Todo mundo conhece alguém que sempre anda com o carro na reserva. É aquela pessoa que vê a luz do combustível acender e pensa: "ainda dá". Depois ela vê a autonomia cair para 30 quilômetros e pensa: "ainda dá". Quando chega nos 10 quilômetros restantes, continua repetindo a mesma frase.

E existe um estágio ainda mais avançado: a reserva da reserva. É quando a luz já está acesa há tanto tempo e o carro quase implora para que o motorista pare e abasteça.
Bom, eu tenho alguém em mente enquanto escrevo essa matéria... e provavelmente você também. Mas, se não conhece, existe uma boa chance de que essa pessoa seja você.
Brincadeiras à parte, rodar com o carro na reserva ocasionalmente não costuma causar problemas. Afinal, a reserva existe justamente para dar uma margem de segurança até o próximo abastecimento. O problema aparece quando isso vira rotina.
Muita gente imagina que a reserva seja uma espécie de tanque secreto guardado para emergências. Mas não é assim que funciona.
Na prática, a reserva é apenas um aviso programado pela fabricante para indicar que o combustível está acabando. Quando a luz acende no painel, ainda existe uma quantidade de combustível suficiente para percorrer alguns quilômetros com tranquilidade.
O volume varia conforme o modelo, mas normalmente fica entre cinco e 10 litros.
Por isso, quando o carro entra na reserva, a mensagem é simples: está na hora de procurar um posto. Não significa que você precise parar imediatamente, mas também não é um convite para adiar o abastecimento até amanhã.
Esse é o principal motivo pelo qual especialistas recomendam evitar o hábito. Em muitos veículos, a bomba de combustível fica instalada dentro do tanque e usa o próprio combustível para ajudar no resfriamento durante o funcionamento.
Quando o carro passa muito tempo na reserva, a peça pode trabalhar em condições menos favoráveis, aumentando o desgaste ao longo dos anos.
Isso não significa que a bomba vai queimar no momento em que a luz acender no painel. Se fosse assim, metade dos motoristas brasileiros já teria ficado a pé pelo menos uma vez.
O problema é a repetição do hábito. Quanto mais frequentemente o carro roda na reserva, maior tende a ser o desgaste do sistema.
Essa é outra preocupação bastante comum. Com o passar do tempo, pequenas impurezas podem se acumular no fundo do tanque. O sistema de combustível possui filtros justamente para impedir que esses resíduos cheguem ao motor, mas rodar constantemente com pouco combustível pode aumentar a circulação dessas partículas pelo sistema.
Na prática, isso pode antecipar a necessidade de troca de filtros e aumentar o desgaste de alguns componentes. Não é algo que acontece da noite para o dia, mas é mais um motivo para não transformar a reserva em estilo de vida.
Esse é o risco mais óbvio. Por mais avançado que seja o carro, existe uma regra que continua valendo: sem combustível, não anda (a não ser que seja um elétrico).
Quando o tanque esvazia completamente, ocorre a chamada pane seca. Além da dor de cabeça de ficar parado no meio do caminho, a situação pode gerar transtornos para outros motoristas e até resultar em multa, dependendo das circunstâncias. A consequência é um gasto de R$ 130,16 e quatro pontos na CNH.
Por isso, confiar cegamente na autonomia restante mostrada no painel pode não ser uma boa ideia. Ela é apenas uma estimativa e pode mudar conforme o trânsito, o relevo e o estilo de condução.
Essa é uma das dúvidas mais pesquisadas pelos motoristas. A resposta, porém, não é tão simples.
A autonomia depende da quantidade de combustível restante, do consumo médio do veículo e das condições de uso. Em alguns modelos, a reserva pode render mais de 50 quilômetros. Em outros, o número pode ser bem menor.
É justamente por isso que os especialistas recomendam não tratar a autonomia restante como uma missão a ser cumprida até o último quilômetro.
Não. Esse é um dos mitos mais populares quando o assunto é combustível.
O fato de o tanque estar quase vazio não faz o motor consumir mais nem menos combustível. O gasto continuará sendo determinado pelas características do veículo e pela forma de condução. O que muda é apenas a quantidade disponível para continuar rodando.
Usar a reserva de vez em quando não é motivo para preocupação. Ela existe justamente para isso.
O problema surge quando o carro na reserva deixa de ser uma exceção e passa a fazer parte da rotina. Com o tempo, essa prática pode aumentar o desgaste da bomba de combustível, favorecer a circulação de impurezas no sistema e elevar as chances de uma pane seca.
Por isso, o ideal é enxergar a luz acesa no painel como um lembrete para abastecer, não como o início de um desafio pessoal para descobrir até onde o carro consegue chegar.
Afinal, uma coisa é entrar na reserva. Outra bem diferente é tentar descobrir onde fica a misteriosa reserva da reserva.
Saiba mais:
Webmotors TV é do Brasil inteiro! Agora, todos os domingos, às 8h30, você assiste o melhor do conteúdo automotivo direto da sua casa, no SBT.
Testes, comparativos, dicas, serviços, lançamentos e tudo mais que envolve o universo dos carros e das motos no Brasil e no mundo estarão na tela da sua TV! Com apresentação de Letícia Datena, nos encontramos aos domingos, das 8h30 às 9h, no SBT!
[embed]