Até quanto pode custar um carro clássico?

Valor de um automóvel antigo pode ser insignificante ou até superar o preço do modelo mais caro do mundo. Mas como?

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André Deliberato
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Carros clássicos sempre rendem boas discussões. Hoje vamos falar sobre seus preços. Afinal, como pode um veículo antigo ser leiloado por valores que superam centenas de milhões de dólares? Ao mesmo tempo, como é possível encontrar modelos mais velhos sendo quase doados de tão baratos? É sobre isso que vamos discutir.

O carro clássico mais caro já vendido foi uma Ferrari 250 GTO, de 1963 - conhecido pelos aficionados como o "Cálice Sagrado dos automóveis" -, que foi leiloado em 2018 por R$ 361,7 milhões. Atualmente, o carro produzido em série mais caro do mundo é o Bugatti La Voiture Noire, edição especial do Chiron vendida a R$ 72,5 milhões - ou seja, somente 20% do valor do Ferrari GTO 1963.

 Ferrari 250 GTO 1963 é, até hoje, o carro mais caro já vendido na história: custou, em 2018, R$ 361 milhões
Legenda: Ferrari 250 GTO 1963 é, até hoje, o carro mais caro já vendido na história: custou, em 2018, R$ 361 milhões
Crédito: Reprodução

Você deve ter se perguntado: como é possível um veículo antigo, de 1963, custar cinco vezes mais que o atual automóvel mais caro do mundo? Isso fica ainda mais absurdo ao lembrarmos que é possível encontrar modelos abandonados ou destruídos pelo Brasil que custam até menos que R$ 1.000 - veja aqui, por exemplo, ofertas dos Fuscas mais baratos já anunciados na Webmotors.

Para responder a essas questões, conversamos com entusiastas apaixonados por carros clássicos, como Orlando Curto, do canal "Paixão por Antigos", no Youtube. "Um carro antigo não se fabrica mais, pode ser único, enquanto um atual é feito quando o comprador quiser. Isso explica a diferença de preço", defende o especialista.

Mas qual a ordem de quesitos que influencia o valor final? "O preço mais alto vem da história do carro. Depois, considera-se a raridade do projeto e, por fim, seu estado de conservação. Afinal, qualquer um deles pode ser restaurado. Por exemplo, um Cadillac que foi do Elvis Presley vale muito mais dinheiro do que outros modelos da mesma marca que são até mais raros do que ele", explica Curto.

Essa tese também explica o motivo de os DeLorean DMC-12, modelo utilizado na saga De Volta para o Futuro, custarem tanto nos dias atuais. "Exatamente, o carro em si não era tão bom e pouco vendia, mas o fato de ter sido um dos protagonistas da franquia de filmes fez com que ele tivesse história suficiente para se tornar um clássico supervalorizado atualmente", comenta.

Até quanto custa um carro clássico?

Afinal, até quanto pode custar? Como dissemos, o recorde pertence ao Ferrari GTO 1963 leiloado em 2018, mas será possível algum modelo ultrapassar essa marca de mais de R$ 360 milhões?

"Esse valor é astronômico e acho muito difícil algum carro conseguir atingir, a não ser que apareça alguma Ferrari, Bugatti ou Rolls-Royce com ainda mais história. O máximo que vi em programas de televisão gringos foram modelos que custavam perto dos US$ 5 milhões (algo próximo a R$ 27 milhões na cotação atual do dólar)", diz o especialista e youtuber.

Apesar desse recorde ser difícil de atingir, Orlando Curto acredita que existam carros antigos por aí com muito mais história e que poderiam quebrar essa marca. Porém, ele aposta que os donos não venderiam nem se o valor encostasse no bilhão. "É por isso que dizemos que esses clássicos têm valores inestimáveis", explica.

O especialista completa: "O Ford da história de Bonnie e Clyde é outro grande exemplo: uma unidade qualquer você encontra até nos famosos 'junk yard' dos Estados Unidos (tradução de "ferro velho"), mas o carro com a carroceria toda furada de bala, histórico, está longe de ter preço".

Carro De Bonnie E Clyde
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Legenda: Para Orlando Curto, carros únicos e com história, como o Ford de "Bonnie e Clyde", têm valores incalculáveis
Crédito: Reprodução
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