Antecipação proveitosa

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Fernando Calmon
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- No apagar das luzes do ano legislativo de 2004 saiu o relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito CPMI sobre as graves irregularidades envolvendo os desmanches de veículos.

Durante mais de um ano se investigou a atuação de quadrilhas que adquirem carros sinistrados com perda total e conseguem “recuperá-lo” por meio de uma remontagem com peças de outros veículos furtados ou roubados. Apesar dos indícios de envolvimento de funcionários dos departamentos estaduais de trânsito, ninguém foi formalmente acusado.

Algumas propostas de solução emergiram, incluindo a fiscalização da atividade dos desmanches ou ferros-velhos. Estes comercializam componentes de carros sinistrados e mesmo que chegaram ao fim de sua vida útil, mas com peças ainda aproveitáveis. O problema cresceu com o volume de 700.000 unidades roubadas por ano em todo o Brasil, das quais cerca de metade não é recuperada pela polícia ou por empresas particulares de rastreamento e localização. Outra sugestão é tornar o proprietário responsável pela baixa no registro. Isso hoje é feito pelas seguradoras ou por quem está adquirindo as carcaças destruídas.

Também se chegou a recomendar a simples transformação do veículo em sucata. Talvez uma influência de filmes americanos que imortalizaram cenas de máquinas trituradoras e compactadoras. Hoje a tendência é diferente em conseqüência da proteção ao meio ambiente e o reaproveitamento racional em técnicas de reciclagem. O ponto de partida passa por uma lei sobre sucata existente ou prestes a existir. Foi assim que em 2002, na Espanha, surgiram firmas bem organizadas de desmontagem, identificação e revenda de peças retiradas de automóveis acidentados ou inviáveis para continuar rodando. Lá, sai de circulação um milhão de veículos/ano no Brasil, estimam-se 800 mil.

Uma das iniciativas de sucesso, ainda em 1998, foi do Cesvi Centro de Experimentação e Segurança Viária espanhol. Criaram uma nova companhia aproveitando o suporte técnico desenvolvido ao longo de 25 anos para estudar acidentes, danos materiais e gastos com recuperação por delegação das seguradoras. Exames minuciosos diagnosticam se vale a pena e quanto custa consertar. Depois de desmontar, são feitas análises rigorosas e separação dos componentes reutilizáveis no conserto de outros carros. As demais seguem para reciclagem ou sucateamento.

Só peças aprovadas são oferecidas ao mercado de reposição por um preço muito mais em conta e, importante, com garantia. Itens mecânicos, eletroeletrônicos, de carroceria e acessórios estão incluídos, mas nenhum componente de segurança é comercializado. O número de desmanches na Espanha caiu de 3.000 para 500 desses centros especializados. Uma lei regulamentada em 2004 do mesmo modo estimulou o Cesvi da Argentina a repetir a experiência espanhola e, em breve, terá instalações semelhantes. Inclusive para atender aos trâmites legais agora exigidos das seguradoras.

O Cesvi Brasil existe há 10 anos, como no país vizinho, e o seu bem-equipado e moderno centro de testes e pesquisas funciona desde 1996 em São Paulo, SP. A exemplo da matriz espanhola, poderia se antecipar às possíveis leis e criar uma empresa semelhante. O meio ambiente, a moralidade e o bolso dos consumidores agradeceriam penhorados.

RODA VIVA

APESAR do inesperado aumento das vendas ao mercado interno em dezembro último — quase 180.000 unidades ou 2,1 milhões na projeção anualizada — a Anfavea preferiu manter suas previsões conservadoras para 2005. Algo como 4% de crescimento contra 10% do ano passado. Dizem, mas não provam, que se trata de estratégia para segurar pleitos de reajustes por parte de fornecedores.

FROTA brasileira real de veículos não os números descontrolados do Denatran deve ter chegado perto de 23 milhões de unidades, sem incluir motociclos, no final de 2004. Em 1960, com pouco mais de três anos de produção nacional, o País possuía apenas 300.000 veículos. Esta é a frota, hoje, de um bairro de renda médio-alta da capital paulista. Aumento explosivo em menos de meio século.

LEITORES escrevem perguntando a melhor maneira de lavar o carro, a propósito da coluna que preconizou mais cuidado na preservação. A lavagem tradicional correta é com água e detergente neutro, de preferência na sombra e seguida de secagem completa da carroceria. Nos manuais do proprietário costuma haver mais informações sobre os cuidados com a pintura.

AMEAÇA de burocratização. Projeto do deputado Ricardo Fiúza obrigaria ao registro de contratos de financiamento em cartórios. Em vez de simplificação, mais perda de tempo. E, claro, dinheiro fácil para notários e registradores sem qualquer vantagem prática ou de segurança em transações financeiras.

ACEITAÇÃO crescente de aparelhos de ar-condicionado vem se firmando ao longo dos anos. Em 1998, apenas 25% dos modelos vinham com tal equipamento instalado de fábrica. Este ano já deve chegar perto de 60% e, em 2010, pode atingir 76%. Na Europa, EUA e Japão em quase 100% dos carros é equipamento de série, salvo em modelos muito básicos.
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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon, engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Sua coluna semanal Alta Roda é publicada, desde 1999, em onze jornais brasileiros e no site WebMotors. Assina as colunas Direto da Fábrica na revista Carro e Roda Viva na revista Jornauto. Correspondente para América do Sul do site americano The Car Connection. Diretor editorial das oito revistas automobilísticas da On Line Editora. Consultor técnico, de mercado e de comunicação.

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