Volta nostálgica de Brasilia 1982

Mistura de van com hatch da VW deu conta do recado
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Há exatos 30 anos, um ícone da indústria brasileira deixava as linhas de montagem em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Junto com a seleção Brasileira de futebol, que encantou o mundo na Copa daquele ano, a VW Brasilia deixou o já competitivo mercado brasileiro mais cedo. A missão da pequena perua não era nada fácil, ser uma opção mais atualizada em relação ao seu primo Fusca. Mas a mistura de van com hatch da VW conseguiu cumprir com o seu dever de forma brilhante.



Líder absoluta em vendas no começo da década de 1970, a VW queria se precaver, já que a concorrência também estava de olho no mercado de compactos. A Chevrolet, por exemplo, estava prestes a lançar o Chevette.

Em 1970, o então presidente da Volkswagen, Rudolph Leiding, desafiou seus engenheiros a desenvolver um carro que suprisse todas as necessidades que faltavam no Fusca, porém, utilizando a mesma mecânica. Na prancheta, o novo modelo teria que apresentar um maior espaço interno, ter um visual mais contemporâneo e uma maior área envidraçada. Após alguns desenhos, José Vicente Martins e Márcio Piancastelli vieram com o que seria a Brasilia que conhecemos hoje.

O modelo em escala natural levou três meses para ficar pronto, no entanto, o chassi do Fusca se revelou estreito demais para a proposta da Brasilia e foi substituído pelo do Karmann Ghia. Tomada essa decisão, era preciso acelerar o projeto, pois a General Motors do Brasil estava prestes a lançar o seu primeiro compacto mundial, o Chevette, e a ideia era dividir as atenções da imprensa e do público.

Três anos mais tarde, Leiding em visita ao Brasil, dessa vez como presidente mundial da VW, viu suas diretrizes iniciais serem cumpridas à risca. A Brasilia era 17 cm mais compacta do que o Fusca, no entanto, seu interior era mais espaçoso e passava logo de cara essa sensação, graças as suas linhas retilíneas mais contemporâneas e grande área envidraçada. Já o interior deixava claro de que se trava de um mais moderno do que seu primo alemão, graças ao desenho, materiais e tipos de tecidos empregados.

O motor era o consagrado VW 1.600 refrigerado a ar que já equipava diversos modelos da montadora e produzia 60 cavalos. Em 1974 era oferecido, como opcional, a dupla carburação, que passou a ser de série em 1976. Desse modo, além de melhorar o desempenho em cinco cavalos e diminuiu-se o consumo. A Brasilia, com esses ajustes, levava cerca de 23 segundos para atingir os 100 km/h e fazia em média 13 km/L.

Após nove anos de fabricação, apesar do volume considerável de vendas, cerca de 950 mil unidades (sem contar as que foram exportadas para a África, América do Sul e Filipinas e os modelos fabricados no México entre 1974 e 81) a Brasilia deu lugar ao Gol por uma razão simples: sua carroceria não permitia criar uma família de modelos, como sedan, perua e picape. Algo que os concorrentes Chevette, Corcel e 147 já ofereciam. Tanto que, ela recebeu poucos investimentos, apenas uma reestilização e uma rara versão quatro portas.

O modelo das fotos é do último ano de fabricação da Brasilia, 1982, e com apenas 3.400 km rodados, ou seja, praticamente, zero! Tive o prazer de andar no carro e ele é silencioso como se tivesse saído da concessionária há pouco tempo, mesmo passando pelas ruas de pavimentação duvidosa de São Paulo.



O prazeroso odor do interior é o mesmo de um carro novo, já que os bancos, painéis e forração permanecem quase que imaculados. O pneu estepe, diagonal da Pirelli, ostenta sua “penugem”, sem nunca ter tocado o solo em três décadas no porta-malas. Este, por sua vez, também nunca foi incumbido de carregar uma valise sequer.

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