Fechamento da Changhe pode ameaçar o Effa M100

Carro mais barato do Brasil pode deixar de ser importado se nova fabricante, a Hafei, resolver tirá-lo de linha
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Gustavo Ruffo
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- Os ditados populares vivem mostrando sua força, mas um dos mais cruéis, “alegria de pobre dura pouco”, parece querer provar que continua valendo, até no mundo dos automóveis. Isso porque o carro mais barato do Brasil, o Effa M100, que vem completinho com toca-CD, ar-condicionado, vidros dianteiros elétricos e travas elétricas por R$ 22,98 mil não exatamente o valor que um pobre possa pagar, acabou de perder sua fábrica na China. A Changhe Automobile, que fazia o carrinho, desistiu de fazer automóveis.

Como o mercado na China é extremamente competitivo e tem muitos fabricantes de veículos, vem acontecendo uma consolidação de mercado, com as empresas mais fortes absorvendo as menores. No caso da Changhe, que pertence à AviChina Industry & Technology Co., ela preferiu enveredar pelo ramo dos aviões e comprou da China Aviation Industry Corp duas unidades aeroespaciais. Em troca, ela deu à China Aviation, que controla a Hafei Auto, sua unidade automotiva.

Teoricamente, portanto, a Hafei poderia tocar a produção do M100, mas o fim do braço automotivo da Changhe encerra também a joint-venture entre ela e a Suzuki, que fornece a tecnologia e o motor do M100. A parceria vinha dando prejuízo e a Suzuki não via a hora de poder encerrar o negócio.

O caso é que a Hafei já é fornecedora da Effa. A linha ULC, baseada nos Newzhongyi, é produzida por ela. Daí a continuar produzindo o M100 para a Effa e também para a NICE Car, que o venderá no Reino Unido como Ze-O, um carrinho elétrico, seria um pulo. Resta ver como ficará o imbróglio jurídico

Outro lado

Procurada pelo WebMotors, a Effa afirmou que "a mudança de controle acionário entre a Changhe e a Hafei em nenhum momento compromete o abastecimento desses veículos ao mercado brasileiro". Também ressalta que "a direção da Effa Motors afirma que há embarques programados para o Brasil, em fluxo normal". Leia abaixo a íntegra da resposta da Effa sobre o assunto:

"Vimos esclarecer, com veemência, que a matéria intitulada “Fechamento da Changhe pode ameaçar o Effa M100”, de sua autoria, está completamente equivocada, além de hoje, nas primeiras horas do dia, já estar prejudicando as atividades comerciais da importadora oficial Effa Motors.

Na realidade, a própria matéria, de autoria de George Gao, por você traduzida, não fala em interrupção de linha produtiva dos carros M100 na China. Haverá, sim, transferência do controle acionário à Hafei Auto que, aliás, já é representada no Brasil pela Effa Motors, por meio da linha de utilitários ULC – Urban Light Commercial. Portanto, sem possibilidade de descontinuidade de fornecimento ao mercado sul-americano.

Quanto à parceria de transferência de tecnologia da Suzuki, é salutar a explicação de que a Hafei Auto também possui acordo técnico-comercial com a montadora japonesa, o que – definitivamente – assegura a produção de motores.

A mudança de controle acionário entre a Changhe e a Hafei em nenhum momento compromete o abastecimento desses veículos ao mercado brasileiro. A direção da Effa Motors afirma que há embarques programados para o Brasil, em fluxo normal.

Além disso, gostaria de antecipar que a Effa Motors já encomendou novos modelos do M100, a serem lançados por ocasião do Salão Internacional do Automóvel, de São Paulo, em outubro próximo.

Assim, solicitamos que a retificação seja feita de imediato, à luz da verdade, para que a Effa Motors não seja ainda mais prejudicada."

A reportagem a que a assessoria de imprensa da Effa se refere está no link http://www.gasgoo.com/auto-news/7153/Changhe-stops-carmaking-ends-venture-with-Suzuki.html e serviu de ponto de partida para a nossa.

Realmente não há referência ao fechamento da unidade fabril, mas sim ao fim da joint-venture entre Changhe e Suzuki, o que poderia ameaçar a vinda do M100 ao Brasil. A Hafei poderia aproveitar as instalações da Changhe para fabricar outros veículos, por exemplo. Segundo a Effa, isso não acontecerá.

Ainda que a informação seja bastante sensível para a importadora, o WebMotors a julgou relevante a seus leitores, para que eles possam fazer uma escolha mais segura de compra e saber de qualquer elemento que possa afetá-los no futuro.

Infelizmente o mercado brasileiro já teve casos de importação interrompida em razão da perda de competitividade imposto de importação e dólar alto, como foi o caso de Lada, Suzuki, Mazda, Daihatsu e Daewoo. Fazemos votos para que a promessa da Effa, de continuidade da distribuição dos veículos, se cumpra, até porque, para o consumidor, quanto mais opções houver, melhor.

Assim, apesar de o M100 ser uma verdadeira pechincha, o modelo vendido no Brasil está desatualizado e deve ser modificado em breve, como a própria assessoria confirma. O apresentado pela NICE Car, reestilizado, é o que pode ou não continuar a ser produzido. Tomara.

Texto modificado às 14h30 do dia 23-07-08


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