Fiat e Chrysler unem forças para enfrentar novo cenário mundial

Aliança estratégica, que dá à italiana 35% de participação na norte-americana, deve dinamizar produtos, produção e distribuição
  1. Home
  2. Bolso
  3. Fiat e Chrysler unem forças para enfrentar novo cenário mundial
Gustavo Ruffo
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

- A Fiat sempre quis entrar no mercado norte-americano, o maior do mundo. Até tentou isso com a Alfa Romeo e o 164, mas o carro teve tantas queixas de confiabilidade que a empresa acabou desistindo dos EUA. A Chrysler sempre quis ser uma empresa global. Atuar em mercados que a livrassem da dependência do mercado em que nasceu, os EUA. Nada melhor para as duas, em um cenário de vendas ainda nebuloso, do que unir forças. Foi o que elas fizeram hoje ao anunciar uma aliança que dará à Fiat 35% das ações da gigante norte-americana.

Não haverá investimentos da marca italiana na Chrysler. As ações irão para a Fiat apenas pelo compartilhamento de produtos e tecnologias para tornar a empresa mais competitiva, além da assistência gerencial que Sergio Marchionne pode dar à Chrysler. Marchionne foi o arquiteto da recuperação da Fiat e é bastante respeitado por isso.

A sinergia entre as empresas deve ocorrer tanto nos EUA quanto nos outros mercados do mundo em que a Fiat atua leia-se Brasil, principalmente. Mais do que isso, o grande ganho da Chrysler será apresentar ao governo norte-americano uma credencial de confiança para o empréstimo que está fazendo e que deve, se bem administrado, garantir sua sobrevivência no cenário automotivo mundial.

No final das contas, a Fiat será uma espécie de avalista do contrato, mas com muito menos responsabilidades. Para começar, a aliança não vincula as duas empresas. Qualquer desdobramento dependerá de auditorias pesadas e das necessárias aprovações do governo norte-americano, inclusive em relação ao empréstimo que pode salvar a Chrysler.

Para a Chrysler, isso é um negócio tão bom que é a Fiat que vai ganhar ações da montadora norte-americana, e não o contrário. Haverá benefícios para ambas em termos industriais, de distribuição e desenvolvimento de produtos.

No que se refere à produção, a Fiat pode viabilizar nos EUA a distribuição do 500, um carrinho que venderia como água, por lá, se chegasse a um preço competitivo. Basta ver como o Mini se deu bem naquele mercado. Para isso, a Fiat deve produzir o urbaninho em alguma planta da Chrysler. E não será difícil encontrar alguma fábrica com capacidade ociosa.

Isso porque a Chrysler foi vítima de uma riqueza sua: a quantidade de marcas sob seu chapéu. Ironicamente, ela também tem três cabeças, como Cérbero, o cachorro que, segundo a mitologia grega, guarda a porta do Hades, o reino subterrâneo dos mortos. São elas a Chrysler, a Dodge e a Jeep. Cerberus também é o nome do fundo de investimentos que controla a marca, atualmente.

Revendedores da Dodge, da Chrysler e da Jeep queriam um portfólio maior de produtos. O que a empresa fazia era pegar um modelo de uma marca e mudar seu emblema, criando um novo produto. Foi assim que nasceram o Chrysler Aspen um Jeep Grand Cherokee, o Dodge Magnum um Chrysler 300C e a Dodge Caravan uma Chrysler Town & Country, entre outros. A competição entre produtos da própria marca, uma estratégia usada por Alfred Sloan na GM, não deu certo em tempos modernos. Não para a Chrysler, pelo menos. Em vez de aumentar sua participação de mercado, ela apenas complicou seu processo industrial.

Agora, com a aliança com a Fiat, a Chrysler pode ter realmente produtos novos, em nichos que ela não explorava antes. As marcas Dodge e Jeep vão se especializar em determinados segmentos, não competindo mais com a Chrysler.

Produzindo o 500 nos EUA, a Fiat poderá vendê-lo nas revendas da Chrysler, assim como os veículos da Alfa Romeo, que já estão por lá. O primeiro a chegar ao mercado norte-americano foi o fantástico 8C Competizione, mas a ele devem se seguir o Mi.To, para enfrentar o Mini, e toda a nova linha da marca, que vai se renovar nos próximos anos, inclusive com a chegada de um utilitário, o Kamal.

A Chrysler tem a Jeep, especializada em veículos 4x4. A ajuda dela no desenvolvimento do Kamal pode ser importantíssima. Esse é só um exemplo de como as empresas podem se ajudar no desenvolvimento de novos produtos. O compartilhamento de peças, motores e plataformas deve trazer uma enorme economia de escala para ambas.

Leia abaixo a íntegra do comunicado emitido pelas duas empresas:

Grupo Fiat, Chrysler e Cerberus anunciam planos para uma aliança estratégica global

Fiat S.p.A., Chrysler LLC Chrysler e Cerberus Capital Management L.P., fundo de investimentos que detém a maior parte das ações da Chrysler LLC, anunciaram hoje que assinaram um acordo não-vinculante para estabelecer uma aliança estratégica global.

