Eis o carro em que a Maxi-Eco testa o motor de 60 km/l

Com tecnologia nacional, motor axial, semelhante ao Wankel; faz 60 km/l de álcool e vai aos EUA representar o Brasil no Automotive X-Prize
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Gustavo Ruffo
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- Você já sabe que existe um prêmio para o carro de produção em série mais limpo do planeta, o Progressive Automotive X Prize. Também já sabe que o Brasil e a América Latina terá apenas uma representante, a Maxi-Eco, empresa que vem desenvolvendo um motor axial, semelhante aos motores Wankel, que será capaz, segundo a empresa, de rodar 60 km com um litro de álcool. Só não tinha visto ainda o protótipo da empresa. Conforme o prometido, eis aí o possante. E com que carroceria ele vem!

A réplica que serve para cobrir o motor, ainda um segredo de estado esperando a patente sair, é do Lotus Seven, o sétimo veículo construído pela marca britânica, como o nome denuncia, e o representante máximo da filosofia da empresa: carros pequenos, leves e com performance impressionante.

“O carro tem a carroceria do Lotus-Seven que é um clássico, porém toda a mecânica é nossa. Para as provas do evento, desenvolveremos uma nova carroceria, que será feita em fibra de folha de bananeira e com um design conceito seguindo a nossa linha de ecologicamente correto”, disse ao WebMotors Daniel Maximino, responsável pela comunicação da Maxi-Eco.

Por enquanto, a empresa ainda precisa atender a alguns requisitos para poder figurar entre os concorrentes já aceitos. Ela atualmente figura apenas entre os inscritos, empresas que têm a intenção de concorrer, mas que precisam formalizar a inscrição para poder competir. Mesmo assim, a Maxi-Eco é a única empresa da América Latina inscrita no Progressive Automotive X Prize.

A competição está dividida em duas categorias: a principal e a alternativa. “Na principal, temos de levar um carro com capacidade para cinco pessoas, com itens de conforto como ar-condicionado, ABS, som etc. Existe uma lista com mais de 60 itens obrigatórios. A alternativa é mais tranquila no que se diz respeito a pré-requisitos, podendo ser um veículo com no mínimo três rodas, dois lugares, não necessariamente ter itens de conforto etc.”, disse André Martinho Salgado, CIO de Novos Negócios da Maxi-Eco, ao WebMotors.

“Estamos inscritos nas duas categorias. À primeira levaremos um carro de linha. Temos algumas opções a escolher, vamos analisar conforme alguns estudos de mercado os que mais tem afinidade com o público nos EUA e, claro, viabilidade de patrocínio. Já na alternativa temos um protótipo com dois lugares produzido no Brasil com tudo que é de melhor na parte mecânica. A ‘bolha’ que o envolve ainda está sendo desenvolvida e deverá ser testada em túneis de vento, resistência etc.”, completa Salgado.

Tanto cuidado se deve aos requisitos de participação no prêmio. “Uma das principais características do concurso é que os carros deverão atingir a meta de 100 milhas por galão, aproximadamente 42 km/l, e iremos trabalhar na primeira etapa para alcançar esta meta”, disse Salgado. “Estamos trabalhando com protótipos, mas acreditamos e provamos matematicamente que nosso motor poderá alcançar a casa do 60 km/l utilizando nosso álcool como combustível.”

E como isso é possível, partindo da tradicional receita de motores a combustão? Deixemos que Salgado explique. “Nosso projeto tem algumas características similares em relação ao modo de trabalho do motor Wankel, no que se trata no aproveitamento de energia, mas não em relação às caraterísticas físicas ou no modo de compreensão do combustível. O projeto em si ainda está sob sigilo de patente. Adianto que ele trabalha da mesma forma que todos os outros motores baseados em ciclo Otto.” Salgado provavelmente se refere ao uso de pistões, mas não entrou em detalhes por conta da patente pendente.

Mesmo assim, a eficiência se explica pela menor quantidade de itens que um motor axial requer. Menor e mais leve, ele consegue ser tão forte quanto um modelo de deslocamento bem mais alto, algo como um motor de meio litro ser tão forte quanto um de 3 litros. A economia vem daí.

“Nosso projeto está sendo desenvolvido para trabalhar com combustíveis. Para a competição, vamos ajustá-lo para trabalhar com o E85 álcool na proporção de 85%, mas existe a possibilidade de ele funcionar como os motores atuais, como um moto flex gasolina e etanol simultaneamente”, disse Salgado.

O projeto quase se tornou híbrido, mas a Maxi-Eco confia tanto na eficiência de seu motor que dispensou a ajudinha elétrica. “Cancelamos o projeto do motor secundário a eletricidade em dezembro. Vamos apenas com o motor a combustão, pois o mesmo se mostrou muito mais eficiente e sem necessidades de baterias, que são ecologicamente incorretas”, disse Salgado.

O projeto da empresa brasileira incorpora várias outras novidades além do motor axial. “A Maxi-Eco está levando não só os veículos, mas soluções amplas. Encontramos aqui uma tinta ecológica 100% diluível em água, design exclusivo com projetistas empenhados neste processo, álcool como combustível e rodas com características ecológicas, entre outras inúmeras novidades de nossos parceiros.”

Como a competição começa em junho, a equipe está lutando contra o tempo. “A Progressive Automotive X Prize é uma corrida, então não basta sermos os mais econômicos. Temos que ser também os mais rápidos!”, disse Salgado. Renovamos os votos de boa sorte a nossos concorrentes.

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