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Fiat e Chrysler fecham aliança, mas concordata se torna inevitável

Instrumento jurídico de proteção contra credores servirá para renegociar dívidas
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Gustavo Ruffo
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- Agora é oficial. A Chrysler e a Fiat acabam de anunciar oficialmente a aliança global que antecipamos em janeiro deste ano. Chamar de aliança, aliás, é eufemismo: do acordo nascerá uma nova empresa, responsável pela administração da Chrysler. Com isso, a Fiat, que sempre quis entrar no mercado norte-americano, o maior do mundo, consegue uma boa porta de entrada e ainda sai com o comando da operação. A Chrysler, por sua vez, sempre quis ser uma empresa global, o que a livraria da dependência do mercado em que nasceu, os EUA. Ainda que tenha lutado bravamente para isso, ela não conseguiu evitar o chamado Capítulo 11, uma espécie de concordata que, ao contrário do que vem sendo erroneamente noticiado, não prejudica a empresa, apenas sua imagem.

Por esse instrumento jurídico, que não é falência, a Chrysler declara que não pode pagar suas dívidas e recebe ajuda do governo para renegociar seus débitos. Essa ajuda é a proteção contra os credores, que não podem cobrar as dívidas. Bem que a Chrysler tentou renegociar tudo, mas alguns credores impediram um acordo global. Daí a necessidade da Chrysler em pedir a tal proteção.

O esforço em renegociar dívidas e evitar o Capítulo 11 tem explicação simples: com a imagem de concordatária, a Chrysler pode ter dificuldades em vender seus veículos, uma vez que os consumidores poderão desconfiar da saúde financeira da empresa e evitar seus produtos. Longe de ajudar, isso poderia terminar de afundar a Chrysler. Tanto que, com o anúncio, realizado pelo próprio presidente dos EUA, Barack Obama, todos os envolvidos esperam acalmar os mercados. Afinal de contas, a Chrysler tem parceiros poderosos para se reerguer.

Além do acordo com a Fiat e do Capítulo 11, a Chrysler também perde seu CEO, Bob Nardelli, que voltará ao fundo Cerberus, que controlava a Chrysler, como consultor. Nardelli controlava a Chrysler desde agosto de 2007.

Como fica a coisa

No informativo a respeito de sua reestruturação, a Chrysler faz questão de frisar que as unidades do Canadá e do México não estão incluídas no pedido de concordata. Só as unidades fabris e comerciais da empresa nos EUA é que foram afetadas. Isso equivale a dizer que a produção nos EUA será interrompida na próxima segunda-feira, dia 4 de maio, e só serão reiniciadas depois que uma nova companhia for criada.

Essa nova empresa será dividida da segunte forma: 55% ficam com a VEBA Voluntary Employee Beneficiary Association, associação voluntária de empregados da Chrysler, 10% para os governos dos EUA e do Canadá e 20% para a Fiat, com possibilidade de a participação aumentar a 35%. Os 15% restantes só serão repassados à empresa italiana se ela cumprir os seguintes requisitos:

• 5% se a Fiat conseguir oferecer à Chrysler um veículo que faça 17 km/l, a ser fabricado nos EUA pela Chrysler provavelmente algum derivado do Fiat 500;
• 5% pela oferta de um motor eficiente em consumo e emissões, para ser usado em veículos da Chrysler e;
• 5% quando der à Chrysler acesso a seus revendedores, ampliando os países para onde os veículos da Chrysler podem ser exportados.

Isso fica evidente pelos flagrantes já feitos de veículos da Chrysler em Betim, como a picape Dodge Dakota que foi vista em testes pelo blog Autos Segredos, do jornalista Marlos Ney Vidal. Podemos esperar novidades no Brasil muito em breve, com isso.

Com o acordo, a Fiat continua não obrigada a fazer nenhum investimento na Chrysler, até porque, no exterior, a empresa apresentou prejuízos, no começo deste ano, e também tem suas dívidas para cuidar.

Para controlar a nova empresa, cogita-se que Sergio Marchionne, CEO mundial da Fiat, apontará o brasileiro Cledorvino Bellini, que comanda a bem-sucedida operação da marca no Brasil. O controle da nova empresa deve ser anunciado nos próximos 60 dias, o que coincidirá com a retomada da produção de automóveis nos EUA.

Para a Chrysler, o acordo é um negócio tão bom que é a Fiat que vai ganhar ações da montadora norte-americana, e não o contrário. Haverá benefícios para ambas em termos industriais, de distribuição e desenvolvimento de produtos.

No que se refere à produção, a Fiat pode viabilizar nos EUA a distribuição do 500, um carrinho que venderia como água, por lá, se chegasse a um preço competitivo. Basta ver como o Mini se deu bem naquele mercado. Para isso, a Fiat deve produzir o urbaninho em alguma planta da Chrysler. E não será difícil encontrar alguma fábrica com capacidade ociosa.

Isso porque a Chrysler foi vítima de uma riqueza sua: a quantidade de marcas sob seu chapéu. Ironicamente, ela também tem três cabeças, como Cérbero, o cachorro que, segundo a mitologia grega, guarda a porta do Hades, o reino subterrâneo dos mortos. São elas a Chrysler, a Dodge e a Jeep. Cerberus também é o nome do fundo de investimentos que controla a marca, atualmente.

Revendedores da Dodge, da Chrysler e da Jeep queriam um portfólio maior de produtos. O que a empresa fazia era pegar um modelo de uma marca e mudar seu emblema, criando um novo produto. Foi assim que nasceram o Chrysler Aspen um Jeep Grand Cherokee, o Dodge Magnum um Chrysler 300C e a Dodge Caravan uma Chrysler Town & Country, entre outros. A competição entre produtos da própria marca, uma estratégia usada por Alfred Sloan na GM, não deu certo em tempos modernos. Não para a Chrysler, pelo menos. Em vez de aumentar sua participação de mercado, ela apenas complicou seu processo industrial.

Agora, com a aliança com a Fiat, a Chrysler pode ter realmente produtos novos, em nichos que ela não explorava antes. Já se cogita inclusive um sedã criado sobre a plataforma do Fiat Bravo, cuja aparência o designer Rodrigo Bruno nos ajudou a especular. As marcas Dodge e Jeep vão se especializar em determinados segmentos, não competindo mais com a Chrysler.

Produzindo o 500 nos EUA, a Fiat poderá vendê-lo nas revendas da Chrysler, assim como os veículos da Alfa Romeo, que já estão por lá. O primeiro a chegar ao mercado norte-americano foi o fantástico 8C Competizione, mas a ele devem se seguir o Mi.To, para enfrentar o Mini, e toda a nova linha da marca, que vai se renovar nos próximos anos, inclusive com a chegada de um utilitário, o Kamal.

A Chrysler tem a Jeep, especializada em veículos 4x4. A ajuda dela no desenvolvimento do Kamal pode ser importantíssima. Esse é só um exemplo de como as empresas podem se ajudar no desenvolvimento de novos produtos. O compartilhamento de peças, motores e plataformas deve trazer uma enorme economia de escala para ambas.

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