A aliança, que será um elemento chave no plano de viabilidade da Chrysler, dará à empresa acesso a plataformas de veículos competitivos e energeticamente eficientes, motores e componentes que serão produzidos nas fábricas da Chrysler. A Fiat também proporcionará uma rede de distribuição em mercados em crescimento essenciais, assim como grandes oportunidades de corte de custos. Além disso, a Fiat oferecerá serviços de administração para dar apoio à petição da Chrysler de um plano de viabilidade junto ao Tesouro Norte-Americano, como é requerido por este órgão. A Fiat foi muito bem sucedida em executar seu próprio plano de reestruturação nos últimos anos. A aliança também daria ao grupo Fiat e à Chrysler a oportunidade de aproveitar as redes de distribuição uma da outra e otimizar plenamente suas capacidades industriais e sua base de fornecedores globais.

A aliança proposta seria consistente diante dos termos e condições impostas pelo Tesouro Norte Americano à Chrysler. Diante do acordo de empréstimo com o Tesouro, cada parte da cadeia produtiva será chamado a contribuir com os esforços de reestruturação da Chrysler: credores, empregados, o sindicado UAW, concessionários, fornecedores e a Chrysler Financial, financeira da empresa. Estes passos contribuiriam enormemente para o plano de viabilidade de longo prazo da Chrysler. A formalização da aliança depende das devidas diligências e aprovações regulatórias, incluindo as do Tesouro Norte-Americano.

Por conta da contribuição do grupo Fiat à aliança estratégica, que inclui: compartilhamento de produtos e plataformas, incluindo veículos urbanos e compactos, para expandir o atual portfólio de produtos da Chrysler; compartilhamento de tecnologias, incluindo a ligada a sistemas motrizes eficientes em consumo de combustível e ambientalmente amigáveis; e acesso a mercados adicionais, incluindo a distribuição dos veículos Chrysler em mercados fora da América do Norte, a Fiat receberá inicialmente um montante de 35% das ações da Chrysler. A aliança não contempla que a Fiat faria um investimento em dinheiro na Chrysler nem se comprometeria a financiar a empresa no futuro.

“Esta iniciativa representa uma pedra fundamental em um cenário automotivo rapidamente mutável e confirma que a Fiat e a Chrysler estão empenhadas e determinadas a continuar a desempenhar um papel importante no processo global. O acordo oferecerá às duas empresas oportunidades de acesso aos mercados automotivos mais relevantes com produtos inovadores e ambientalmente amigáveis, um campo em que a Fiat é reconhecida como líder mundial, além de beneficiá-las com sinergias adicionais em custos. O acordo se segue a uma série de alianças bastante focadas e parcerias assinadas pelo grupo Fiat com montadoras líderes e fornecedores automotivos nos últimos cinco anos direcionadas a apoiar o crescimento e as aspirações de volumes dos parceiros envolvidos”, disse o CEO do grupo Fiat, Sergio Marchionne.

"Uma parceria Chrysler/Fiat é um excelente negócio, já que cria potencial para uma montadora poderosa e global, oferecendo à Chrysler um grande número de benefícios estratégicos, incluindo o acesso a produtos que complementam nosso portfólio atual, uma rede de distribuição fora da América do Norte e cortes de custos em projeto, engenharia, manufatura, compras e vendas e marketing”, disse Bob Nardelli, presidente e CEO da Chrysler LLC. “Essa transação permitirá à Chrysler oferecer uma gama mais extensa e competitiva para nossos revendedores e clientes que atende a metas de emissões e eficiência energética, além de atender às condições para o Empréstimo Governamental. A parceria também proporcionaria um retorno em investimentos para o contribuinte norte-americano por assegurar a viabilidade a longo prazo das marcas da Chrysler no Mercado, sustentar futuros produtos e o desenvolvimento de tecnologias para nosso país e revigorar a confiança dos consumidores, além de preservar empregos nos EUA.”

“Essa é uma grande notícia para o time do sindicato UAW Chrysler e nós queremos apoiar e trabalhar com eles para garantir a existência da Chrysler no longo prazo”, disse Ron Gettelfinger, presidente do sindicato United Auto Workers UAW.

“Estamos no mesmo barco com essa importante iniciativa estratégica que vai preservar a existência a longo prazo de nossa grande empresa, suas marcas e, certamente, os empregos dos associados da UAW na Chrysler”, disse General Holiefield, vice-presidente do sindicato United Auto Workers UAW.


Tradução de Gustavo Henrique Ruffo


Siga a gente no Twitter! Novidades, segredos e muito mais: www.twitter.com/WebMotors Gosta de carros de bom preço?

Então veja aqui no WebMotors a oferta dos modelos mais baratos do Brasil:

Fiat Mille

Ford Fiesta

VW Gol 1.0

Fiat Palio 1.0

Chevrolet Celta 1.0

Leia também:

Anfavea aguarda posse de Obama para falar em perspectivas para 2009

Vendas 2008: Ano fecha com crescimento de 14,1%

Inflação do carro tem leve alta em novembro

Os 100 mais vendidos

Abeiva registra queda de mais de 8,51% em vendas

Comentários

Ofertas Relacionadas

logo Webmotors