Carro para deficiente é um mercado promissor

Algumas concessionárias chegam a vender até 30 unidades/mês
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A venda de carros adaptados para deficientes físicos está aumentando. Os modelos são cada vez mais procurados e modificados para transportar passageiros especiais e idosos.

Em São Paulo, cerca de 1,3 mil carros por mês são adaptados ou readaptados para esse público. Algumas concessionárias chegam a vender até 30 unidades/mês destinadas às reconfigurações. Outro nicho que está em ascensão é o de táxis preparados, que já conta com regras determinadas pela Prefeitura.

Por causa disso, muitas concessionárias já incluíram em seu ambiente de vendas profissionais e instalações focados nesse público. A gama de serviços é completa, e vai da venda dos modelos que serão adaptados à renovação da CNH, que também é especial.

Os pacotes oferecidos contêm a adaptação do veículo, busca de empresas especializadas para fazer a reconfiguração mecânica, assessoria para a isenção dos impostos, lista de auto-escolas para preparo dos novos condutores e informações sobre os exames médicos obrigatórios.

As principais montadoras Fiat, Volkswagen, Ford, Renault, Peugeot, Nissan, Citroën, Honda, Toyota e General Motors disputam avidamente esse segmento. Não existem modelos específicos ou um padrão universal para a adaptação. Os carros oferecidos são originais, nas versões completas, equipados com câmbio automático e direção hidráulica. Depois da compra, o carro recebe as modificações para seu uso, que podem variar em cada caso.

Incentivos

O deficiente físico também é preparado para exercer as funções de motorista. Ele passa pela avaliação do médico do Departamento Estadual de Trânsito, Detran-SP www.detran.gov.sp.org.br, que define as adaptações que serão aplicadas no carro, de acordo com a deficiência. As normas técnicas para a reconfiguração dos automóveis é do Instituto Nacional de Metrologia, Inmetro www.inmetro.com.br. A legislação para seu uso é definida pelo Departamento Nacional de Trânsito, Denatran www.denatran.org.br.

Três motivos incentivam a atual procura dos adaptados. Primeiro, seus usuários, deficientes físicos ou idosos, melhoram a mobilidade. Segundo, renovam a auto-estima. Por fim, contam com uma expressiva isenção de impostos. O pacote de isenções reduz o preço final dos veículos em cerca de 25%. Na compra do carro, os portadores de paraplegia, tetraplegia, ausência de membros ou deformidades congênitas, ganham descontos no IPI redução de 11 a 13%, IOF, ICMS 12% e IPVA 4% por ano, no caso de motoristas, ou apenas do IPI para os não-condutores. Em São Paulo SP, os condutores especiais são dispensados do rodízio de veículos.

Segundo Névia Gama, especializada em isenções tributárias, da Nevia Isenções, dependendo do município há uma pequena variação na porcentagem descontada do ICMS. “O custo para os serviços da assessoria sai, em média, R$ 590,00 por caso”, disse.

Assim, por exemplo, um Honda Fit automático, completo com ar, direção, travas elétricas etc, que custa R$ 55.625,00, sai da loja por R$ 44.907,00, ou R$ 10.718,00 mil a menos.

A demora para o cliente receber o carro adaptado é de até quatro meses. Após dois anos da aquisição período de posse mínima para isenção do IPI, a revenda do carro está liberada. Então, os equipamentos instalados, que custam entre R$ 500,00 e R$ 3 mil, podem ser transferidos para um carro mais novo.

De olho no segmento, as concessionárias se movimentam. A rede Toyota Comart, dos Jardins, destaca em seus anúncios a venda de carros adaptados.

Segundo o gerente de vendas do Grupo Grand Brasil, José Roberto Cardoso, que reúne 13 concessionárias de várias marcas e criou uma loja específica para esse público, a maioria das pessoas que pode obter isenções na compra de carros zero não o faz por falta de informação. “Elas deixam de ter benefícios que podem chegar a 30% do valor de oferta do veículo”, afirmou.

As concessionárias Honda Daitan vendem cerca de 90 carros por mês destinados à adaptação. Recém-inaugurada, sua nova loja, no Jabaquara, já nasceu com um pequeno elevador frontal para facilitar o acesso de deficientes. “A maior procura de carros adaptados é feita por familiares de pessoas especiais não-condutoras, mas passageiras”, disse a vendedora Lilian Menchini, que há 15 anos atua com esse atendimento.

O “Programa Honda Conduz” funciona desde 2004. Ele facilita as coisas para as concessionárias e os usuários. Com o suporte, o negócio dos carros adaptados gira sem problemas. No entanto, a venda e os demais procedimentos acontecem num ritmo mais lento que nos veículos normais.

- A liberação do IPI, feita pela Receita Fcaptional demora um mês. Por isso, o atendimento a esse público tem muitos detalhes e é bem compassado revelou Menchini.

