Anfavea se pronuncia sobre o aumento do IPI e “não vê prejuízo ao consumidor”

Segundo presidente da entidade, medidas são duras, mas necessárias
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Rodrigo Ribeiro
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– Três dias após o governo decretar uma mudança no IPI dos carros – em especial os importados – a Anfavea, associação que reúne as montadoras com fábricas no Brasil, se pronunciou sobre o tema. Durante a coletiva de imprensa realizada na segunda-feira 19, em São Paulo, Cledorvino Belini foto, presidente da entidade e da Fiat-Chrysler América Latina, afirmou, entre outras coisas, que “não haverá prejuízo ao consumidor” e que “os preços devem ser mantidos”, mas não assumiu um compromisso.

Para Belini, por causa da atual “conjuntura econômica”, as medidas “são duras, mas necessárias”. O executivo destacou a entrada maciça de carros importados nos últimos três anos, o que desequilibrou a balança comercial – mais carros a maioria de alto valor começaram a entrar, enquanto as exportações de carros populares foram mantidas.

Quando questionado até que ponto a repentina medida era necessária, Belini lembrou, em tom elevado de voz, que a Suíça abandonou o câmbio flutuante para conter a invasão de dólares no mercado. O presidente da Anfavea não explicou a comparação com o país europeu, que atualmente tem participação discreta no mercado de automóveis.

Preços estáveis
Outro tema abordado na coletiva foi um possível aumento de preços. Para a Anfavea, os valores seguirão estáveis, pois “o mercado limita o aumento de preços”, destacou Belini. Evasivo, o dirigente afirmou que ainda é cedo para avaliar o impacto da nova tabela do IPI, que vale até o final de 2012.

Segundo a visão da Anfavea, o decreto governamental não visa proteger os interesses das principais montadoras sediadas no País, e sim, estimular a indústria nacional como um todo, em especial a inovação – a medida obriga as fabricantes a investir 0,5% de sua receita em pesquisa e desenvolvimento. A fiscalização disso, contudo, será feita somente pelo governo e manterá os valores aplicados em sigilo.

Belini também afirmou que as mudanças não objetivavam um aumento da demanda – daí a opção pelo aumento do IPI, ao invés de reduzi-lo para carros nacionais. Indagado sobre o crescente estoque das associadas da Anfavea – chegando a 37 dias em agosto, quando o ideal é 30 dias – Belini afirmou que isso foi “uma distorção no estoque”.

Estímulo aos investimentos
Durante toda a apresentação, a Anfavea ressaltou em especial dois pontos a respeito das mudanças. O primeiro é que suas próprias associadas serão prejudicadas. O segundo é que o aumento do IPI não irá prejudicar os investimentos no Brasil, e sim, estimulá-los.

Sobre o prejuízo “em casa”, Rogério Golfarb, diretor de assuntos corportativos da Ford, pontuou o caso do Edge, importado do Canadá e que sofrerá reajuste em seu preço. Entre as quatro maiores associadas da Anfavea, porém, as mudanças terão pouco GM, Ford e Volks ou nenhum impacto, sendo este o caso da Fiat. As maiores prejudicadas pela mudança Mercedes-Benz, Volvo, Hyundai-CAOA e Audi ligadas à entidade não levaram representantes para a coletiva de imprensa.

E Belini, aos brados, ressaltou que “precisamos atrair investimentos para o Brasil”. Contudo, nenhum dos executivos da Anfavea comentou sobre o possível cancelamento da fábrica da JAC no Brasil, anunciada por Sérgio Habib na última sexta-feira 16. A entidade também não respondeu aos questionamentos dos jornalistas do por que até hoje a indústria nacional não investir em carros com elevada tecnologia embarcada, que é o caso dos importados agora sobretaxados.

Fique por dentro da recente mudança no IPI nas últimas matérias que o WebMotors publicou sobre o tema:

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