Cenário apocalíptico não impede que 2009 feche com recorde

Anfavea prevê 3,11 milhões de unidades vendidas de janeiro a dezembro, 10% a mais que 2008
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O ano de 2009 tinha tudo para ser recheado de lamúrias para a indústria automobilística. Afinal, os efeitos da crise financeira global, iniciada em setembro do ano passado, desenhavam um período de incertezas e muito pessimismo. Só que, à base de medidas governamentais no apagar das luzes de 2008, o mercado interno respirou e vai fechar 2009 com mais um recorde.

A Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores – prevê 3,11 milhões de unidades vendidas de janeiro a dezembro, 10% a mais que o ano passado. Nada mal para um segmento cujas projeções 12 meses atrás vislumbravam uma preocupante redução de vendas. É claro que a baixa turbulência, principalmente se comparada com os mercados japonês e norte-americano, deveu-se principalmente a uma mãozinha do Governo Fcaptional.

A medida adotada já em dezembro de 2008, que reduziu o IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados – para veículos com motorização até 2.0 litros, fez com que o setor já entrasse 2009 com certo fôlego. E foi, sem dúvida, a grande mola propulsora do ano. “O Governo agiu rápido e bem. Entusiasmou o consumidor, irrigou com dinheiro os bancos das montadoras e a sinalização do mercado foi positiva”, reconhece José Carlos Pinheiro Neto, vice-presidente da General Motors.

Tanto que o mercado teve picos sempre nos limiares, quando estavam programados o fim da redução da alíquota e o próprio governo tratou de esticar por várias vezes o desconto. O que era para ser encerrado em março foi prorrogado até junho. Depois, viria uma volta gradual à alíquota normal que se encerraria em setembro. Só que o desconto foi estendido de novo, desta vez até março do ano que vem e só para carros flex até 2.0 – 90% de tudo que é vendido no país é flex. “No fundo, o Lula estava certo. A crise no Brasil não passou de marola e o ato primordial foi a questão do IPI. Além disso, a base econômica está boa”, admite Domingos Boragina Neto, diretor de Marketing da Citroën.

O próprio setor reconhece que a eficácia das medidas executivas tem um fundo psicológico. Ou seja, o impacto do marketing estatal de redução de um imposto e a consequente redução do preço final no mercado é mais influente que os frios números do desconto. Até porque , 60% do mercado é movido por financiamento. E a redução de 7% em um carro de entrada significou, muitas vezes, menos de R$ 50 de desconto em cada cota de um carnê de 60 prestações. “Se as montadoras fizessem nos carros o que o governo fez no mercado, não teria o mesmo efeito. O consumidor brasileiro sempre aguarda alguma medida do governo”, defende Cassio Pagliarini, diretor de marketing da Renault.

Mesmo assim, a medida do governo foi considerada tão rápida que pegou até a indústria automobilística de surpresa. No primeiro semestre de 2009 faltaram carros. Sedãs médios e hatches compactos às vezes levavam até três meses para serem entregues. A própria Renault faz um “mea culpa”. “O ano mostrou que é preciso ser extremamente ágil em tomar decisões.
Fizemos uma programação aquém das necessidades de mercado”, pondera Pagliarini, da Renault.

Executivos e especialistas, contudo, ressaltam que a cadeia produtiva automotiva é complexa. “Não se consegue fazer um ajuste de produção de forma tão rápida, pois envolve mão-de-obra, fornecedores, logística etc”, diz Dario Gaspar, presidente da consultoria AT Kearney. “Em geral, o consumidor é mais rápido que a indústria. É da natureza do negócio”, acredita Pinheiro Neto.

Até mesmo o setor de luxo teve motivos para comemorar. As marcas chamadas premium, como Audi, BMW, Mercedes-Benz, Porsche e Volvo, registraram aumento nas vendas no mercado brasileiro este ano entre 15% e 20%. E, mesmo com a crise lá fora facilitando a vinda de novos produtos para cá, houve espera também para os consumidores mais abonados. “Quem disse que a crise atingiu o setor premium não está dizendo a verdade. Para se ter uma ideia, temos falta de modelos como o A4, Q5 e Q7, que não têm pronta entrega”, avisa Paulo Sérgio Kakinoff, presidente da Audi Brasil.

Instantâneas

# Até março de 2010 a alíquota do IPI para os flex se mantém em 3% para motores até 1.0 e em 7,5% para veículos até 2.0, enquanto os modelos a gasolina pagam 13%.

# Segundo estudos, atualmente a cadeia produtiva do setor automobilístico brasileiro responde por 23% do PIB nacional.

# As estimativas da Anfavea apontam para uma produção total em 2009 de 3,22 milhões de veículos, número que engloba automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões.

# O recorde do setor deve ficar mesmo com o mês de setembro, quando foram emplacados 308.700 unidades. Um número motivado pelo até então último mês antes da elevação gradual do IPI.

Terra estrangeira

O mercado interno respira aliviado pelo ano de crescimento, mas as exportações de veículos fizeram o contraponto. A queda no balanço do ano é inevitável e até novembro o recuo era de 38,8% na comparação com os 11 primeiros meses de 2008. O real muito valorizado na comparação com o dólar, porém, não é o único e grande vilão. A retração dos mercados lá fora fizeram com que as encomendas fossem reduzidas drasticamente. “Do jeito que está, perdemos a competitividade. Por isso, todo mundo se voltou para o mercado interno”, pondera José Carlos Pinheiro Neto, vice-presidente da GM, que há dois anos exportava para 40 países e hoje só está com seis mercados compradores.

No outro lado da balança, os modelos importados se valeram da cotação do dólar. A participação de importados deve ficar em 15,5% no ano, enquanto em 2008 foi de 13%. No total, 482 mil unidades vão chegar ao país em
2009 – excluindo modelos vindos do México e do Mercosul –, um recorde para o setor de importados, enquanto as exportações devem finalizar com 470 mil unidades, contra 520 mil do ano passado. “Devemos ter uma balança comercial neutra. Vamos exportar praticamente o mesmo número de veículos que estamos importando. Quem quer exportar tem que aceitar a importação”, comentou Jackson Schneider, presidente da Anfavea, durante coletiva de imprensa da entidade no início de dezembro.

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