine a tarefa de acelerar em uma alavanca abaixo do volante, avançar a ignição, em outra alavanca, para acompanhar a rotação do motor, permitir que a rotação caísse até níveis aceitáveis para a troca de marcha e, além disso, se preocupar com animais e pedestres, que não estavam acostumados com a circulação de automóveis nas vias públicas.

Ainda devemos levar em consideração, que nesta época não existia o ar-condicionado, a direção hidráulica e outros acessórios que facilitam a vida do motorista moderno, mas um fato o condutor daquela época era privilegiado em relação aos atuais, não havia congestionamento, nem falta de vagas para estacionar seu reluzente Ford Bigode.

Vários finais

Atualmente há três tipos de interessados nos modelo T, aqueles que desejam preservar a história da indústria automobilística, aqueles que querem um veículo antigo e confiável, e aqueles que pretendem atualizar sua mecânica conservando a maioria de seus traços originais.

Não foi por acaso que ele foi escolhido como o carro do século, dentre todos os veículos produzidos no séc. XX. Essa votação foi bastante controversa, porém um fato ninguém pode contestar, se não fosse o modelo T o automóvel não seria tão popular e tão evoluído como é atualmente.


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