Villa D’Este reúne preciosidades na Itália

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Gustavo Ruffo
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- O mundo dos carros antigos não cultua apenas os nomes de veículos raros, mas também os dos locais onde essas preciosidades se reúnem. Se Pebble Beach é um dos mais conhecidos, nos EUA, e a Techno Classica é a maior feira que trata sobre antigomobilismo, Villa D’Este é um dos mais charmosos, especialmente por acontecer na Itália. É tão respeitada que até uma marca alemã, a BMW, se dispôs a patrocinar a edição deste ano, sem fazer muito alarde.

Segundo aqueles que tiveram a chance de comparecer, e foram poucos, selecionados a dedo pela organização, o clima todo é propício a deixar que apenas os carros brilhem, e que brilhem muito. Não há estandes, shows de música nem nada que desvie a atenção das estrelas principais. E elas estão aqui, para que você, leitor do WebMotors e apreciador de carros antigos, também possa se sentir em Como, a cidade que sedia o evento.

Quando se diz que os presentes são selecionados a dedo não é mero modo de se expressar: é a mais pura verdade. Além dos jornalistas e colecionadores de todo o mundo, apenas uns poucos convidados podem comparecer ao “concorso”, realizado desde setembro de 1929. Tudo para que se possa admirar alguns dos carros antigos mais raros e valiosos que existem, normalmente guardados em coleções particulares muito bem protegidas. E também para que esses poucos conhecedores pudessem escolher pessoalmente o melhor veículo do evento.

Esse troféu, chamado “Coppa D’Oro Villa D’Este”, foi dado ao Isotta Fraschini 8 A SS Torpedo Sport Castagna 1930 1 de Corrado Lopresto. O carro era equipado com um potente motor de oito cilindros em linha, com comando de válvulas no cabeçote, capaz de gerar 141 cv a baixíssimos 2.600 rpm tudo bem, a marcha lenta estava em cerca de 300 rpm.... A cilindrada deste belo carro era de 7.372 cm³ e sua carroceria, única, foi feita pela Castagna, como o nome bem diz. Vendido para os EUA logo que foi fabricado, ele pertenceu a um advogado por mais de 50 anos antes de ser levado de volta à Europa. Seu preço era para poucos: custava mais do que o melhor carro americano da época e um dos mais incríveis do mundo até hoje, o Duesemberg, rivalizando com os Rolls-Royce. Eram cerca de US$ 20 mil nos anos 30. Como base de comparação, um Mustang, cerca trinta anos depois, custava pouco mais de US$ 2.000...

A escolha do público não bateu com a dos jurados, que premiaram o Ferrari 410 Super America Coupé Pinin Farina 1959 2, de Peter S. Kalikow, como o melhor do evento. Pudera: ele foi um dos últimos a receber o famoso motor V12 Lampredi, de bloco longo e 4.962 cm³, o mais comprido que a Ferrari já fez até hoje, com 366 cv a 7.000 rpm. Só 12 foram construídos, a maioria encarroçada pelo mestre Pinin Farina.

Apesar de todo o cuidado com os carro, isso não impediu que existisse um prêmio para o colecionador que tivesse trazido seu carro de mais longe, batizado de “Trofeo Automobile Club de Como”. Detalhe: não foi em carreta, não, foi no braço, guiando o bicho. O prêmio chegou às mãos de Tony Badenoch, dono do BMW 3,0-litros CSL Coupé Karmann 1974 3que ilustra essa página e que foi guiado de Londres até a cidade italiana. O carro pertenceu ao corredor alemão Hans Stuck, atualmente no campeonato de GP Masters.

Na categoria do mais belo Pinin Farina da mostra, o vencedor foi o Ferrari 400 SA Coupé Aerodinamica Pinin Farina 1963 4, de Peter McCoy. Outros dois antigos, o Bugatti Aravis Cabriolet Gangloff 1939 5 e o Rolls-Royce Phantom I Experimental Jarvis 1928 6 também foram premiados e aparecem nessa página.

Mas a Villa D’Este teve mais do que os antigos, apenas. Numa discussão de design, o Alfa Romeo 8C Spider 2005 7 foi agraciado como o modelo de desenho mais bonito da mostra. Outra surpresa foi a presença do primeiro carro conceito da Rolls-Royce, o 101EX 8, muito menos feliz em desenho.

No Brasil, um evento que dá um pouco do gosto que se sente nesses eventos é o de Araxá, em Minas Gerais, que antigamente era ambientado em São Lourenço. Como apreciador de carros que é, WebMotors estará lá para contar a você a viagem no tempo que esses encontros permitem fazer.
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