Mudanças

De olho na melhora desse mercado, fabricantes e deficientes querem ampliar o limite do preço dos carros que podem ser adaptados. Atualmente, o valor máximo de um veículo destinado à adaptação não pode ultrapassar R$ 60 mil. Esse valor exclui os modelos mais luxuosos e equipados.

Motos e triciclos também ficam fora da isenção tributária, e da oportunidade de uso. Esse descaso é uma lacuna aberta, já que se sabe que a quantidade de motoqueiros e motociclistas mutilados em acidentes é expressiva. Muitos motociclistas poderiam pilotar triciclos e até mesmo motocicletas adaptadas.

“O limite do preço e dos veículos é um erro. O público que tem necessidades especiais e adapta os veículos não está mais concentrado nas classes C e D, como há vinte anos. Cerca de 20% está nas classes A e B, têm grande poder aquisitivo”, revela o gerente comercial Raul Oliveira, da Cavenaghi. Com 40 anos de atuação, essa empresa da Zona Norte de São Paulo é pioneira na criação de carros adaptados e detém 70% do mercado.

As reconfigurações mais aplicadas são a colocação do CMU Comando Manual Universal, uma alavanca manual que controla o acelerador e o freio de mão custa na faixa de R$ 500,00 e a instalação de um módulo EC 2000, a embreagem computadorizada que custa cerca de R$ 3 mil.

Há ainda outras mudanças, como a alteração dos pedais de freio e do acelerador, instalação de presilhas internas para cadeiras de rodas, colocação de rampas de acesso nas portas e sistema de bancos que saem do carro. “Os equipamentos dão muita independência ao usuário especial”, afirma Oliveira. Ele nota que após iniciar o uso do veículo adaptado, o deficiente sente-se livre e autoconfiante.


30 milhões

As vendas de adaptados crescem porque seu público, antes excluído socialmente, descobriu que há meios de recuperar a auto-estima e a dependência, através da mobilidade. Por sua vez, a indústria e o comércio veicular também despertaram para a existência desse consumidor.

Os deficientes físicos não formam uma camada inexpressiva na população. Segundo o professor de educação fisica Steven Dubuer, especializado na preparação esportiva dessas pessoas há 33 anos, pesquisas recentes mostram que 15% da população brasileira é portadora de algum tipo de deficiência física. “Isso significa 30 milhões de cidadãos”, contabiliza.

Mas onde está esse pessoal? Segundo o professor, esse público foi excluído menos por preconceito e mais pela falta de informações. “Os deficientes físicos e os seus familiares e amigos próximos formam um grupo praticamente ignorado até agora. Esse grupo pode gerar muito consumo”, diz Dubuer, que faz concorridas palestras sobre a reinserção social dos deficientes.

O professor ensina que o deficiente físico é uma pessoa normal, que apenas perdeu ou não tem uma parte da mobilidade. No Brasil, cerca de 10 mil por mês, ou 120 mil por ano, engrossam essa cifra. Desses, 80% são lesionados em acidentes com motos, carros e por disparos de armas de fogo, e 20% por acidentes de trabalho, entre outros. A Secretaria de da Saúde aponta para números mais drásticos: por ano, são 80 mil mutilados em acidentes de trabalho apenas no Estado de S. Paulo.

Dubuer revela que, por conta disso, cerca de cinco mil amputações são realizadas mensalmente, e diariamente 550 pessoas acidentadas ficam com sequelas permanentes. A realidade brasileira torna-se espantosa quando se descobre que, nos Estados Unidos, apenas 10 mil pessoas por ano tornam-se deficientes físicas.

“Depois que passa a fase crítica, após o acidente, um meio saudável e prático de provar à pessoa que ela não mudou é através do esporte”, atesta Dubuer. Essa volta por cima é tão intensa que a partir dela surgiu uma gama de grandes campeões paraolímpicos brasileiros. Gente que nunca tinha praticado esporte antes, descobre nele um motivo de renovação e superação dos seus limites. Outro fato é a inclusão desse público no mercado de trabalho, o que naturalmente incrementa a venda de carros especiais.

Após décadas de trabalho, muitas informações puderam ser repassadas pelo professor Dubuer às montadoras nacionais, que as usaram para o desenvolvimento do segmento de adaptados. Isso começou há cerca de seis anos. Recentemente, um evento internacional focado em reabilitação, a Realtech, apresentou veículos adaptados em São Paulo.

Outra mudança de comportamento registrada recentemente: quando um parente ou um amigo tem um deficiente físico em seu círculo, procura adaptar seu carro. Nesse time, um dá a mão para o outro. Segundo Dubuer, esse é apenas um exemplo das possibilidades ainda não exploradas nesse imenso mercado. “O segmento global de produtos focados em pessoas com necessidades especiais, incentivado pelos veículos adaptados, irá crescer cerca de 30% ao ano”, projeta o professor._____________________________________

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